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Objetivo: Compreender o processo histórico e geográfico de formação do território brasileiro, do Tratado de Tordesilhas aos ciclos econômicos que moldaram sua ocupação, e identificar como esse processo explica desigualdades territoriais até hoje.
Introdução
O Brasil é um país imenso, praticamente um continente. Ele está no quinto lugar como um dos países mais extensos do Globo. Para se ter uma ideia dessa dimensão de 8.514.876 km², com exceção da Rússia, caberiam todos os países da Europa no território brasileiro.
O Brasil ocupa quase a metade da América do Sul (47%). E a América portuguesa do século XVI possuía "somente" 2,5 milhões de km² aproximadamente, já vamos ver como ocorreu essa expansão com a exploração econômica, missões dos bandeirantes e da colonização portuguesa.

Um projeto de Brasil
Para se chegar a atual configuração do território brasileiro foi preciso inúmeros processos complexos nessas terras tropicais e de grande biodiversidade e do encontro com os habitantes que já viviam aqui: a população indígena.
Vamos focar nos processos geográficos, isto é, ligado ao espaço geográfico, enquanto os professores de História explicarão os processos relacionados ao tempo e as ações dos homens.
Quando Pedro Álvares Cabral pisou em solo brasileiro, parte desse território já era de Portugal. Você deve estar se perguntando: Como assim? Eles ainda não tinham navegado até aqui, como pode ser deles?
Não fisicamente, entretanto mediante os acordos entre as potências da época, Portugal e Espanha, o mundo já tinha dono, ou seja, o poder sobre o espaço mundial já estava muito bem dividido.
Esses dois países da Península Ibérica oficializaram suas negociações em um tratado chamado de Tordesilhas, cidade espanhola onde foi assinado o acordo.
Mas você deve ter outra questão, o que é península mesmo? Península é uma porção de terra quase toda circundada por água, com exceção de uma estreita faixa que a liga ao continente. Também tem um desenho, clique aqui.

Agora já sabemos a localização de Portugal e Espanha que assinaram esse acordo em 1494, antes mesmo dos lusitanos atracarem no atual Estado da Bahia em 22 de abril de 1500.
Esse tratado definia os limites dos territórios descobertos ou a serem descobertos pelas duas potências do período da expansão marítima. Ele dividia o mundo através de um meridiano a 370 léguas a Oeste do arquipélago de Cabo Verde. As terras situadas a Oeste seriam espanholas e as situadas a Leste, portuguesas.

No mapa acima podemos ver o Planisfério de Cantino de 1502 mostrando o meridiano de Tordesilhas. No segundo mapa, a área inicial do território brasileiro bem reduzida em comparação com a atual. Os limites abrangiam desde a ilha de Marajó, ao norte ao litoral catarinense. A região da Amazônia, as terras gaúchas, o Centro-Oeste e outras regiões pertenciam à América espanhola.
QUESTÃO PRÁTICA
Nos séculos XV a XVIII, as metrópoles europeias acumularam capital com a prática de atividades de retirada e comercialização de produtos primários (agrícolas e extrativistas), empreendida nos territórios conquistados. Essa prática estava ligada diretamente ao surgimento do(a):
A terra do pau-brasil
Não demorou muito para os portugueses consolidarem o objetivo para essa nova terra recém encontrada: a exploração de seus recursos naturais e de seu envio para a Europa.
Após a presença física dos portugueses em solo brasileiro, a Coroa portuguesa começou a enviar expedições para conhecer a paisagem da nova terra prometida e definir melhor seus limites.
Entretanto, nas décadas seguintes o território permaneceu quase abandonado. A presença lusa limitava-se a algumas feitorias estabelecidas ao longo do litoral, principalmente em enseadas ou baias. Nelas, os mercadores armazenavam o pau-brasil e outros recursos que extraíam da floresta, com a ajuda dos nativos, mais tarde embarcados para a metrópole. Outros europeus, principalmente franceses, também visitavam o litoral, dedicando-se ao contrabando da valiosa madeira.
O Pau-Brasil foi a primeira matéria-prima a ser comercializada no Brasil, utilizada principalmente no tingimento de tecidos e de pintura, mas não chegou a imprimir modificações substanciais na paisagem. Mesmo sendo abundante nas matas da faixa litorânea, desde a Paraíba até o Rio de Janeiro, essa exploração não contribuiu diretamente para o processo de ocupação europeia do Brasil porque, ocorrendo o esgotamento das reservas em determinada região, a produção era abandonada.

O sentido da ocupação do território brasileiro ao longo dos séculos
A forma de ocupação do território brasileiro herdada desde o período da colonização foi e ainda é centrada em sua fachada litorânea. Esse caráter periférico não é por acaso, mas sim tem estreita relação com as áreas agrícolas e o modo como o território foi organizado para atender os objetivos da Metrópole portuguesa.
Não pensem que os portugueses iriam respeitar o Tratado de Tordesilhas para sempre e ficar confinados nos limites estabelecidos anteriormente. Já foi dito que a ganância humana não tem limites, e foi assim que esse ditado foi confirmado quando começaram as expedições em busca de mais terras e mais produtos para enviar para fora. Tiveram que realizar outros acordos como o Tratado de Madri (1750) e o de Santo Ildefonso em 1777, além de outros, para conter o avanço português em terras espanholas.
Com a ocupação na Ásia apresentando sinais de decadência, e agora uma nova terra descoberta, estava tudo perfeito para que esse episódio se transformasse em uma metáfora de uma nova terra prometida com um futuro a construir e conquistar.
O cenário era animador para a expansão comercial europeia e para o crescimento da economia urbana naquele continente. Quer dizer que a descoberta da América financiou a modernidade na Europa? É uma boa questão para pensarmos um pouco.
O capitalismo estava surgindo e o feudalismo tinha se esgotado como modo de produção centrado na agricultura. A moda era a troca de produtos para aumentar o comércio. A Revolução Industrial estava literalmente no forno e se concretizaria no século XVIII.
Com o crescimento das cidades, um dos principais motivos para essa expansão além-mar era a busca por novos produtos como ouro, prata, açúcar, tabaco, dentre outros. Era preciso enriquecer a metrópole. Mas havia um problema: a população era esparsa, concentrada em pequenos povoados. O jeito foi organizar uma produção com um produto antes restrito a pequenas plantações na Europa, mas que agora, com solos férteis, seria possível produzir em grande quantidade: apresento-lhes o açúcar. E mais tarde o diamante, o algodão, o café e por aí vai.
Por isso que a distribuição da população ficou concentrada no litoral, pois lá havia os portos e a navegação de cabotagem, aquela realizada próxima à costa para outras cidades litorâneas, como de São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, para Salvador, na Bahia, ou de Santos para outras localidades no Rio de Janeiro. Havia portos também no Nordeste, voltados à exportação para Portugal e não ao abastecimento da população interna. Qualquer semelhança com o século XX não é mera coincidência.
Essa engrenagem, exportar matéria-prima para a metrópole e importar dela os produtos manufaturados, é o mesmo princípio que mais tarde os geógrafos chamariam de Divisão Internacional do Trabalho: uma economia mundial dividida entre quem vende produto bruto barato e quem vende produto industrializado caro. O Brasil colonial nasceu exatamente do lado de baixo dessa balança, e essa posição levou décadas para começar a mudar.
Historiadores e geógrafos descrevem o Brasil colonial com uma expressão precisa: um arquipélago econômico. Cada núcleo de produção, a zona do açúcar, a área da mineração, a faixa da pecuária, funcionava como uma ilha ligada por um cabo direto a Portugal, mas sem pontes entre si. Não existiam estradas relevantes ligando essas ilhas produtivas, nem interesse da Coroa em criar um mercado interno integrado: o objetivo era escoar riqueza para fora, não fazer as regiões conversarem entre elas. Essa fragmentação territorial explica, em parte, por que o Brasil de hoje ainda enfrenta tanta desigualdade entre suas regiões.
Quem comandava tudo isso? Infelizmente não eram os povos originários do Brasil, ou seja, os indígenas.
Não confunda as coisas!
"O que o movimento indígena reivindica é que esse termo [índio], que é colonizador, que reproduz um pejorativo que remete à ideia eurocêntrica de que somos atrasados, de que somos todos iguais, no sentido de que as diferenças linguísticas e culturais são desconsideradas, seja substituído por como nos autodenominamos". Fonte: Índio... (2022).
Tratava-se de uma minoria, isto é, uma elite formada a partir de concessões de terras. Eles se tornavam proprietários de terras desde que foi implantado o sistema de capitanias hereditárias. O reino de Portugal, de forma violenta, para dizer o mínimo, contra os indígenas, loteou o território brasileiro, o repartiu de forma linear entre 30 e 100 léguas e o repassou aos donatários portugueses que puderam, dentre outras coisas, nomear autoridades administrativas e juízes nos seus territórios, receber impostos e muito mais. (Confira nas aulas de História com mais detalhes). No mapa abaixo é possível ter uma ideia de como eram as capitanias hereditárias.

O problema era que as capitanias eram extensas demais para gerenciar. A partir disso e seguindo a mesma lógica, os portugueses começaram a instituir o sistema de sesmarias, que era basicamente a doação de terras para quem quisesse produzir, com o objetivo de não deixar as terras sem cultivo.
Depois de enviar algumas expedições e fundar as primeiras cidades como a vila de São Vicente em 1532, o terreno estava pronto para a produção da cana-de-açúcar e do início do povoamento.
O povoamento no século XVI
As capitanias hereditárias foram realmente os primeiros latifúndios do Brasil, o que demonstra, desde o início da colonização, a realidade desigual da distribuição de terras brasileiras, que perdura até os dias atuais.
Com o sistema de capitanias, a exploração econômica do Brasil tornou-se mais intensa. Além da extração e comercialização do pau-brasil, multiplicaram-se os canaviais, já que o açúcar podia ser comercializado na Europa com boa margem de lucro. O cultivo desenvolveu-se de acordo com o sistema de plantation (grandes propriedades monocultoras de produtos destinados à exportação) e dos engenhos que produziam o açúcar. (O livro Menino de Engenho de José Lins do Rego é muito bom, vale a pena a leitura).
Inicialmente, o cultivo da cana-de-açúcar chegou a São Vicente, na baixada santista, porém a atividade não prosperou devido aos solos rasos e pouco férteis da faixa litorânea paulista e aos elevados custos do frete, pois os portos eram mais distantes da Europa.
Em seguida o cultivo da cana-de-açúcar se deslocou para o Nordeste em virtude das condições naturais favoráveis como o solo fértil e o clima quente e úmido, com chuvas abundantes distribuídas ao longo do ano. Veja o mapa abaixo:

As grandes lavouras ocuparam a área de Mata Atlântica, conhecida como Zona da Mata. Nesse período, paralelamente, foi utilizada a mão de obra indígena nos canaviais de forma complementar ao trabalho escravo realizado pelos africanos, que se tornaria um lucrativo comércio dominante nas colônias. Para viabilizar esse tráfico de escravos, os portugueses estabeleceram possessões na África de onde traziam essas pessoas para serem vendidas no Brasil, geralmente em condições desumanas no transporte, que duravam meses.
Nem todos os escravizados aceitaram essa condição. Ao longo de todo o período colonial, milhares fugiram dos engenhos e formaram quilombos, comunidades autônomas escondidas em áreas de difícil acesso. O maior e mais duradouro deles foi o Quilombo dos Palmares, formado ainda no início do século XVII na serra da Barriga, em terras que hoje pertencem a Alagoas. Chegou a reunir milhares de pessoas e resistiu a sucessivas expedições militares portuguesas por quase um século, até ser destruído em 1694. Seu último grande líder, Zumbi, foi morto em 1695, mas se tornou um símbolo da resistência negra tão forte que sua data de morte, 20 de novembro, é hoje o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Os quilombos deixaram uma marca territorial que persiste: o Censo 2022 do IBGE estimou mais de 5 mil comunidades quilombolas espalhadas pelo país, reunindo cerca de 1,3 milhão de pessoas, muitas ainda lutando pelo reconhecimento e titulação de suas terras.
Com toda essa exploração da mão de obra foi possível fundar mais cidades. Além de São Vicente, os primeiros núcleos urbanos surgiram em Olinda (1537), Salvador (1549), Vitória (1551) e Rio de Janeiro (1565).
O fracasso do cultivo da cana-de-açúcar em São Vicente gerou o povoamento das áreas do planalto paulista, onde foram fundadas vilas como Santo André da Borda do Campo (1553) e São Paulo de Piratininga (1554). Dessa área partiram expedições, as bandeiras, que utilizavam os rios como pontos de referência e locomoção.
Nas proximidades de São Paulo, o rio Tietê e seus afluentes foram vias naturais de acesso ao interior do continente. Nas vilas do planalto, as principais atividades econômicas foram a agricultura de subsistência e o apresamento de indígenas, vendidos como escravos.
O povoamento no século XVII
É claro que outros povos não ficaram só olhando a exploração de Portugal em sua nova terra. Holandeses também dominaram o Nordeste no século XVII a partir dos engenhos de açúcar e na criação de gado. Aliás, os rebanhos foram responsáveis pelo avanço ao sertão do território, quer dizer, para o interior. No rio São Francisco a criação era tão intensa que o apelido do rio era "rio dos currais".

Com o mapa podemos fazer comparações e verificar a expansão da ocupação do território ao longo do tempo. No sertão nordestino, no vale do São Francisco, na zona da mata e em todo o litoral, a cana-de-açúcar incentivava o povoamento, que não era muito concentrado pois a pecuária era extensiva, ou seja, utilizava pouca mão de obra.
O território ganha forma no XVIII
No século XVIII esse processo de ocupação vai conhecer uma mudança impressionante: as bandeiras, o avanço pelo vale do rio Amazonas e a mineração vão proporcionar um crescimento extraordinário do território brasileiro.
Vimos que o principal objetivo de Portugal era garantir a exploração de sua nova colônia. Para isso tinha missões principais de povoamento através da distribuição de terras, primeiro com as capitanias, depois com as sesmarias, e posse mesmo com o princípio de utis possidetis, ou seja, as terras seriam de quem as ocupasse efetivamente sem precisar de títulos anteriores. Além das missões secundárias de exploração pelo território, com a recompensa de obter metais preciosos como ouro.
Foi então que encontraram esse precioso minério na porção central do Brasil, que corresponde hoje aos Estados de Minas Gerais e Mato Grosso. Isso mudaria e implantaria uma nova organização territorial e administrativa da colônia.
O abastecimento da área de mineração, que recebia milhares de pessoas em busca de enriquecimento, resultou num primeiro ensaio de integração econômica. Cresceram cidades e vilas de uma hora para outra, como Vila Rica (atual Ouro Preto), São João del-Rei, Nossa Senhora do Carmo (Mariana), Vila Boa (atual Goiás), Cuiabá, Cáceres e dezenas de outras.
A mineração tornou-se a mais importante atividade econômica da colônia, o que fez com que a sede de governo fosse transferida de Salvador para o Rio de Janeiro, mais próximo das áreas mineradoras e com um porto pronto para exportar para Portugal.
Muitos caminhos surgiram para interligar o interior aos portos e facilitar a circulação do gado vindo do Sul e do Nordeste e dos manufaturados europeus que abasteciam as vilas do ouro.
Nelas, artistas de origem humilde, reconhecidos por seu talento, impulsionaram o movimento artístico que ficou conhecido como Barroco Mineiro.
Nesse período os acordos entre portugueses e espanhóis continuavam a todo vapor. Como estava ocorrendo uma nova distribuição de terras para quem quisesse explorar, os espanhóis ficaram com a posse definitiva das Filipinas e receberam a Colônia do Sacramento, fundada na atual região do Prata. Em contrapartida, a Coroa portuguesa ficou com a Amazônia e com as terras situadas nas regiões Sul e Centro-Oeste.
Mas com um território desse tamanho, repleto de riquezas, não seria fácil controlar todos os movimentos de independência. O século XIX seria marcado por diversas revoltas e novas frentes pioneiras.
QUESTÃO PRÁTICA
Leia e marque a opção de acordo com o tema: "Desempenhou importante papel na ocupação do interior do Brasil, aproveitando-se o rebrotar das folhas na estação das águas nas caatingas arbustivas mais densas, além dos brejos e dos trechos de matas. Com a exploração das minas de ouro descobertas mais ao sul, foram necessários também carne, couro e outros derivados, além de animais para o transporte".
A busca da independência do território
O século XIX foi um período intenso de redefinição do território brasileiro. Primeiro, o país consolidou suas fronteiras e promoveu sua independência de Portugal (mas ainda temos muitas dependências por aí). Segundo, surgiu outro produto que seria o motor da economia brasileira: o café.
O café chegou ao Brasil vindo do continente africano, inicialmente pela região Norte, e depois foi parar no Rio de Janeiro e se instalou de vez no vale do rio Paraíba, no Estado de São Paulo.
A exploração da cafeicultura, ainda com a escravidão, fez emergir inúmeras cidades paulistas como Araraquara, Limeira, Campinas, São Carlos, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, entre outras, localizadas na Depressão Periférica Paulista e no Planalto Ocidental. Com clima e solo de terra roxa (solo de cor vermelho-escura originado da decomposição dos derrames basálticos ocorridos na região) o café encontrou condições favoráveis para o seu cultivo. Do ponto de vista do equilíbrio ecológico, principalmente em relação à vegetação de Mata Atlântica no interior e de floresta tropical, foi um desastre, uma vez que essas formações vegetais praticamente desapareceram para dar lugar à nova prática agrícola, muito rentável no comércio mundial.
Com a cafeicultura, também as relações de trabalho no Brasil foram alteradas. Enquanto no vale do Paraíba o braço escravo sobreviveu até a década de 1880, em meio à decadência das safras, na região de Campinas e Ribeirão Preto, mais dinâmicas, era utilizada a mão de obra livre e assalariada, incentivada pela imigração: de 1884 a 1903 entraram no país mais de 1.745 mil imigrantes europeus.
A cafeicultura paulista sustentou as finanças do Império e, depois, da chamada República Velha (1889-1930). Em 1929, ocorreu a grande crise gerada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, que acarretou a queda no preço das sacas de café. Nesse período, entretanto, o capital acumulado pela cafeicultura já incentivava a atividade industrial no Brasil, criando uma nova organização do espaço.
Ainda no século XIX, a região Norte conheceu um surto de riqueza associado à exploração de látex na Amazônia. Da seringueira, extraía-se a matéria-prima para o produto da borracha. Essa atividade era desenvolvida por milhares de trabalhadores, em sua maioria migrantes nordestinos, que seguiam os mesmos caminhos dos exploradores das drogas do sertão.
Avançando para Oeste, em busca de novos seringais, eles ocuparam terras bolivianas. Essa invasão acabou definindo os contornos do país com a aquisição do Acre à Bolívia por 2 milhões de libras esterlinas em 1903.
QUESTÃO PRÁTICA
"Uma unidade de produção caracterizada pela presença da grande propriedade (latifúndio), pela monocultura (cana-de-açúcar) e pelo trabalho escravo (inicialmente indígena, posteriormente africano), cuja produção se destinava basicamente ao mercado europeu, do qual ela dependia". O texto se refere ao sistema de:
A ação diplomática nos séculos XIX e XX
Durante o período imperial e o republicano, foram incorporados ao território brasileiro aproximadamente 1 milhão de km². Eram, em geral, áreas ocupadas por brasileiros, que foram anexadas por meio de acordos e tratados.
Nesse período, foi decisiva a atuação de José Maria da Silva Paranhos Júnior, barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores entre 1902 e 1912. Ele ajudou a consolidar nossas fronteiras por meios pacíficos. As principais questões fronteiriças do final do século XIX e início do século XX foram as seguintes:
- Palmas: área disputada pelo Brasil e pela Argentina, situada no extremo Oeste dos Estados de Santa Catarina e Paraná. A disputa foi resolvida por arbitramento internacional em 1895.
- Amapá: área disputada pelo Brasil e pela França (já que a Guiana Francesa até hoje é um Departamento Ultramarino da França), a qual reivindicava terras além do rio Oiapoque, no extremo norte do país. O litígio também foi resolvido por arbitragem internacional em 1900.
- Pirara: área disputada pelo Brasil e pela Guiana (então colônia do Reino Unido) próximo ao lago Pirara, no leste do atual estado de Roraima. Levada ao arbitramento internacional, a pendência foi resolvida em 1904, sendo desfavorável ao Brasil. O território foi dividido, cabendo à Guiana Inglesa a maior parte.
- Acre: área ocupada por seringueiros brasileiros; a área nas vizinhanças do rio Acre gerou um confronto militar e diplomático entre Brasil e Bolívia, na virada do século XIX. Chegaram a ocorrer choques armados entre os seringueiros e as tropas bolivianas. A crise foi superada em 1903 pela assinatura do Tratado de Petrópolis, que levou à compra do Acre.

Com as fronteiras praticamente fechadas no início do século XX, o desafio do Brasil deixou de ser apenas ganhar território e passou a ser outro: integrar de fato esse território gigante, cheio de regiões que cresceram de costas umas para as outras. É exatamente esse processo, como o país tentou (e ainda tenta) costurar suas partes e organizar suas regiões, que vamos estudar na próxima aula, sobre a consolidação do território brasileiro.
Infográfico - Resumo
Fonte: Organizado e revisado pelo autor.
Não existe pergunta boba! A Ciência é feita de perguntas!
P: Qual a diferença entre a maneira da Geografia e História ensinar sobre o Brasil?
R: A Geografia e a História, de maneira geral, possuem objetos e olhares diferentes para a realidade. A História investiga os fatos a partir do tempo, por isso essa ciência não estuda somente o passado, como dizem, mas sim as manifestações humanas ao longo de um período. A Geografia, por outro lado, enxerga o mundo a partir do seu espaço geográfico, um conjunto de objetos ligados entre si que permitem ou não as ações humanas. Por exemplo, para se ter educação temos que construir escolas; para realizarmos um esporte deve haver um ginásio, e assim por diante. O território, outra forma do espaço geográfico, é formado por infraestruturas físicas e imateriais, redes, estradas, empresas, circulação de informações, dinheiro, instituições etc. A ideia da Geografia é a de que a maneira pela qual organizamos o espaço irá repercutir no desenvolvimento da sociedade. O espaço geográfico não é somente uma coisa passiva, ele tem a capacidade de potencializar ou não as ações dos homens. A História vai estudar essas mesmas ações humanas tendo o tempo como parâmetro, e a Geografia, o espaço geográfico como referência.
P: Por que é importante estudar o território brasileiro?
R: O estudo do território brasileiro nos permite diversas possibilidades para entender a realidade. Em primeiro lugar, vivemos em um mundo complexo, em um período globalizado, com diversas conexões entre os lugares que fazem parte do território e o mundo. A maneira pela qual o Brasil organizou seu espaço geográfico ao longo dos séculos e como o Brasil de hoje participa da história mundial requer uma análise muito ampla. Como organizar o país, que possui um território com extrema desigualdade social e territorial, para que todos os brasileiros participem da sociedade? Como o Brasil vai participar dessa globalização, como vai se integrar ao mundo? Além disso, entender se temos equipamentos suficientes nos bairros, como postos de saúde ou espaços de lazer, reforça nossa cidadania para exigirmos nossos direitos. Quando nascemos, só pelo fato de sermos humanos, já é suficiente para adquirirmos diversos direitos, como a vida, o trabalho, a saúde etc. E nada disso está fora do território. Por que alguns bairros possuem melhor infraestrutura e outros estão há décadas sem saneamento básico? Todas essas questões envolvem o território e a política, o território e a cidadania, o território e o meio natural no qual compartilhamos a existência.
P: Por que o Brasil é subdesenvolvido?
R: A Geografia busca responder essas e outras questões a partir de seu objeto de estudo: o espaço geográfico. Isso porque o território interfere, e muito, na vida das pessoas. Um dos argumentos mais utilizados é o de que a colonização deixou marcas profundas em nossa sociedade e em nosso território. Tudo que vimos, a exploração dos indígenas, o papel da escravidão em nosso passado, a mineração, o café etc. E atualmente, a maneira pela qual estamos integrados no mundo como vendedores de produtos primários, como soja, carne, laranja etc., faz com que nosso país tenha índices muito baixos em relação a outros países chamados de desenvolvidos. Mas o futuro de um país passa por decisões políticas, territoriais e técnicas; a combinação dessas esferas pode modificar nossa realidade, o futuro ainda não foi determinado.
QUESTÃO ABERTA
Um exercício para reforçar alguns conceitos.
Em que ano foi assinado o Tratado de Tordesilhas?
Em que ano o Brasil comprou o Acre da Bolívia, por meio do Tratado de Petrópolis?
Questões para serem respondidas no caderno sobre o tema da aula de hoje:
1. Qual foi o papel do Tratado de Tordesilhas na formação do território brasileiro?
2. Explique por que o Brasil colonial era considerado um "arquipélago econômico" e como isso impactou seu desenvolvimento.
3. Como a exploração do pau-brasil influenciou a ocupação do território brasileiro nos primeiros anos da colonização?
4. Qual foi o impacto do modelo de plantation na organização social e econômica do Brasil colonial?
5. De que maneira a busca por riquezas minerais influenciou a ocupação do interior do Brasil?
6. O conceito de Divisão Internacional do Trabalho explica a relação entre colônia e metrópole no período colonial. Esse padrão de exportar matéria-prima e importar produtos manufaturados ainda pode ser observado na economia brasileira atual? Justifique.
7. Compare o sistema de capitanias hereditárias com o sistema de sesmarias. Por que a Coroa portuguesa precisou substituir um pelo outro?
8. A ocupação do território brasileiro historicamente se concentrou no litoral, por causa dos portos e da navegação de cabotagem. Essa concentração litorânea ainda explica a distribuição da população no Brasil de hoje?
9. Explique como o ciclo do café, no século XIX, alterou as relações de trabalho no Brasil e contribuiu para o início da industrialização do país.
10. A incorporação do Acre ao território brasileiro, no início do século XX, resultou de um confronto entre seringueiros brasileiros e o governo boliviano. Relacione esse episódio com o princípio de utis possidetis estudado nesta aula.
Antes de finalizar, vamos fazer as questões!