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Conteúdo:

Objetivo: Entender o papel das forças externas na configuração das estruturas e formas do relevo terrestre, distinguindo entre intemperismo físico e químico e os tipos de erosão.


Agora é com você!

Faça uma lista em seu caderno sobre o que já ouviu falar sobre esse assunto: intemperismo, erosão e seus tipos, deslizamentos de terra.

Anote em seu caderno: o que você gostaria de saber mais sobre como o vento, a água e o gelo transformam as rochas e o relevo? Guarde sua resposta, vamos retomá-la ao final da aula.


Introdução

Na aula passada, conhecemos alguns processos relacionados à dinâmica interna do relevo, como o tectonismo, o vulcanismo e os terremotos.

Nesta lição, veremos os agentes externos que moldam a superfície terrestre (água, vento, geleiras etc.), ao provocar alterações físicas e químicas nas rochas.

Esta aula responde a uma pergunta que explica desde o formato de um cânion até um simples buraco na estrada: se a crosta terrestre é feita de rocha sólida, o que consegue quebrá-la, dissolvê-la e transportá-la para formar as paisagens que vemos hoje?

Ao final, você compreenderá como funciona o intemperismo, o processo de erosão, transporte e sedimentação, e a importância do conhecimento do relevo para a sociedade.


O que são os agentes externos do relevo?

Aprendemos que o relevo é basicamente o conjunto das diversas configurações da crosta terrestre. Entretanto, essa superfície é a morada do homem, diferenciada por processos naturais e sociais.

A importância do estudo do espaço terrestre no atual período é fundamental, uma vez que atingimos um conhecimento total do Planeta, graças às novas tecnologias (Sensoriamento Remoto, Geoprocessamento), em um período marcado pela ciência, técnica e informação.

O que o relevo tem a ver com tudo isso? O relevo é feito de rochas, assim como nossas calçadas, pontes e moradias, e estas se degradam ao longo do tempo.

Nós dependemos dos materiais disponíveis na superfície terrestre para diversas atividades humanas, como o cultivo do solo, a construção civil ou o desenvolvimento da indústria.

Por meio da ação das águas, do vento, do mar, das geleiras, dos seres vivos etc., a paisagem terrestre é modelada e alterada.

Esses são os agentes externos do relevo. Eles são responsáveis por deteriorar e desintegrar os materiais da Terra, na superfície ou próximo a ela, através de sua quebra física e alteração química.

Trata-se do intemperismo, que age sobre a rocha desagregando-a para formar peças menores. Alguns minerais são alterados ou dissolvidos, dando origem a outras formações. Um exemplo de intemperismo pode ser visto na figura abaixo:

Parque Estadual de Vila Velha

O Parque Estadual de Vila Velha é um sítio geológico situado no município brasileiro de Ponta Grossa, do qual é a principal atração turística. Fonte: Wikipedia.

Esse exemplo mostra um tipo de rocha, o arenito, esculpido pela força do vento e das chuvas ao longo de milhões de anos. Esse alicerce de rocha sedimentar sofreu intemperismo com a exposição e o desgaste por milhares ou milhões de anos.

O transporte do material erodido das rochas é chamado de erosão, e pode ser carregado para outro local e finalmente depositado como sedimento. O chão onde pisamos pode ter sido, no passado, uma montanha desgastada ou erodida, dependendo do local no Planeta em que vivemos.

Veremos em detalhes cada um desses processos responsáveis por alterar a configuração do relevo terrestre.

Questione a realidade!

  • Como o intemperismo físico afeta a superfície da Terra?
  • Como os processos químicos dissolvem as rochas?
  • Qual o resultado do intemperismo?
  • Quem é o responsável por levar o material intemperizado de um local para o outro?
  • Como a ação do vento, água, gelo e organismos vivos atua na modificação das paisagens?

QUESTÃO PRÁTICA

O que aconteceu com esse automóvel enferrujado sob o ponto de vista dos agentes externos do relevo?

Carro enferrujado

QUESTÃO PRÁTICA

Esse tipo de relevo, chamado de falésia, sempre apresentou esse formato? Quais agentes contribuíram para tal resultado?

Falésia na costa

Intemperismo

É comum dizer que "nada resiste ao tempo". Podemos acrescentar que nem mesmo as rochas, apesar de sua dureza e resistência.

Não há material que não seja suscetível (capaz ou passível de receber) ao intemperismo, também chamado de meteorização. A deterioração das rochas ou de qualquer coisa na Terra seria uma resposta desses materiais às mudanças de ambiente nas quais estão inseridos.

Estruturas metálicas, carros, granito, monumentos podem enferrujar-se, enfraquecer-se ou esfacelar-se quando expostos à água ou a gases da atmosfera, em um deserto, geleira ou região tropical.

Isso tudo é o intemperismo. Esse processo prepara a rocha para a erosão ao enfraquecê-la ou quebrá-la. Ele pode ser, basicamente, de dois tipos: intemperismo físico ou químico. No primeiro, ocorrem mudanças físicas dos materiais da Terra, mas não mudam sua composição. Já no segundo caso, os minerais das rochas são quimicamente dissolvidos.

Os intemperismos físico e químico atuam juntos, reforçando um ao outro. Enquanto o físico quebra o material rochoso em pedaços menores, seu parceiro nesse processo, o químico, pode dissolvê-lo sem grandes problemas.


Fatores do intemperismo

Existem fatores que influenciam e controlam a forma de atuação do intemperismo.

O primeiro deles é o clima, representado pelas mudanças de temperatura e pela distribuição das chuvas. Depois temos o relevo, que, dependendo de sua inclinação, afeta diretamente a infiltração das águas pluviais (chuvas). O tipo de fauna e flora também interfere no grau de intemperismo, pois eles fornecem matéria orgânica para as relações químicas. O tipo de rocha matriz influencia devido a sua resistência aos processos intempéricos. E o tempo de exposição das rochas aos agentes externos também é determinante. (Fonte: Teixeira, 2009, adaptado).


Intemperismo físico

O intemperismo físico ou mecânico fratura a rocha em pequenos pedaços sem promover alteração química de seus minerais.

O granito, por exemplo, é uma rocha muito resistente, mas pode ser rompida por forças físicas como o congelamento, a variação de temperatura em áreas desérticas, a liberação de pressão ou a atividade orgânica, isto é, a ação de seres vivos diretamente nas rochas.

A variação de temperatura, como um dos fatores do intemperismo, transforma as rochas na medida em que elas são aquecidas e depois resfriadas.

Em áreas desérticas, a diferença de temperatura entre o dia e a noite é muito alta, podendo variar em até 30ºC ou mais (essa diferença é chamada de amplitude térmica).

Amplitude térmica

Fonte: novaescola.org.br

Essa alternância de calor gera uma tensão e causa fraturas nas rochas, bem como a queima de florestas; o intenso calor provoca expansão e contração nas rochas.

Já nas áreas de desertos frios, como o continente Antártico, a água congela e descongela de forma repetida nas juntas ou rachaduras das rochas.

Rachaduras nas rochas por congelamento

Bloco de gnaisse fraturado pela ação do gelo nas fissuras (Antártica). Fonte: Teixeira (2009, p.142).

Na figura acima podemos observar o processo de abertura de fissuras, pois a água, ao congelar, aumenta seu volume (em cerca de 9%), se expande contra as paredes das rochas, causando as chamadas cunhas de gelo.

Outro fator do intemperismo está relacionado às atividades dos organismos vivos. O exemplo mais marcante diz respeito à pressão exercida pelas raízes das plantas, ao se infiltrarem nas rochas ocasionando fraturas. Também participam desse processo animais, plantas e bactérias. Animais que vivem em tocas, répteis ou roedores, dentre outros, misturam o solo e trazem material das profundezas para a superfície, onde sofre intemperismo. Já as bactérias, algas e fungos penetram nas fraturas e produzem ácidos responsáveis pela dissolução dos minerais, o material de que são feitas as rochas.

Raízes fraturando rochas

As raízes das plantas aceleram o intemperismo físico. Fonte: geocaching.com

Além de fissuras e fraturas causadas por expansão do gelo ou variação de calor, temos o intemperismo por esfoliação. Trata-se de um processo de descamação das rochas, tal como uma grande cebola, ou quando grandes blocos são destacados da parede rochosa.

Esfoliação de granito

Placas esfoliadas de granito em Half Dome, no Parque Nacional de Yosemite, EUA, uma alteração esferoidal tal como as camadas de um repolho. Fonte: Wikipedia e Press (2006).

Resumindo: o intemperismo físico abre o caminho e facilita o intemperismo químico.


QUESTÃO ABERTA

Um exercício para reforçar alguns conceitos.

Escreva o nome do processo de quebra que promove alteração química e física das rochas na superfície terrestre.

Escreva o nome do processo de remover os materiais que foram intemperizados de um local para outro através do vento, gelo ou água.

Intemperismo químico

As rochas sofrem alterações químicas quando seus minerais entram em contato com a água e o ar, com dióxido de carbono e chuvas ácidas.

Elas mudam de composição e seus minerais são literalmente dissolvidos, tal como uma pedra de sal em contato com a água.

Além da dissolução, pode ocorrer a formação de novos minerais, diferentes daqueles da rocha original.

O tipo de rocha vai determinar os efeitos do intemperismo químico. Alguns minerais, como a calcita, que é composta por carbonato de cálcio, uma rocha sedimentar, podem se decompor completamente em água acidificada.

Como a água se torna ácida?

Estamos acostumados com refrigerantes gaseificados, que nada mais são do que água com gás sob pressão. Esse gás é o dióxido de carbono (CO₂) e, quando combinado com a água, forma o ácido carbônico. Quando abrimos a garrafa, o gás dissolvido efervesce (se transfere para o ar) e a bebida se torna "choca" e levemente ácida.

O material orgânico em decomposição também produz dióxido de carbono nos solos; dessa forma, a água subterrânea é levemente ácida.

Em terrenos calcários, em consequência dessa acidez do solo, pode ocorrer a formação dos chamados relevos cársticos, ou seja, a presença de cavernas.

Relevo cárstico

Paisagem típica de relevo cárstico. Fonte: Wikipedia.


Como as cavernas são formadas?

A água próxima à superfície ou no subsolo pode dissolver o calcário e formar cavidades, especialmente se a água for ácida. O sistema de cavernas é, geralmente, formado a partir do calcário, porque outros tipos de rocha não são facilmente dissolvidos. Observe a figura abaixo:

Formação de cavernas

Fonte: Reynolds (2017, p.428).

O número 1 representa a rocha calcária, constituída principalmente pelo mineral calcita (carbonato de cálcio), relativamente solúvel em água ácida. A água da chuva é um pouco ácida porque reage com o dióxido de carbono, o enxofre e o material orgânico. Quando a água reage com a calcita no calcário, ela o dissolve. O processo ainda pode ser ajudado pelos ácidos produzidos pelos micróbios no fundo do solo, como já visto.

O número 2 indica que a água subterrânea dissolve o calcário, muitas vezes começando ao longo de fraturas e limites entre as camadas e, em seguida, ampliando-os progressivamente ao longo do tempo. As cavidades abertas tornam-se maiores e mais extensas, permitindo que mais água passe, o que acelera a dissolução e o alargamento. Se as aberturas se tornam muito grandes, elas podem acomodar piscinas subterrâneas ou córregos.

O número 3 aponta que muitas cavernas se formam abaixo do lençol freático, e o processo pode levar milhões de anos. O resultado é uma rede de cavernas interconectadas através de túneis de calcário. Se houver um rompimento dessa piscina de água subterrânea, a água pode ser drenada para fora dos túneis e secar parte do sistema de cavernas.

E, por fim, o número 4 mostra que, se parte do teto da caverna desabar, ela será exposta ao ar e secará ainda mais. Essa quebra do teto forma o chamado "sumidouro" na superfície.

As cavernas são ótimos e interessantes locais para se explorar. Algumas possuem passagens estreitas conectando outras câmaras ou permitindo encontrar imensas cavidades.

As formas mais conhecidas das cavernas estão relacionadas à dissolução e à precipitação da calcita, formando as estalagmites e as estalactites.

Estalactites e estalagmites

Fonte: escolanacaverna.com.br e ufrgs.br/paleotocas.

Além das cavernas, as construções antigas não escapam do poder do intemperismo químico. Veja:

Colunas gregas alteradas por intemperismo químico

Alteração nos blocos e ruínas de calcário nas colunas estilo grego de 2.500 anos, em Segesta, Itália. Fonte: Wikiwand.


QUESTÃO PRÁTICA

Quais fatores abaixo não contribuem para o aumento das taxas de intemperismo?

QUESTÃO PRÁTICA

O que ocorre com o intemperismo em climas nas regiões tropicais?

Intemperismo e erosão

Vimos que o vulcanismo e os processos tectônicos formaram as montanhas, e a decomposição física e química provocada pela chuva, pelo vento, pelo gelo e pelo calor, ou seja, pelo intemperismo, alteraram todo o material rochoso da Terra.

Agora temos que nos concentrar em quem leva esses materiais para outros locais e os deposita, isto é, a erosão.

A erosão, portanto, trabalha junto com o intemperismo: desgasta e transporta as rochas alteradas, e novas rochas que antes estavam escondidas são expostas, renovando o ciclo de alteração das paisagens.


Tipos de erosão

Vamos recapitular: o processo de intemperismo quebra as rochas e o solo em pedaços menores, mas não os move. A remoção desse material intemperizado é responsabilidade da erosão.

Isso pode ser feito através de diversos agentes, como o vento, a água corrente, as geleiras, as chuvas, as correntes oceânicas, as ondas do mar, dentre outros. Os principais estão na figura abaixo:

Agentes de erosão

Fonte: Borrero (2008, p.162, adaptado).

Quando vemos nossas calçadas repletas de lama vindas de um morro acima, por exemplo, temos aí o transporte e, após isso, a deposição.


Erosão hídrica

É a gravidade que atua empurrando esses materiais encosta abaixo. A água é um poderoso agente de erosão. Os rios, por exemplo, podem moldar toda uma paisagem e carregar toneladas de sedimentos, como os rios Amazonas, no Brasil, o Nilo, no Egito, ou o Yangtzé, na China. Vejamos essa alteração na ilustração abaixo:

Evolução de um rio

Fonte: Strahler (2013, p.528).

Na figura acima vemos um determinado rio (número 1), onde o fluxo de água é mais rápido nas cachoeiras e corredeiras. Esses segmentos mais íngremes (inclinados) do rio são rapidamente corroídos. Onde o fluxo do rio diminui (por exemplo, em lagoas e lagos), o sedimento é depositado.

No número 2, as cachoeiras e corredeiras erodiram até que sua declividade (inclinação para baixo) ficasse mais próxima da declividade média do rio. Já os lagos e lagoas foram drenados e desapareceram.

O número 3 mostra o rio em uma expansão lateral, erodindo essas encostas e criando um caminho curvo. Começa um depósito de sedimentos clásticos (areia, cascalho ou lama) que se acumula no interior de cada curva. É o chamado aluvião.

No número 4, à medida que o fluxo continua a erodir as margens, o canal desenvolve meandros extensos.

Com o tempo, essas curvas, desde a nascente até onde o rio deságua (foz), formam uma planície de inundação, isto é, um terreno plano entre penhascos íngremes. O rio atinge sua maturidade.


Aspectos destrutivos da erosão em águas correntes

Outro aspecto da erosão causada por enxurradas, rios ou córregos, ou por mau uso do solo, está relacionado às ravinas e voçorocas.

As ravinas ocorrem quando a água corrente erode pequenos canais nas encostas dos córregos e riachos. Elas são normalmente classificadas como de menor escala do que as voçorocas, vales e cânions.

Ravina

Fonte: meioambiente.culturamix.com

Quando esses canais erodidos pelas ravinas se tornam mais profundos e extensos, eles evoluem para as voçorocas.

As voçorocas ou boçorocas são geologicamente um fenômeno que consiste na formação de grandes buracos de erosão, causados pela água da chuva e por intempéries, em solos onde a vegetação não protege mais o solo, que fica cascalhento e suscetível ao carregamento por enxurradas. Ela torna o solo pobre, seco, quimicamente morto e nada fecundo.

Voçoroca

Fonte: gazetavg.com.br

Da mesma forma, temos a erosão marinha, realizada pelo movimento constante das ondas do mar, provocando a abrasão dos paredões rochosos no litoral, com a formação das falésias. Essa erosão forma as praias, as restingas e os tômbolos (veremos no capítulo sobre as formas do relevo marinho).


Erosão Glacial

O Planeta já registrou diversas eras glaciais ao longo de sua história, a mais antiga delas ainda na época do supercontinente Gondwana, centenas de milhões de anos atrás. A mais recente terminou há cerca de 11.700 anos, marcando o início do Holoceno, a época geológica atual, dentro do período Quaternário.

O que é uma geleira?

Geleiras são massas continentais de gelo de limites definidos, que se movimentam pela ação da gravidade. Originam-se pela acumulação de neve e sua compactação por pressão, transformando-a em gelo (Teixeira, 2009, p.216).

As marcas das geleiras estão visíveis nas paisagens, e seus efeitos erosivos abrangem uma escala elevada.

As geleiras podem carregar toneladas de sedimentos através de verdadeiros rios de gelo, levando imensas rochas e detritos a longas distâncias. Esses detritos arranham a superfície das rochas, esculpindo vales em forma de U, chamados fiordes, principalmente na região da Escandinávia (Suécia, Noruega e Dinamarca). Veja uma imagem de uma geleira na Noruega.

Geleira na Noruega

Geleira de Briksdal, Noruega. Fonte: Wikipedia.

As geleiras têm uma imensa capacidade de erodir a rocha dura, gerando toneladas de sedimentos, geralmente um material escuro, uma mistura de gelo com rochas e lama chamado morena, nas áreas de deposição onde o gelo desemboca nas partes baixas do terreno. Veja na ilustração abaixo:

Vale glacial em U

Fonte: Press (2006, p.403).

Na figura acima, vemos que, antes da glaciação, um rio montanhoso entalha um vale em forma de "V". Durante a glaciação, a ação do gelo, arrancando e rasgando as rochas, produz uma forma arredondada chamada circo. À medida que a geleira do vale se move para baixo, ela escava um novo vale ou aprofunda o vale existente, originando um vale em U, com paredes abruptas, diferente dos vales erodidos pelos rios montanhosos.

Após ter visto o processo erosivo da ação da água e das geleiras, veremos como a ação do vento molda as paisagens terrestres.


Erosão eólica

O que é o vento?

De modo geral, o vento é um fluxo natural de ar em movimento, paralelo à superfície de rotação da Terra. Ou seja, existe vento causado pelo movimento de rotação terrestre e pela diferença de pressão e temperatura na atmosfera (veja o capítulo sobre o clima terrestre).

É comum utilizar o termo "eólica" para se referir ao trabalho do vento, em referência à mitologia grega, na qual Éolo era o guardião dos ventos e o senhor da ilha Eólia, na Odisseia de Homero.

Voltando ao tempo presente, a ação do vento é um importante agente de erosão, assim como a água, entretanto de modo um pouco mais lento.

Os ventos podem mover enormes quantidades de areia, partículas menores chamadas silte e pó, sobre grandes regiões do globo.

No que diz respeito à erosão, os ventos moldam a superfície terrestre principalmente em zonas áridas, onde não há umidade. Só depois que o intemperismo físico e químico atuou é que o vento pode deslocar essas partículas pelo ar.

O vento desgasta as rochas e arranca areia desagregada, lançando-a depois sobre outras rochas, processo chamado de abrasão.

Arco esculpido pelo vento

Parque Nacional dos Arcos, Utah, Estados Unidos. Rocha esculpida pela ação do vento formando um arco. Fonte: Wikipedia.

Já quando o vento transporta areia por longas distâncias e as deposita, acaba por formar dunas.

Dunas

Fonte: epoca.oglobo.globo.com

A maioria das dunas é encontrada em climas secos, como desertos, porque o vento não pode transportar material úmido. Deve haver um suprimento de areia solta disponível no local para esse tipo de formação. Ela também apresenta uma angulação devido à direção dos ventos.

Pode haver também dunas nas regiões costeiras, devido à abundância de areia que é transportada pelo vento rapidamente, sendo que somente em outro momento a vegetação e o solo passam a cobri-la. Nesse caso em específico, em climas úmidos, também pode ocorrer a formação de dunas.

Além das paisagens formadas pela abrasão e pela deposição, temos os efeitos destrutivos da erosão eólica, principalmente no solo.

Um dos métodos utilizados nas áreas de cultivo para reduzir a perda da camada superior do solo na agricultura consiste na construção de barreiras de vento. Os quebra-ventos, como são chamados, são árvores plantadas de forma perpendicular, uma ao lado da outra, com o objetivo de formar uma fila ao longo das bordas de uma plantação. Essas barreiras ainda podem ajudar na conservação da umidade, barrar a neve, dependendo do tipo de clima, ou proteger a plantação dos efeitos do vento.

Barreiras de vento

Fonte: researchgate.net

Outros seres vivos também participam do processo erosivo, como plantas e animais que vivem movendo a superfície de um local a outro. O exemplo de animais que se enterram no solo, atividades humanas de grandes escavações minerais, construção de rodovias, dentre inúmeras outras atividades.

Dependendo da organização do território realizada pelos homens, o processo erosivo pode ser evitado ou agravado, produzindo efeitos danosos à sociedade.

Veremos com mais detalhes os impactos da atividade humana no meio geográfico no capítulo sobre a questão ambiental.


Erosão antrópica: quando o próprio ser humano esculpe o relevo

Até aqui, vimos agentes naturais: água, vento e gelo. Mas existe um agente de erosão que age mais rápido do que qualquer um deles, e que também molda o relevo em uma escala impressionante: o próprio ser humano.

Chamamos de erosão antrópica a modificação do relevo causada por atividades humanas: a construção de cidades e estradas, o desvio de cursos de rios, a retirada de material das rochas em mineração e a derrubada de florestas. Essas ações podem acelerar processos que, sem a interferência humana, levariam milhares ou milhões de anos.

Em áreas urbanas, é comum que morros inteiros sejam removidos da paisagem para dar lugar a bairros e avenidas, enquanto rios, lagos e mangues são aterrados para ganhar espaço construído. O resultado dessa ação é chamado de relevo tecnogênico: uma forma de relevo que não existiria sem a intervenção humana direta, seja para construir, seja para destruir uma estrutura natural preexistente.

No Brasil, um exemplo comum é o corte de encostas para a construção de estradas e bairros, que remove a vegetação e a camada de solo que protegiam a rocha, deixando-a exposta e mais vulnerável tanto ao intemperismo quanto à erosão hídrica. É por isso que encostas desmatadas apresentam risco maior de deslizamentos durante períodos de chuva intensa: a atividade humana já fragilizou o terreno antes mesmo de a chuva começar.


QUESTÃO PRÁTICA

Como o tempo influencia o processo de intemperismo?

QUESTÃO PRÁTICA

Que agente de erosão formou esta estrutura e qual processo ocorreu?

Arco esculpido pelo vento

Não existe pergunta boba, existe pergunta que não foi feita!

P: Qual a relação entre intemperismo e clima?

R: O clima influencia diretamente o intemperismo devido à temperatura e à espessura do solo. Em grandes altitudes, uma montanha, por exemplo, o intemperismo químico é baixo, uma vez que a baixa temperatura torna difícil para a água dissolver os minerais das rochas, o que favorece o intemperismo físico pelo gelo. Se há pouca chuva, há pouca água percorrendo as rochas. Em regiões desérticas há muito intemperismo físico; já em regiões tropicais, o intemperismo químico é mais forte. Também, se o relevo é mais íngreme (inclinado), aprofunda a erosão; se o relevo é mais suave, mais plano, favorece o intemperismo químico.

P: Qual é o produto do intemperismo?

R: Depois que o intemperismo químico e físico atuam para erodir uma superfície rochosa, parte desse material é carregado pelas correntes de água, geleiras ou pelo vento. Outra parte permanece no local, seja em planícies suaves ou em encostas moderadas, ainda com parte da rocha matriz, que pode ser sedimentar, magmática ou metamórfica. Essa superfície, que se assemelha ao terreno da Lua, ainda não tem matéria orgânica suficiente para ser chamada de solo. É o que os geólogos chamam de regolito. Com o tempo, uma fina camada de restos de animais, plantas e bactérias formará o solo. O solo é um dos principais produtos do intemperismo (temos um capítulo específico sobre solos).

P: Os deslizamentos de terra em uma encosta têm a ver com o intemperismo?

R: Uma vez que o intemperismo alterou e deixou "afrouxado" o solo, a gravidade se encarrega de empurrá-lo ladeira abaixo. Também estão relacionados aos problemas dos deslizamentos nas encostas o clima, a topografia (forma, inclinação e altitude do terreno), o tipo de rocha e solo, e a maneira de ocupação da área pela população do entorno.


Questões para responder no caderno:

1. Explique o que são os agentes externos do relevo e dê exemplos de como eles afetam a superfície terrestre.

2. Defina intemperismo e descreva as diferenças entre intemperismo físico e químico.

3. Como o clima influencia o processo de intemperismo? Dê exemplos.

4. Explique como o processo de erosão está relacionado ao intemperismo.

5. Dê exemplos de paisagens formadas pelo intemperismo e explique o processo envolvido.

6. O que são ravinas e voçorocas? Como elas se formam?

7. Como a ação dos seres vivos pode contribuir para o intemperismo físico?

8. Qual a importância do processo de sedimentação para a formação de novas paisagens?

9. Descreva como ocorre a erosão eólica e onde ela é mais comum.

10. Qual é o impacto da erosão no uso do solo para a agricultura?


O que mudou no seu olhar

Releia o que você anotou no início sobre intemperismo, erosão e deslizamentos de terra. Agora você sabe que esses processos formam uma cadeia: o intemperismo físico e químico quebra e dissolve a rocha no lugar, a erosão transporta esse material através da água, do vento ou do gelo, e a sedimentação o deposita em outro ponto, dando origem a novas paisagens.

Você também viu que os mesmos processos que esculpem cavernas, dunas e fiordes ao longo de milhões de anos são os que, em escala humana, causam voçorocas e deslizamentos de encosta. Entender essa dinâmica é essencial para planejar cidades, estradas e áreas de cultivo sem degradar o meio em que vivemos.

Resumo dos conceitos: intemperismo físico e químico; amplitude térmica e esfoliação; relevo cárstico; erosão (hídrica, glacial e eólica); ravinas e voçorocas; erosão antrópica e relevo tecnogênico; regolito e sedimentação.

Com a dinâmica interna e a dinâmica externa do relevo, você já reúne as ferramentas para entender como qualquer paisagem se forma. Na próxima etapa, vamos revisar tudo o que vimos nas Aulas 07 a 11 antes de seguir para o Ciclo das Rochas, quando descobriremos como as rochas magmáticas, sedimentares e metamórficas se transformam umas nas outras ao longo do tempo geológico.


Ficha de Conceitos

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    Antes de finalizar, vamos revisar o que aprendemos!



    Para saber mais:

    Referências Bibliográficas

    📚 Sugestões de Livros



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