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Conteúdo:

Objetivo: Identificar as mudanças climáticas globais e entender os processos que as causam. Destacar as possíveis consequências dessas mudanças para a vida humana e de outros seres vivos do planeta.


Agora é com você!

Você provavelmente já ouviu falar em "efeito estufa" e "aquecimento global" como se fossem sinônimos, ou já ouviu alguém culpar o "buraco na camada de ozônio" pelo calor mais intenso.

Anote em seu caderno: na sua opinião, o efeito estufa é algo bom ou ruim para o planeta? Guarde sua resposta, vamos retomá-la ao final da aula.


Introdução

Na última aula aprendemos como o clima se forma e quais fatores influenciam suas variações na Terra. Agora, vamos avançar para entender como essas mudanças vêm afetando o planeta e o nosso dia a dia.

Nesta aula, estudaremos os principais fenômenos relacionados às mudanças climáticas globais, como o efeito estufa e o aquecimento global, e refletiremos sobre suas causas e consequências para a vida na Terra.


O Efeito Estufa

Radiação solar retida pelos gases do efeito estufa

Fonte: organizado pelo autor.

Antes de começarmos a aula, imagine só: se a Terra não tivesse atmosfera, o planeta seria congelado, com temperaturas médias de aproximadamente -18 °C.

A atmosfera é uma cobertura invisível que protege e aquece a Terra.

Graças a um fenômeno natural chamado efeito estufa, parte do calor proveniente do Sol fica retida na atmosfera, mantendo a Terra em torno de +15 °C, temperatura ideal para a existência da vida.

Esse processo foi descrito pela primeira vez em 1827 pelo cientista francês Jean Baptiste Fourier, que comparou a atmosfera a uma estufa de vidro. Mais tarde, em 1860, o físico John Tyndall demonstrou que gases como o dióxido de carbono (CO₂) e o vapor d'água têm a capacidade de reter calor. Ele também observou que mudanças na quantidade desses gases poderiam alterar o clima do planeta. Em 1896, o químico sueco Svante Arrhenius foi além: calculou, à mão, que dobrar a concentração de CO₂ na atmosfera elevaria a temperatura média global em vários graus Celsius, uma estimativa surpreendentemente próxima dos valores que os supercomputadores climáticos confirmam até hoje.

Como o efeito estufa funciona?

A radiação solar aquece a superfície da Terra, que devolve parte desse calor em forma de radiação infravermelha. Alguns gases presentes na atmosfera absorvem parte dessa energia e a reemitem, impedindo que todo o calor escape para o espaço. Esse processo mantém o planeta aquecido.

💡 Principais Gases do Efeito Estufa

Principais gases do efeito estufa: dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, vapor d'água e gases industriais (HFC, PFC, SF6)

O efeito estufa, portanto, é um fenômeno natural e essencial. Sem ele, o planeta seria frio e inóspito. O problema surge quando há um aumento excessivo desses gases na atmosfera, o que intensifica o aquecimento do planeta e gera o fenômeno conhecido como aquecimento global.

Uma forma de dimensionar a importância desse equilíbrio é comparar a Terra com seus vizinhos no Sistema Solar. Vênus tem uma atmosfera extremamente densa, composta quase inteiramente de dióxido de carbono, e sofre um efeito estufa descontrolado que eleva sua temperatura superficial a mais de 460°C, calor suficiente para derreter chumbo. Marte, por outro lado, tem uma atmosfera tão rarefeita que quase não retém calor algum, e por isso sua temperatura média fica em torno de -60°C. A Terra está no meio-termo exato que permite a existência de água líquida e de vida como a conhecemos, e é justamente esse equilíbrio delicado que o aumento artificial dos gases de efeito estufa ameaça romper.


QUESTÃO PRÁTICA

O efeito estufa é natural e essencial, mas também é apontado como um problema. Por quê?

O Aquecimento Global

Efeito estufa natural comparado ao efeito estufa intensificado pelo homem

Fonte: organizado pelo autor.

O aquecimento global é causado pelo excesso de gases liberados pelas atividades humanas, que se acumulam na atmosfera e intensificam o efeito estufa natural.

Esse processo intensificou-se a partir da Revolução Industrial, com a queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural, e com o desmatamento, que libera dióxido de carbono (CO₂) e reduz a absorção desse gás pelas florestas.

Desde o século XIX: a concentração de CO₂ na atmosfera saiu de cerca de 280 ppm para mais de 425 ppm atualmente, um recorde histórico medido continuamente no Observatório de Mauna Loa, no Havaí, desde 1958. O metano (CH₄) e o óxido nitroso (N₂O) também apresentaram crescimento significativo.

Nem todo gás do efeito estufa contribui da mesma forma para o aquecimento do planeta. O metano, emitido principalmente pela pecuária, por aterros sanitários e pela extração de petróleo e gás, retém cerca de 80 vezes mais calor que o CO₂ ao longo de um período de 20 anos. Por outro lado, ele se decompõe na atmosfera em cerca de 12 anos, enquanto uma parte do CO₂ emitido hoje ainda estará presente daqui a séculos. É por isso que reduzir as emissões de metano é visto por muitos cientistas como uma forma rápida de "ganhar tempo" no combate ao aquecimento, enquanto a redução do CO₂ segue sendo a peça central para conter o aquecimento no longo prazo.

O acompanhamento de todos esses gases e de seus efeitos é organizado, em escala mundial, pelo IPCC, sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Criado em 1988 pela ONU, o IPCC não realiza pesquisas próprias: ele reúne milhares de cientistas de diferentes países para revisar tudo o que já foi publicado sobre o clima e produzir relatórios de consenso, usados como base científica por governos do mundo todo. O relatório mais recente, o Sexto Relatório de Avaliação (AR6), foi publicado entre 2021 e 2023 e reafirmou que o aquecimento observado desde meados do século XX é, de forma inequívoca, causado pela ação humana.

Consequências do aquecimento global

Infográfico das consequências do aquecimento global: elevação da temperatura média, derretimento de geleiras e aumento do nível dos oceanos, mudanças no regime de chuvas, secas e ondas de calor mais intensas, risco de extinção de espécies

Fonte: organizado pelo autor.

Por muito tempo, cientistas evitavam ligar um evento climático específico, como uma onda de calor ou uma enchente, diretamente ao aquecimento global, preferindo falar apenas em tendências de longo prazo. Isso mudou com o desenvolvimento da chamada ciência da atribuição, que usa modelos climáticos para calcular o quanto as mudanças climáticas aumentaram a probabilidade ou a força de um evento extremo específico, logo depois de ele acontecer. Estudos da rede internacional World Weather Attribution mostram, por exemplo, que chuvas extremamente intensas, do tipo que ocorria uma vez a cada dez anos no período pré-industrial, hoje se tornaram até 30% mais frequentes com apenas 1°C de aquecimento adicional.

O caso da Antártida: plataformas de gelo e "greening"

A Antártida concentra cerca de 70% da água doce do planeta, armazenada em sua espessa camada de gelo. Boa parte da costa do continente é margeada por plataformas de gelo (ice shelves), enormes línguas de gelo flutuante que permanecem ligadas ao continente. Como essas plataformas já flutuam na água, seu derretimento, isoladamente, não eleva o nível do mar (pelo princípio de Arquimedes, o gelo flutuante já desloca um volume de água equivalente ao seu próprio peso). O papel real das plataformas é outro, igualmente importante: elas funcionam como uma espécie de barreira que freia as geleiras continentais. Quando uma plataforma se rompe ou desaparece, as geleiras que ela continha aceleram seu deslocamento em direção ao oceano, e é esse gelo adicional, antes apoiado em terra firme, que efetivamente eleva o nível do mar.

O aumento da temperatura do ar e a redução da cobertura de gelo também têm permitido um fenômeno inédito em escala geológica: o esverdeamento (greening) de partes da Península Antártica. Em regiões como o arquipélago das Ilhas Shetlands do Sul, a área coberta por musgos e outras plantas pioneiras cresceu de forma acelerada nas últimas décadas, à medida que o recuo do gelo abre espaço para a colonização vegetal. Esse avanço da vegetação em um dos ambientes mais frios do planeta é um indicador direto de como o aquecimento já está alterando ecossistemas inteiros, mesmo naquelas regiões consideradas mais isoladas da ação humana direta.

O degelo não é exclusividade dos polos. Nos Andes tropicais, que cruzam países como Peru, Bolívia, Equador e Colômbia, geleiras de montanha vêm recuando de forma acelerada nas últimas décadas. Diferente do gelo antártico, essas geleiras funcionam como reservatórios naturais: elas armazenam água no período de chuvas e a liberam lentamente durante a estação seca, abastecendo rios que sustentam a agricultura e o consumo humano de milhões de pessoas, entre eles afluentes que alimentam a bacia amazônica. Com o recuo das geleiras, esse fornecimento de água se torna cada vez mais irregular, ameaçando a segurança hídrica de cidades inteiras nos Andes.

O derretimento de gelo apoiado em terra, seja nos polos, seja em cadeias de montanhas, soma-se a outro efeito do aquecimento: a expansão térmica da própria água do oceano, que ocupa mais espaço conforme esquenta. Juntos, esses processos já elevaram o nível médio dos oceanos em cerca de 20 cm desde 1900, e o ritmo da subida vem acelerando nas últimas décadas. Cidades costeiras brasileiras como Recife, Santos e partes do Rio de Janeiro, construídas em áreas baixas e próximas ao mar, estão entre as mais vulneráveis do país a esse avanço, que já provoca erosão de praias e maior frequência de ressacas em bairros litorâneos.

Embora o clima da Terra tenha mudado naturalmente ao longo da história, a velocidade atual dessas transformações é muito superior ao que se observava em períodos anteriores. De acordo com o IPCC e com a Organização Meteorológica Mundial, a temperatura média global já subiu mais de 1,3 °C em relação à era pré-industrial, e 2024 foi o primeiro ano da história a ultrapassar 1,5 °C acima desse período de referência. Os últimos onze anos, de 2015 a 2025, formam o período mais quente já registrado desde que existem medições confiáveis.

Importante: os 1,5 °C já registrados em 2024 foram um pico de um único ano, não a média de longo prazo que preocupa os cientistas. Se não houver redução na emissão desses gases, a média global das próximas décadas poderá ficar de forma permanente entre 1,5 °C e 2 °C acima da era pré-industrial até o final do século, provocando alterações irreversíveis no clima e nos biomas terrestres.

Uma preocupação adicional dos cientistas é que algumas partes do planeta podem cruzar pontos de inflexão: limiares a partir dos quais uma mudança se torna abrupta, autoalimentada e praticamente impossível de reverter, mesmo que o aquecimento estacione depois. Segundo o Global Tipping Points Report de 2025, o primeiro desses limiares já foi cruzado: o aquecimento dos oceanos ultrapassou o ponto a partir do qual a morte de recifes de coral de água morna, como os que sustentam boa parte da vida marinha em Abrolhos, se tornou praticamente inevitável em grande escala. Outros pontos de inflexão estudados incluem o colapso da Floresta Amazônica em savana, entre 1,5°C e 2°C de aquecimento combinados com o desmatamento, e a desaceleração da Circulação Meridional do Atlântico, sistema de correntes marítimas que inclui a Corrente do Golfo e que já opera no ritmo mais lento dos últimos 1.600 anos, o que preocupa cientistas do clima em todo o mundo.

Para tentar conter esse cenário, quase 200 países assinaram, em 2015, o Acordo de Paris, comprometendo-se a manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C, buscando esforços para limitá-lo a 1,5°C. Para isso, cada país apresenta metas próprias de redução de emissões, e muitos assumiram o compromisso de alcançar a chamada neutralidade de carbono, ou "emissões líquidas zero", por volta de 2050, quando a quantidade de gases emitida seria compensada pela quantidade removida da atmosfera, por exemplo, através do plantio de florestas.

O oceano tem um papel importante nesse processo: ele absorve cerca de metade de todo o CO₂ emitido pelas atividades humanas desde a Revolução Industrial. Isso ajuda a conter o aquecimento do ar, mas tem um custo. Ao se dissolver na água do mar, o CO₂ forma ácido carbônico, reduzindo o pH dos oceanos, processo conhecido como acidificação dos oceanos. Desde o século XIX, o pH médio da superfície oceânica caiu de cerca de 8,16 para 8,07, uma variação pequena em números absolutos, mas que representa um aumento de cerca de 26% na concentração de íons de hidrogênio responsáveis pela acidez. Águas mais ácidas dificultam a formação do esqueleto de carbonato de cálcio de corais e moluscos, o que ajuda a explicar por que recifes como os de Abrolhos ficam mais vulneráveis ao calor: eles enfrentam, ao mesmo tempo, o estresse térmico do branqueamento e a dificuldade química de reconstruir seu próprio esqueleto.

No Brasil, os efeitos do aquecimento global já são visíveis em diferentes biomas. O Pantanal registrou, em 2020, os piores incêndios de sua história, favorecidos por uma seca prolongada associada ao aumento das temperaturas médias. Os recifes de corais de Abrolhos, na Bahia, também vêm sofrendo episódios de branqueamento, processo em que o estresse térmico faz os corais expelirem as algas que lhes dão cor e nutrientes, podendo levar à morte da colônia se o calor persistir. Esses exemplos mostram que o aquecimento global já reconfigura paisagens e ecossistemas brasileiros, bem longe de ser uma ameaça distante.

Agora que compreendemos o funcionamento do efeito estufa e as causas do aquecimento global, o próximo passo é estudar outro elemento essencial da atmosfera: a camada de ozônio.


Camada de Ozônio

Camada de ozônio filtrando a radiação ultravioleta

Fonte: organizado pelo autor.

No alto da atmosfera existe uma camada muito especial chamada camada de ozônio, formada por moléculas de ozônio (O₃). Sua principal função é proteger a vida na Terra, filtrando a radiação ultravioleta emitida pelo Sol. Sem essa proteção, haveria aumento de queimaduras, câncer de pele, catarata, envelhecimento precoce e danos à vegetação, que teria a fotossíntese reduzida.

Esse risco já é bem concreto no Brasil, um país tropical com forte incidência solar: segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele é o tipo mais comum entre os brasileiros, respondendo por cerca de um terço de todos os diagnósticos de câncer no país, e aproximadamente 65% dos casos estão associados à exposição à radiação ultravioleta. É por isso que médicos recomendam evitar a exposição solar direta entre 10h e 16h e usar protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados, já que os raios UV atravessam as nuvens.

Contudo, essa camada tem sofrido agressões. As substâncias que mais a destroem são os CFCs, presentes em antigos sistemas de refrigeração e sprays. Ao chegarem à estratosfera, liberam cloro, que reage com o ozônio, um único átomo de cloro pode destruir até 100 mil moléculas de ozônio.

Outras substâncias também prejudicam a camada, como os halons (extintores), o tetracloreto de carbono (solventes), o metil clorofórmio (usado em anestésicos) e os óxidos de nitrogênio (indústria química).

Desde a década de 1960, cientistas vêm observando a redução gradual do ozônio atmosférico. O chamado "buraco na camada de ozônio" aparece com mais intensidade sobre a Antártida, onde o frio extremo e reações químicas aumentam a destruição do ozônio. Felizmente, em boa parte do Brasil, essa camada ainda se mantém preservada em cerca de 95%.

A confirmação científica do problema aconteceu em maio de 1985, quando os pesquisadores Joseph Farman, Brian Gardiner e Jonathan Shanklin, do British Antarctic Survey, publicaram na revista Nature dados que mostravam uma queda de 40% na concentração de ozônio sobre a Antártida entre 1975 e 1984. A publicação causou grande impacto internacional e, associada a estudos que já apontavam os CFCs como principais responsáveis, acelerou as negociações diplomáticas que resultariam, dois anos depois, no Protocolo de Montreal.

Apesar da gravidade do problema, a camada de ozônio é hoje um dos raros casos de sucesso ambiental em escala global. Em 1987, os países assinaram o Protocolo de Montreal, banindo progressivamente a produção de CFCs e de outras substâncias destruidoras de ozônio. Passadas quase quatro décadas, o buraco sobre a Antártida vem encolhendo de forma consistente, e cientistas da NASA e da ONU estimam que a camada deve se recuperar totalmente por volta de 2066. O caso do ozônio costuma ser citado como prova de que a cooperação internacional é capaz de reverter danos ambientais quando existe vontade política e um alvo bem definido.


QUESTÃO PRÁTICA

O que explica a recuperação gradual da camada de ozônio?

El Niño e La Niña

Aquecimento (El Niño) e resfriamento (La Niña) das águas do Pacífico

Fonte: organizado pelo autor.

Além da camada de ozônio, outros fenômenos também influenciam o clima da Terra. Entre os mais conhecidos estão o El Niño e a La Niña, que ocorrem no Oceano Pacífico e afetam o clima de várias partes do mundo.

Como El Niño e La Niña funcionam

Para entender esses dois fenômenos, é preciso lembrar dos ventos alísios, que estudamos na aula anterior. No Pacífico, esses ventos sopram normalmente de leste para oeste, empurrando as águas quentes da superfície em direção à Ásia e à Oceania. Isso faz com que, na costa oeste da América do Sul, a água quente que se afasta seja substituída por água fria que sobe das profundezas, um processo semelhante à ressurgência que vimos na aula passada. Esse movimento constante de ar e água entre os dois lados do Pacífico é chamado de Circulação de Walker.

No El Niño, os ventos alísios enfraquecem, e parte da água quente que normalmente ficaria represada a oeste retorna em direção à América do Sul, aquecendo o Pacífico Tropical oriental. No La Niña, acontece o oposto: os ventos alísios se intensificam, empurrando ainda mais água quente para o oeste e favorecendo uma ressurgência mais forte de água fria na costa sul-americana. É essa alternância na força dos ventos, e não um evento isolado, que redesenha os padrões de chuva em diferentes continentes a cada dois a sete anos, aproximadamente.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Tropical, alterando os ventos e os padrões de chuva. No Brasil, costuma provocar aumento das temperaturas e diminuição das chuvas nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, enquanto o Sul tende a registrar precipitações mais intensas.

Já a La Niña apresenta o fenômeno oposto, o resfriamento anormal das águas do Pacífico Tropical. Nesse período, é comum o aumento das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul enfrenta estiagens e temperaturas mais baixas.

O próprio nome "El Niño" vem da observação de pescadores peruanos e equatorianos, que no século XIX já notavam o aquecimento anormal das águas costeiras surgindo por volta do Natal, e por isso o batizaram de "El Niño", em referência ao Menino Jesus. Normalmente, a costa do Peru é banhada pela fria Corrente de Humboldt, cujas águas ricas em nutrientes sustentam uma das maiores pescarias de anchoveta do mundo. Quando o El Niño chega, a água quente afasta esses nutrientes das camadas superficiais, e a anchoveta desaparece, um fenômeno que já provocou o colapso temporário da indústria pesqueira peruana em diversos episódios ao longo do século XX.

Esses fenômenos impactam diretamente setores como a agricultura e a geração de energia, pois alteram o regime de chuvas e a disponibilidade de água. O aquecimento global pode potencializar seus efeitos, tornando eventos extremos como secas, inundações e ondas de calor mais frequentes.

O El Niño de 2023-2024 foi um dos mais intensos já registrados, contribuindo diretamente para que 2024 se tornasse o ano mais quente da história até então medida pelos institutos climáticos internacionais (recorde superado apenas em termos absolutos, já que 2025 ficou como o terceiro ano mais quente). No Brasil, esse episódio agravou a seca histórica que atingiu a bacia amazônica, reduzindo drasticamente o nível de rios como o Rio Negro e prejudicando o transporte fluvial e o abastecimento de comunidades ribeirinhas. Esse exemplo mostra como um fenômeno originado no Oceano Pacífico pode se somar ao aquecimento global e amplificar impactos em regiões muito distantes de onde ele acontece.


QUESTÃO PRÁTICA

No Sul do Brasil, o que costuma acontecer no El Niño, em comparação com a La Niña?

Os Fenômenos Se Conectam

Vistos separadamente, efeito estufa, aquecimento global, camada de ozônio e El Niño/La Niña podem parecer quatro assuntos independentes. Na prática, eles se cruzam o tempo todo. O efeito estufa intensificado pela ação humana é a causa do aquecimento global, que por sua vez torna episódios de El Niño mais quentes e intensos, como aconteceu em 2023-2024. Já a camada de ozônio, embora tenha uma causa química diferente (os CFCs, e não o CO₂), compartilha com o aquecimento global o mesmo cenário geográfico de maior fragilidade: a Antártida, onde o frio extremo favorece tanto a destruição do ozônio quanto o derretimento acelerado de gelo.

Essa interligação também aparece nas soluções. O sucesso do Protocolo de Montreal, que colocou a camada de ozônio no caminho da recuperação, é hoje citado por cientistas e diplomatas como prova de que acordos internacionais funcionam quando têm metas claras, prazos definidos e cooperação entre países ricos e pobres. É esse mesmo modelo que acordos climáticos mais recentes, como o Acordo de Paris, tentam aplicar ao desafio, bem mais complexo, de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em escala global.

Tudo o que vimos nesta aula acontece em escala planetária, envolvendo oceanos inteiros e a atmosfera como um todo. Mas as mudanças climáticas também aparecem de forma bem mais próxima do nosso dia a dia, dentro das próprias cidades onde moramos. Na próxima aula, vamos estudar as mudanças climáticas locais: ilhas de calor, inversão térmica, chuva ácida, desertificação e desmatamento, fenômenos que, em menor escala, mostram como as mesmas atividades humanas que aquecem o planeta também transformam a paisagem urbana e o ambiente mais imediato ao nosso redor.


QUESTÃO ABERTA

Um exercício para reforçar alguns conceitos.

Em que ano foi assinado o Protocolo de Montreal, o acordo internacional que baniu a produção de CFCs?

Qual rio brasileiro teve seu nível reduzido drasticamente pela seca agravada pelo El Niño de 2023-2024, prejudicando o transporte fluvial na Amazônia?

Não existe pergunta boba, existe pergunta que não foi feita!

P: Se o efeito estufa é natural e necessário, por que ele é sempre citado como um problema ambiental?

R: Porque o problema não é o efeito estufa em si, mas o seu excesso. Sem ele, a Terra seria um planeta congelado, a cerca de -18°C. O que preocupa os cientistas é o aumento artificial da concentração de gases como CO₂ e metano, provocado pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento desde a Revolução Industrial, que intensifica esse fenômeno natural e eleva a temperatura média do planeta além do que os ecossistemas conseguem acompanhar.

P: Se as plataformas de gelo da Antártida já flutuam na água, por que seu derretimento é motivo de preocupação?

R: Porque, isoladamente, o derretimento do gelo que já flutua realmente não eleva o nível do mar, pelo princípio de Arquimedes. O problema é o papel que essas plataformas desempenham: elas funcionam como uma barreira que freia as geleiras continentais atrás delas. Quando uma plataforma se rompe, essas geleiras, que estavam apoiadas em terra firme, aceleram seu deslocamento até o oceano, e é esse gelo adicional que efetivamente eleva o nível do mar.

P: O buraco na camada de ozônio e o aquecimento global são a mesma coisa?

R: Não, são fenômenos diferentes, embora frequentemente confundidos. O aquecimento global é causado pelo acúmulo de gases do efeito estufa (como CO₂ e metano), que retêm calor na atmosfera. Já o buraco na camada de ozônio é causado por substâncias como os CFCs, que destroem as moléculas de ozônio na estratosfera, reduzindo a proteção contra a radiação ultravioleta. São dois problemas ambientais distintos, com causas químicas diferentes, que às vezes coincidem nas mesmas regiões, como a Antártida.

P: Se o CO₂ é o gás mais citado quando se fala em aquecimento global, por que reduzir o metano é considerado uma medida tão urgente?

R: Porque CO₂ e metano agem em ritmos diferentes. O metano retém cerca de 80 vezes mais calor que o CO₂ em um intervalo de 20 anos, mas se decompõe na atmosfera em pouco mais de uma década. O CO₂, por sua vez, retém menos calor por molécula, mas permanece na atmosfera por séculos. Isso significa que cortar emissões de metano, provenientes principalmente da pecuária, de aterros sanitários e da extração de petróleo e gás, produz um efeito de resfriamento relativamente rápido, funcionando como um freio de emergência enquanto o mundo trabalha na tarefa, mais lenta e mais decisiva no longo prazo, de reduzir as emissões de CO₂.


Questões para responder no caderno:

1. O que é o efeito estufa e por que ele é importante para a vida na Terra?

2. Por que o efeito estufa pode se tornar um problema ambiental?

3. Quais são as principais causas do aquecimento global?

4. Quais são as consequências do aquecimento global para o planeta?

5. O que é o fenômeno El Niño e como ele afeta o clima do Brasil?

6. Em que o fenômeno La Niña é diferente do El Niño?

7. De que forma El Niño e La Niña influenciam a agricultura e o abastecimento de água?

8. O que é a camada de ozônio e qual a sua função?

9. Quais substâncias destroem a camada de ozônio e em quais produtos elas aparecem?

10. Como o estudo desses fenômenos, efeito estufa, aquecimento global, El Niño, La Niña e camada de ozônio, ajuda a compreender o futuro do planeta?


O que mudou no seu olhar

Releia o que você anotou no início sobre se o efeito estufa é bom ou ruim. Agora você sabe que ele é, ao mesmo tempo, essencial e potencialmente perigoso: sem ele a Terra seria congelada, mas seu excesso, causado pela ação humana desde a Revolução Industrial, está por trás do aquecimento global.

Você também viu que camada de ozônio, El Niño e La Niña são fenômenos distintos do aquecimento global, cada um com suas próprias causas e consequências, e que todos eles, juntos, moldam o clima que vivemos hoje e o que vamos herdar no futuro.

Resumo dos conceitos: efeito estufa e gases do efeito estufa; metano e potência de aquecimento; aquecimento global; IPCC e Acordo de Paris; plataformas de gelo e greening da Antártida; geleiras andinas; acidificação dos oceanos; camada de ozônio e radiação ultravioleta; CFCs; Circulação de Walker; El Niño e La Niña.


Ficha de Conceitos

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    Antes de finalizar, vamos revisar o que aprendemos!



    Para saber mais:

    Referências Bibliográficas

    📚 Sugestões de Livros



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