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Objetivo: Identificar alternativas energéticas renováveis para uso no mundo atual.
Agora é com você!
Na aula passada, vimos que petróleo, gás natural e carvão mineral são finitos e poluentes, mas ainda movem boa parte da economia mundial.
Anote em seu caderno: quais fontes de energia renovável você já ouviu falar, e por que você acha que elas ainda não substituíram totalmente os combustíveis fósseis? Guarde sua resposta, vamos retomá-la ao final da aula.
Introdução
Se os combustíveis fósseis poluem e vão se esgotar um dia, por que a transição para fontes limpas é tão lenta? A resposta passa por entender o que cada fonte renovável oferece, e também o que ela exige: certas condições geográficas, investimento, tecnologia e, muitas vezes, recursos minerais próprios.
Nesta aula, vamos estudar as principais alternativas energéticas renováveis, biomassa, energia eólica, solar, hidráulica, geotérmica e maremotriz, entendendo como cada uma funciona, onde é mais aproveitada e quais são seus limites.
É útil pensar nessas fontes como peças de um quebra-cabeça chamado matriz energética (o conjunto de todas as fontes de energia, renováveis e não renováveis, que abastecem um país): nenhuma fonte isolada resolve o problema sozinha, mas a combinação de várias, cada uma explorada onde faz mais sentido geograficamente, é o que permite reduzir a dependência do petróleo, do gás e do carvão discutidos na aula anterior. O Brasil já tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com cerca de 88% da eletricidade vindo de fontes renováveis, mas ainda depende fortemente de combustíveis fósseis nos transportes e na indústria, o que torna a diversificação das fontes renováveis um desafio permanente.
1. Biomassa: Energia Renovável a Partir da Matéria Orgânica
Fonte: pexels.com.
A biomassa é uma fonte de energia renovável obtida a partir de matéria orgânica, incluindo resíduos agrícolas, restos florestais, dejetos de animais e até resíduos urbanos, como lixo orgânico. Essa fonte de energia tem se destacado por seu potencial de reaproveitamento de materiais que, de outra forma, seriam descartados, contribuindo para a redução de resíduos e o aproveitamento de recursos naturais.
Como a Biomassa Funciona? A energia da biomassa pode ser aproveitada de diversas formas:
- Combustão Direta: a biomassa é queimada para produzir calor, que pode ser usado diretamente em processos industriais ou para gerar vapor que aciona turbinas e produz eletricidade.
- Conversão em Biocombustíveis: etanol (da fermentação de cana-de-açúcar ou milho) e biodiesel (de óleos vegetais ou gorduras animais) são usados em motores de combustão.
- Produção de Biogás: por meio da decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos, gerando gás metano que pode ser usado para eletricidade ou como combustível veicular.
Exemplo Prático no Brasil: o Brasil se destaca na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. O bagaço restante é utilizado para gerar eletricidade. Além disso, o biogás captado em aterros sanitários é convertido em energia, reduzindo gases de efeito estufa.
RenovaBio e os CBIOs: desde 2017, o Brasil conta com o RenovaBio, a Política Nacional de Biocombustíveis, considerado o maior programa de descarbonização do planeta. O mecanismo funciona por meio do CBIO (Crédito de Descarbonização): cada CBIO equivale a uma tonelada de CO₂ que deixou de ser emitida graças à produção e ao consumo de etanol, biodiesel ou biogás certificados. Esses créditos são negociados na bolsa de valores, e distribuidoras de combustíveis fósseis são obrigadas a comprá-los para cumprir metas anuais definidas pelo governo. Até o fim de 2025, mais de 201 milhões de CBIOs já haviam sido emitidos, o equivalente a 201 milhões de toneladas de CO₂ que deixaram de ir para a atmosfera.
Etanol de Segunda Geração: uma fronteira mais recente da biomassa é o etanol de segunda geração (E2G), também chamado de etanol celulósico, que aproveita o próprio bagaço da cana, um resíduo que sobra da produção do etanol convencional, para extrair ainda mais combustível da mesma plantação, sem precisar de uma área plantada maior. A empresa Raízen já opera plantas desse tipo em São Paulo, com capacidade combinada de mais de 100 milhões de litros por ano, e o processo tem uma pegada de carbono cerca de 80% menor que a da gasolina comum.
Vantagens: aproveitamento de resíduos, redução de emissões, versatilidade no uso, e estímulo à economia local.
Desafios: impactos ambientais devido à obtenção insustentável, competição com a produção de alimentos, e poluição local causada pela queima.
QUESTÃO PRÁTICA
Por que o biogás captado em aterros sanitários é considerado uma forma de energia da biomassa?
2. Energia Eólica: Aproveitando a Força do Vento
Fonte: pexels.com.
A energia eólica é uma das fontes renováveis mais limpas e promissoras para geração de eletricidade no mundo. Utilizando a força do vento, ela transforma a energia cinética do ar em energia elétrica por meio de turbinas eólicas, também chamadas de aerogeradores.
Como Funciona? O processo de geração de energia eólica é relativamente simples, mas altamente eficiente:
- Movimento das Pás: o vento move as pás das turbinas, projetadas para captar o máximo de energia do ar em movimento.
- Conversão de Energia: as pás conectadas a um rotor acionam um gerador que converte a energia mecânica em energia elétrica.
- Distribuição: a eletricidade gerada é enviada para subestações e distribuída para a rede elétrica.
Os aerogeradores mais comuns instalados no Brasil têm potência entre 2 e 3 MW, com torres de cerca de 120 metros de altura e pás que podem chegar a 60 metros de comprimento, mas essa tendência vem mudando rapidamente: já existe no país um projeto de torre com 257 metros de altura, quase o dobro das atuais, já que torres mais altas alcançam ventos mais fortes e regulares, o que pode multiplicar o potencial eólico aproveitável em regiões que hoje são consideradas pouco ventosas.
Exemplo Prático no Brasil: o Brasil é líder latino-americano na produção de energia eólica, com 93% de toda a potência instalada concentrada no Nordeste, sobretudo no Rio Grande do Norte, na Bahia, no Ceará e no Piauí, região que combina ventos fortes e regulares o ano todo, inclusive à noite, quando a demanda de eletricidade continua alta, mas a energia solar já não está disponível. Um exemplo notável é o Complexo Eólico Lagoa dos Ventos, no Piauí, com 716 MW de capacidade instalada, o maior parque eólico em operação na América do Sul.
A energia eólica já responde por cerca de 14,3% de toda a eletricidade gerada no Brasil, com uma potência instalada que ultrapassou 34 GW em 2025, distribuída por mais de 1.100 usinas eólicas, e segue em forte expansão devido às condições favoráveis de vento no país.
A Próxima Fronteira: Eólica Offshore. depois de dominar os parques em terra firme, o Brasil começa a explorar o potencial dos ventos no mar. A Lei 15.097/2025 criou o Marco Legal da Eólica Offshore, e em junho de 2025 o Ibama emitiu a primeira licença ambiental do país para um projeto desse tipo: um sítio de testes de aerogeradores no litoral de Areia Branca (RN), com capacidade de até 24,5 MW. Segundo a associação do setor, já existem 59 empreendimentos protocolados para licenciamento, somando mais de 135 GW de potência espalhados pelo litoral do Nordeste, Sudeste e Sul, embora a regulamentação completa e os primeiros parques em operação ainda devam levar anos para se concretizar.
Vantagens: sustentabilidade, fonte renovável e inesgotável, criação de empregos, geração de renda para proprietários de terras, e diversificação energética.
Desafios: dependência de ventos regulares, impacto na fauna, especialmente aves e morcegos que podem colidir com as pás em movimento, poluição visual e sonora para comunidades vizinhas, e altos custos iniciais de instalação e conexão à rede elétrica.
3. Energia Solar: A Força do Sol ao Nosso Alcance
Fonte: organizado pelo autor.
A energia solar é uma das fontes de energia renovável mais promissoras, especialmente em países tropicais como o Brasil, onde a radiação solar é abundante durante todo o ano. Essa fonte de energia é obtida diretamente do sol, utilizando tecnologias que convertem a luz e o calor em eletricidade ou outras formas de energia útil.
Como Funciona?
- Painéis Fotovoltaicos: contêm células fotovoltaicas feitas de materiais semicondutores, como o silício. A luz solar gera um fluxo de elétrons, produzindo eletricidade, que pode ser usada, armazenada ou enviada para a rede elétrica.
- Sistemas Solares Térmicos: utilizam coletores solares para captar o calor do sol, aquecendo água ou fluidos específicos para uso residencial ou industrial.
Exemplo Prático no Brasil: a energia solar cresce rapidamente no país. Minas Gerais e São Paulo se destacam pela instalação de painéis em residências e empresas. No norte de Minas Gerais estão dois dos maiores parques solares do país: o Complexo Solar Janaúba, com capacidade de 1,617 GWp (o maior da América do Sul), e o Complexo Solar Pirapora, com 321 MW distribuídos em 11 usinas, ambos aproveitando a altíssima incidência solar do semiárido mineiro. Programas públicos incentivam a adoção de sistemas solares em áreas remotas.
Geração Distribuída: além dos grandes parques solares, uma parcela crescente da energia solar brasileira vem da geração distribuída (modelo em que o próprio consumidor gera energia, geralmente com painéis no telhado, e injeta o excedente na rede), regulada pela Lei 14.300/2022: painéis solares instalados diretamente em telhados de casas, comércios e indústrias, que geram energia no próprio ponto de consumo. Esse modelo já beneficia mais de 5,4 milhões de unidades consumidoras no país, e o excedente de energia gerado durante o dia pode ser injetado na rede da distribuidora e compensado depois, inclusive à noite, quando os painéis não produzem.
Vantagens: fonte renovável e infinita, sustentabilidade ambiental, independência energética, economia a longo prazo, e acessibilidade em áreas isoladas.
Desafios: alto custo inicial, dependência do clima, necessidade de grandes áreas, e descarte de materiais requerendo políticas de reciclagem adequadas.
QUESTÃO PRÁTICA
Por que o Nordeste brasileiro é a região preferida tanto para parques eólicos quanto para usinas solares?
4. Energia Hidráulica: A Principal Fonte Renovável do Brasil
A energia hidráulica é, disparada, a principal fonte renovável do Brasil: em 2024, ela sozinha respondeu por 56,1% de toda a eletricidade gerada no país, segundo o Balanço Energético Nacional da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O funcionamento é relativamente simples: uma barragem represa a água de um rio, formando um desnível; ao ser liberada, a água ganha velocidade e aciona turbinas conectadas a geradores, que transformam esse movimento em eletricidade.
Existem dois modelos principais de usina. As usinas com reservatório de acumulação represam um grande volume de água, funcionando como uma "poupança" de energia que pode ser usada mesmo em períodos de seca, mas que inunda uma área extensa. Já as usinas a fio d'água não acumulam grandes volumes, gerando eletricidade a partir do fluxo natural do rio: alagam uma área bem menor, mas ficam mais vulneráveis à sazonalidade das chuvas, já que não conseguem "guardar" água para os meses mais secos.
Exemplos no Brasil: a Usina de Itaipu, na fronteira com o Paraguai, tem 14.000 MW de potência instalada e é a segunda maior hidrelétrica do mundo em capacidade, atrás apenas da Usina das Três Gargantas, na China. Já a Usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, é uma usina a fio d'água com potencial de 11.233 MW, embora sua geração média fique perto de 4.500 MW por causa da forte variação sazonal do volume do rio. A construção de Belo Monte também é um exemplo de como uma fonte renovável pode gerar impactos sociais e ambientais graves: o represamento reduziu o volume de água ao longo de um trecho do Xingu conhecido como Volta Grande, prejudicando a pesca e o modo de vida de populações indígenas e ribeirinhas da região, além de ter deslocado dezenas de milhares de pessoas durante as obras.
Vantagens: fonte renovável, limpa durante a operação, com custo de geração relativamente baixo depois de construída a usina, e reservatórios que também podem ser usados para irrigação e controle de cheias.
Desafios: alagamento de grandes áreas e deslocamento de populações, forte dependência do regime de chuvas (o que pode causar crises de abastecimento em anos de seca), e impactos sobre a fauna aquática e os ecossistemas fluviais.
Quando a Chuva Falta: a Crise Hídrica de 2021. a dependência do regime de chuvas não é um risco apenas teórico. Em 2021, o Brasil enfrentou a pior seca em 91 anos, que reduziu drasticamente o nível de água dos reservatórios das hidrelétricas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, região que concentra a maior parte da capacidade de armazenamento hidrelétrico do país. Em alguns reservatórios do subsistema, o volume armazenado caiu para menos de 20% da capacidade máxima. Para evitar um apagão, o governo pediu que a população reduzisse o consumo de energia, acionou termelétricas mais caras e poluentes para reforçar o abastecimento, e criou uma "bandeira de escassez hídrica" na conta de luz, cobrando uma taxa extra dos consumidores. O episódio mostrou, na prática, por que depender tanto de uma única fonte de energia, mesmo sendo ela renovável, deixa o sistema elétrico vulnerável a anos de clima atípico.
QUESTÃO PRÁTICA
Qual é a principal diferença entre uma usina hidrelétrica com reservatório de acumulação e uma usina a fio d'água, como Belo Monte?
5. Energia Geotérmica
Fonte: organizado pelo autor.
A energia geotérmica utiliza o calor proveniente do interior da Terra para geração de energia e aquecimento.
Como Funciona? o calor subterrâneo aquece a água, gerando vapor que movimenta turbinas e produz eletricidade.
Exemplo Prático: a Islândia é o exemplo mais conhecido de uso da energia geotérmica: o país está sobre a Dorsal Mesoatlântica, fronteira entre as placas Eurasiática e Norte-Americana, o que garante intensa atividade vulcânica. Isso permite que a energia geotérmica responda por cerca de 25% de toda a eletricidade do país e por mais de 85% do aquecimento residencial, incluindo água quente encanada e até o derretimento de neve em calçadas e ruas no inverno.
Quem Lidera em Capacidade Instalada: apesar do destaque islandês, os maiores produtores em capacidade absoluta são outros. Os Estados Unidos lideram com mais de 3,5 GW instalados, boa parte concentrada em The Geysers, na Califórnia, o maior complexo geotérmico do mundo, com 22 usinas somando cerca de 1,5 GW de capacidade e respondendo por quase 20% de toda a energia renovável gerada no estado. Logo atrás vêm a Indonésia (cerca de 2,3 GW) e as Filipinas (cerca de 1,9 GW), dois países do Círculo de Fogo do Pacífico, região de intensa atividade vulcânica e sísmica no litoral da Ásia e da Oceania.
Vantagens: fonte constante e independente do clima. Ao contrário da energia solar e eólica, ela é chamada de fonte de base (baseload), pois fornece um fluxo constante de energia, sem depender das condições climáticas do momento.
Desafios: necessita de locais específicos com significativa atividade geotérmica, como regiões vulcânicas ou de intensa atividade tectônica. O principal obstáculo técnico é perfurar com segurança quilômetros de rocha aquecida para captar esse calor. Ainda que seja uma fonte praticamente inesgotável e livre de carbono, a energia geotérmica atende hoje a uma parcela muito pequena da demanda energética mundial, muito atrás dos combustíveis fósseis.
Quênia e o Grande Vale do Rift: na África Oriental, o Quênia é o país líder do continente em energia geotérmica, com essa fonte respondendo por mais de 40% de toda a eletricidade gerada no país. Isso é possível porque o território queniano está situado sobre o Grande Vale do Rift (Great Rift Valley), uma extensa fenda no terreno formada por um movimento divergente de placas tectônicas: as placas Somali e Núbia estão lentamente se afastando uma da outra, adelgaçando a crosta continental e permitindo que o magma se aproxime da superfície. Esse calor magmático aquece a água subterrânea da região, criando exatamente as condições geológicas necessárias para a exploração de energia geotérmica em larga escala, o que explica por que boa parte do potencial geotérmico do continente africano está concentrado ao longo dessa faixa de vale do rift no leste da África.
QUESTÃO PRÁTICA
Por que o Quênia consegue gerar mais de 40% de sua eletricidade a partir da energia geotérmica?
6. Energia Maremotriz
Fonte: organizado pelo autor.
A energia maremotriz é obtida pelo movimento das marés e ondas do mar, utilizando o fluxo natural da água para gerar energia.
Como Funciona? em geral, existem duas abordagens principais. A primeira, mais antiga, funciona como uma barragem construída num estuário: a água entra e sai com a maré, passando por turbinas instaladas na própria estrutura, de forma parecida com uma usina hidrelétrica. A segunda, mais recente, usa turbinas submersas soltas no fundo do mar, parecidas com turbinas eólicas debaixo d'água, que giram com a força das correntes de maré, sem precisar de uma barragem inteira.
Exemplo Prático: a Usina Maremotriz de La Rance, na região da Bretanha, na França, foi inaugurada em 1966 e foi a primeira usina desse tipo no mundo. Com 240 MW de potência instalada e 24 turbinas na barragem, ela ainda produz eletricidade suficiente para abastecer cerca de 250 mil residências. Já na Escócia, o projeto MeyGen, que usa o modelo de turbinas submersas soltas no fundo do mar, tem potencial de até 400 MW e deve fornecer energia a cerca de 175 mil residências quando estiver totalmente concluído, sendo um dos maiores projetos de energia das correntes de maré do mundo.
Vantagens: fonte previsível devido aos ciclos regulares das marés, ao contrário do vento e do sol, que variam de forma menos previsível.
Desafios: tecnologia ainda cara e pouco difundida em escala comercial, poucos locais no mundo com amplitude de maré suficiente para viabilizar grandes projetos, e possível impacto sobre a fauna marinha e a circulação de sedimentos nos estuários. Por causa dessas exigências geográficas tão específicas, a energia maremotriz ainda é, entre todas as fontes estudadas nesta aula, a que responde pela menor fatia da matriz elétrica mundial, mesmo décadas depois da inauguração de La Rance.
QUESTÃO PRÁTICA
Por que a energia maremotriz é considerada mais previsível do que a energia eólica ou solar?
7. Eletricidade Verde e Integração das Fontes
O conceito de eletricidade verde integra diferentes fontes renováveis em redes inteligentes, otimizando sua utilização de forma sustentável.
Exemplo Prático: sistemas avançados de armazenamento, como baterias, permitem o uso da energia solar captada durante o dia para abastecer a demanda à noite. Em 2025, a Aneel autorizou o primeiro sistema de baterias desse tipo instalado junto a uma usina solar no Brasil, na UFV Sol de Brotas 7, em Uibaí (BA): 1.250 kW de potência e 5.016 kWh de capacidade de armazenamento, integrados a um arranjo híbrido que também reúne os complexos eólicos vizinhos Ventos de Santa Eugênia e Morro do Cruzeiro. Projetos como esse mostram, na prática, como sol, vento e armazenamento podem compartilhar o mesmo ponto de conexão à rede elétrica.
Benefícios: a integração melhora a eficiência e torna o fornecimento de energia mais confiável, reduzindo a dependência de fontes fósseis.
O limite das baterias: a eletromobilidade, isto é, a substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis por carros elétricos, costuma ser apresentada como uma solução limpa para o transporte. Porém, essa transição também tem um custo ambiental pouco discutido: a bateria de um único veículo elétrico pode conter até 300 kg de minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel, manganês e grafite, além de terras-raras usadas nos ímãs dos motores elétricos, contra cerca de 50 kg de minerais presentes em um carro a combustão comum. Assim como o petróleo, esses metais são recursos minerais não renováveis, cuja extração provoca impactos ambientais e sociais significativos nos países produtores. Trocar a dependência do petróleo pela dependência desses metais não elimina o problema de fundo, apenas desloca a pressão sobre os recursos naturais para outra cadeia produtiva, o que mostra que nenhuma tecnologia é automaticamente sustentável só por não emitir poluentes durante o uso.
QUESTÃO ABERTA
Um exercício para reforçar alguns conceitos.
Em qual rio fica a Usina de Belo Monte, no Pará?
Escreva o nome da extensa fenda no terreno da África Oriental, formada pelo afastamento de placas tectônicas, que explica o alto potencial geotérmico do Quênia.
Não existe pergunta boba, existe pergunta que não foi feita!
P: Se a energia geotérmica é praticamente inesgotável e livre de carbono, por que ela não é usada em todo o mundo?
R: Porque ela depende de condições geológicas específicas, calor suficientemente próximo da superfície para ser captado, o que só ocorre em regiões vulcânicas ou de intensa atividade tectônica, como a Islândia ou o Quênia. Na maior parte do planeta, seria preciso perfurar quilômetros de rocha para alcançar esse calor, o que torna a exploração cara e tecnicamente difícil. Por isso, apesar do potencial, a energia geotérmica ainda atende a uma parcela muito pequena da demanda energética mundial.
P: Carros elétricos não resolvem o problema da poluição, já que não emitem gases durante o uso?
R: Não completamente. As baterias desses veículos dependem de metais como lítio, cobalto e terras-raras, recursos minerais não renováveis cuja extração também causa impactos ambientais e sociais significativos nos países produtores. Além disso, se a eletricidade usada para carregar o carro vier de uma usina termelétrica a carvão, por exemplo, parte da poluição simplesmente se desloca da rua para a usina. A eletromobilidade só é plenamente limpa quando combinada com uma matriz elétrica também renovável.
P: Por que a energia eólica e a solar não substituem sozinhas os combustíveis fósseis, se são tão limpas?
R: Porque são fontes intermitentes: o vento nem sempre sopra e o sol não brilha à noite. Ao contrário da energia geotérmica, que é uma fonte de base (baseload) com fornecimento constante, eólica e solar precisam de sistemas de armazenamento (como baterias) ou de outras fontes complementares para garantir energia o tempo todo. É por isso que a "eletricidade verde" busca justamente integrar várias fontes renováveis diferentes em uma mesma rede.
P: Se a energia hidráulica é renovável e responde por mais da metade da eletricidade do Brasil, por que ela também é criticada por ambientalistas?
R: Porque "renovável" não é sinônimo de "sem impacto". Grandes usinas como Belo Monte alagam extensas áreas ou alteram o curso natural dos rios, deslocando populações inteiras e prejudicando a pesca e o modo de vida de comunidades indígenas e ribeirinhas ao longo do trecho afetado. Além disso, a forte dependência da chuva torna o sistema elétrico brasileiro vulnerável em anos de seca severa. Por isso, o debate sobre energia hidráulica não é só técnico: envolve também escolhas sobre quem paga o custo social e ambiental de cada usina.
Questões para responder no caderno:
1. O que é biomassa, quais são suas principais formas de aproveitamento e vantagens?
2. Como funciona a geração de energia eólica e quais são seus principais desafios?
3. Dê um exemplo prático do uso da energia eólica no Brasil e explique por que essa região é ideal para essa fonte de energia.
4. Explique como a energia solar é aproveitada por meio de painéis fotovoltaicos e sistemas solares térmicos.
5. Qual é a diferença entre uma usina hidrelétrica com reservatório e uma usina a fio d'água? Cite um exemplo de cada tipo.
6. O que é energia geotérmica e quais são seus principais benefícios e limitações?
7. Como a energia maremotriz é gerada e quais são os desafios associados a essa fonte de energia?
8. O que é eletricidade verde e como a integração de fontes renováveis está sendo otimizada atualmente?
9. Quais são os impactos ambientais e sociais associados às baterias de veículos elétricos?
10. Qual é o impacto das fontes renováveis na diversificação da matriz energética do Brasil? Cite exemplos.
O que mudou no seu olhar
Releia o que você anotou no início sobre as fontes renováveis que já conhecia. Agora você sabe que cada uma delas, biomassa, eólica, solar, geotérmica ou maremotriz, tem condições próprias de aproveitamento: vento regular, radiação solar, atividade vulcânica, ciclos de maré. Nenhuma é uma solução universal sozinha.
Você também viu que "limpo" não é sinônimo de "sem custo ambiental": mesmo a energia hidráulica, disparada a maior fonte renovável do Brasil, tem impactos sociais e ambientais em usinas como Belo Monte, e a eletromobilidade, apresentada como solução para o transporte, depende de minerais críticos não renováveis cuja extração tem impactos próprios. Por isso a transição energética depende de integrar várias fontes dentro de uma matriz energética diversificada, e não de trocar um problema por outro.
Resumo dos conceitos: matriz energética; biomassa, biogás e RenovaBio; energia eólica e aerogeradores; energia solar (fotovoltaica, térmica e geração distribuída); energia hidráulica (reservatório e usina a fio d'água); energia geotérmica e fonte de base; Vale do Rift; energia maremotriz; eletricidade verde; minerais críticos.
Na próxima aula, vamos mudar de escala: em vez de olhar para as fontes de energia que movem a economia, vamos olhar para baixo, para o solo que pisamos, entendendo como ele se forma e por que processos como a laterização, a lixiviação, a salinização e a desertificação podem degradar ou conservar essa camada tão importante para a agricultura e para a vida na Terra.
Ficha de Conceitos
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Antes de finalizar, vamos revisar o que aprendemos!