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Conteúdo:

Objetivo: Compreender o processo de regionalização do território brasileiro e comparar os diferentes critérios usados para dividir o Brasil em regiões: a divisão oficial do IBGE, a regionalização geoeconômica e a regionalização a partir do meio técnico-científico-informacional.


Introdução

Na aula sobre a formação do território brasileiro vimos como o Brasil ganhou os contornos atuais com suas fronteiras, e como o tipo de colonização que tivemos pesou na formação da sociedade e do território.

Nesta aula teremos uma introdução ao processo de regionalizar um espaço, ou seja, dividi-lo em regiões. Veremos que se trata de algo muito mais complexo do que se pensa. Vamos iniciar os estudos sobre três possibilidades de dividir o Brasil e por que isso é muito importante para o planejamento da sociedade.


O Brasil e suas diferenças regionais

Quando aprendemos a observar por nós mesmos a realidade, tudo faz mais sentido. Os livros podem nos ajudar, mas a vontade de compreender por que determinada realidade é do jeito que é, questioná-la, torna-se uma prática fundamental para o ser humano.

O Brasil é imenso e suas regiões são incrivelmente desiguais entre si. Não há nada de mal em ser diferente um do outro, mas no caso do território, ele é um quadro de vida, um chão habitado por uma população. Assim como nenhum indivíduo escolhe o local de nascimento, nasce ao acaso, o território deve tratar a todos igualmente, oferecendo os objetos e infraestruturas adequadas a todos os habitantes, sem exceção. Por isso o território não pode perpetuar diferenças.

O território brasileiro sofreu várias transformações durante os séculos. Veja o mapa abaixo:

ts02f01 Fonte: https://novaescola.org.br. Acesso em: 03 jul. 2022.

Lembra que o território foi considerado um arquipélago econômico? Por conta da sua falta de integração entre as regiões e ainda mais com a colonização de Portugal, que exigia e organizava toda a produção daqui para a Metrópole.

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"O Brasil foi, durante muitos séculos, um grande arquipélago, formado por subespaços, que evoluíram, segundo lógicas próprias, ditadas em grande parte por suas relações com o mundo exterior. Havia, sem dúvida, para cada um desses subespaços, polos dinâmicos internos. Estes, porém, tinham entre si escassa relação, não sendo interdependentes". Milton Santos. A Urbanização brasileira, 1993. Adaptado.

Isso dificultou muito a integração nacional. Até 1930, as atividades econômicas desenvolvidas no Brasil, canavieira, mineradora e cafeeira, borracha, dentre outras, destinaram-se ao mercado externo. Pós-1930, ocorreram tentativas de início do abastecimento do mercado interno, também por influência da conjuntura internacional.

As iniciativas para a construção desse espaço nacional integrado ocorreram com mais força a partir da industrialização, na década de 1930, e se consolidaram a partir da década de 1950. Como exemplo, temos a mudança da capital nacional: a sede político-administrativa do país transferiu-se para o Centro-Oeste, com a criação de Brasília (1960). Esse evento impulsionou a integração dessa região com o restante do Brasil, principalmente após a década de 1970.

Será que esse processo de integração nacional deu conta de igualar as vidas nas regiões brasileiras? Ele já se completou? Vamos ver como ocorreu esse processo no Brasil.

A regionalização ao longo do tempo

A divisão regional do Brasil em cinco regiões é a única possível? Por que não poderíamos ter outra forma de dividir o território? Os objetos naturais como rios, relevo ou hidrografia respeitam os limites estaduais ou municipais?

Regionalizar um espaço parece mesmo ser complicado. Entretanto, tudo começa com um critério.

No início do século XX, por exemplo, especificamente em 1913, o professor de Geografia Delgado de Carvalho propôs uma regionalização para o Brasil oficial baseada em critérios naturais da geografia física. Ele selecionou a vegetação, o clima e a hidrografia como base para a divisão, usando critérios que não mudam muito ao longo do tempo, como a paisagem natural. Observe o mapa para ver como era o Brasil nessa época.

Divisão regional do Brasil em 1913

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Mudou muita coisa comparado ao mapa de hoje? Temos que observar atentamente o mapa para elaborar essa análise. A região Norte, que era chamada de Setentrional, só tinha dois Estados e um território: Amazonas, Pará e o território do Acre, recém comprado da Bolívia. Na região Central só havia dois Estados: Goiás e Mato Grosso. São Paulo fazia parte da região Meridional, outro nome para Sul, com Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Bahia estava na região Oriental junto com Rio de Janeiro (que era a capital do país na época), Minas Gerais e Espírito Santo. Já a região Norte-Oriental era formada pelo Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, praticamente o que é atualmente.

Como o governo queria incentivar o povoamento do interior do país, foi criado na década de 1930 o IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Após muitas reuniões com várias propostas, o IBGE resolveu modificar um pouco a proposta anterior e lançar uma nova versão na década de 1940.

Divisão regional do Brasil em 1945

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Nessa proposta houve muita alteração, por exemplo na criação de diversos territórios federais, como o de Fernando de Noronha, do Amapá, de Rio Branco, do Guaporé, de Ponta Porã e do Iguaçu. A lógica desses territórios era estratégica: eram, em geral, áreas de fronteira internacional, pouco povoadas e de interesse militar direto para a União, que preferia administrá-las sem passar pela autonomia política de um Estado. Mas as mudanças não pararam por aí. Veja você mesmo no mapa:

Divisão regional do Brasil em 1960

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A inauguração da capital Brasília, como já vimos, contribuiu para a integração nacional e marcou essa regionalização em 1960.

Além disso, Guaporé se transformou em Rondônia, Ponta Porã foi incorporado ao Mato Grosso e Iguaçu ao Paraná. Foi criado o Estado da Guanabara, com a capital em Niterói.

A configuração com a qual estamos acostumados começa a ganhar forma. Como o IBGE fazia essa divisão? Ele utilizava as características homogêneas de uma região, por isso era chamada de região homogênea (as características que eram comuns na área): médias estatísticas de dados espaciais como renda, mortalidade, clima ou vegetação, para se tentar criar uma divisão regional mais científica.

Um dos principais problemas dessa regionalização é que ela desconsidera o fato de que os fenômenos naturais e sociais não coincidem com os limites dos Estados. Porém, o objetivo dessa regionalização, que foi se aprimorando ao longo do tempo desde 1940, partiu da necessidade de identificar os diferentes espaços existentes no país, com seus respectivos potenciais de recursos e aspectos socioeconômicos, para promover uma melhor inserção no mercado nacional emergente.

Vejamos o mapa atual do território brasileiro. Você ainda acha que estudar geografia é decorar capitais?

Divisão regional do Brasil a partir da Constituição de 1988

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Após a redemocratização do país e a aprovação da nova Constituição em 1988, o território brasileiro se consolida em suas atuais fronteiras. Para chegar até aqui foi preciso muita discussão e decisões técnicas e políticas. Vejamos algumas delas.

Em primeiro lugar, o território do Acre foi finalmente reconhecido, ou elevado à categoria de Estado. Rio Branco passa a ser Roraima, e ocorre a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, com a transferência da capital de Niterói para a cidade maravilhosa. O Estado do Mato Grosso era enorme, então foi dividido com a criação do Estado do Mato Grosso do Sul, em 1977, algo bem recente para um país. Rondônia também se transformou em Estado, e foi criado o Tocantins, anexado à região Norte. Fernando de Noronha foi anexado ao Estado de Pernambuco. Chegamos a essa configuração, conforme o mapa e a tabela abaixo:

ts02f010 https://www.labgis.uerj.br/noticias/ populacao-estimada-do-pais-chega-a-2133-milhoes-de-habitantes-em-2021. Acesso em: 10 jul. 2022.
Posição Região População % da pop. total
(1) Região Sudeste 89.632.912 42,04%
(2) Região Nordeste 57.667.842 27,09%
(3) Região Sul 30.402.587 14,26%
(4) Região Norte 18.906.962 8,82%
(5) Região Centro-Oeste 16.707.336 7,79%
IBGE. Estimativa Populacional 2021. (PDF). FTP IBGE. ibge.gov.br. Acesso em: 10 jul. 2022.

A primeira observação sobre essa divisão regional (na próxima aula vamos analisar a distribuição da população) do IBGE é a de que ela não é muito rigorosa, pois os limites das regiões coincidem com aqueles dos Estados, o que não é verdadeiro na realidade. Um rio não tem preferência sobre qual Estado atravessa.

A Floresta Amazônica, por exemplo, é muito maior do que o Estado do Amazonas: prolonga-se por outros Estados e inclusive outros países, como Maranhão, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Rondônia, Roraima, e as nações vizinhas Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Vejamos o mapa:

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Outra região que se enquadra nesse exemplo é a do Polígono das Secas, no sertão nordestino. Ela abrange não somente a região Nordeste oficial, mas também o norte de Minas Gerais. O norte do Paraná, igualmente, tem mais relação com São Paulo, tanto pela colonização quanto economicamente, do que com o restante dos Estados do Sul do Brasil. Mato Grosso do Sul também possui essa ligação mais intensa com São Paulo e pertence à região Centro-Oeste.

Outra dificuldade da atual divisão regional é que o território nacional é muito extenso e pouco povoado no seu interior. A realidade do movimento populacional, ou seja, das migrações, dificulta uma regionalização muito ligada aos elementos naturais. Com a expansão das fronteiras agrícolas, quer dizer, o avanço da produção agropecuária sobre o meio natural, com a derrubada de florestas e mudanças nas paisagens naturais, tudo isso é bastante dinâmico. E o IBGE já não possui tanta infraestrutura para acompanhar essas transformações, sendo um órgão mais ligado à coleta das informações do que ao planejamento intenso do território, como já foi.

Agora vamos parar e pensar um pouco sobre tudo isso. Quais as vantagens e desvantagens dessa regionalização do IBGE? O que você acha que vai ocorrer no futuro? Hoje o Brasil tem vinte e seis Estados e mais o Distrito Federal na sua divisão político-administrativa. Novos Estados serão criados? Por quê? Como e quando? Já existem projetos para isso no Congresso? Uma divisão em regiões menores seria mais adequada?

São questões muito importantes para o desenvolvimento da sociedade e do território. Não há como separar um do outro. E as outras formas de regionalização do Brasil? É o que veremos a seguir.


QUESTÃO PRÁTICA

A regionalização do IBGE, consolidada a partir da década de 1940, é criticada por um motivo específico. Qual das alternativas identifica corretamente essa crítica?

Reforce seu conhecimento

Selecione os Estados e relacione com suas capitais:


A regionalização Geoeconômica

Outro critério utilizado para dividir o Brasil em regiões baseia-se na dimensão histórico-econômica do país. O geógrafo Pedro Geiger organizou, na década de 1960, as regiões geoeconômicas e dividiu o país em três áreas extensas: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Não é a divisão oficial, mas considera também a modernização econômica que ocorreu no espaço urbano e no campo, estabelecendo novas formas de vínculo entre os lugares do território brasileiro.

ts02f06 Fonte: Vesentini (2013).

A região Amazônica compreende toda a extensão da floresta Amazônica localizada em território brasileiro. É integrada por todos os Estados da região Norte, além do Mato Grosso (exceto sua porção sul) e do oeste do Maranhão. É uma região que apresenta baixa densidade demográfica e foi a última grande região do país a ser ocupada.

As atividades econômicas desenvolvidas são: a agropecuária, que constitui o setor econômico mais importante, o extrativismo vegetal, a mineração e o setor industrial, com destaque para a zona industrial de Manaus.

A região do Centro-Sul, ou complexo regional do Centro-Sul, abrange quase um terço do território nacional. Compreende os Estados das regiões Sul e Sudeste (exceto o extremo norte de Minas Gerais), o Estado de Goiás, o Mato Grosso do Sul, o extremo sul do Mato Grosso (marco da fronteira agropecuária) e o extremo sul do Tocantins.

É o complexo regional mais desenvolvido economicamente: abriga a maior parte do parque industrial, das áreas de atividades agrícolas mais modernas, dos bancos, mercados de capitais, empresas transnacionais, comércios e universidades do país. É extremamente urbanizado.

A região Nordeste nessa regionalização geoeconômica vai desde a porção leste do Maranhão até o norte de Minas Gerais, incluindo todos os Estados nordestinos. Abrange cerca de 30% do território nacional.

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É a região onde ocorreu o processo de povoamento do país. Possui grandes contrastes naturais e socioeconômicos entre as áreas litorâneas, mais urbanizadas, industrializadas e desenvolvidas economicamente, e o interior, com predomínio de clima semiárido e grandes problemas sociais. As atividades se desenvolvem na Zona da Mata, no Agreste, no Sertão e no Meio-Norte.

  • Zona da Mata: predominam as grandes propriedades agrícolas que praticam a monocultura canavieira destinada à exportação de açúcar. Além da cana, ocorre o cultivo do cacau e do fumo. Destaca-se também a produção de sal marinho, principalmente no Rio Grande do Norte.
  • Agreste: a principal atividade econômica nos trechos mais secos é a pecuária extensiva; nos trechos mais úmidos, a agricultura de subsistência e a pecuária leiteira.
  • Sertão: pecuária extensiva e de corte, agricultura (milho, feijão e cana-de-açúcar) e cultivo irrigado de frutas e flores. Nas áreas litorâneas ocorre a extração de sal. Também há presença de indústrias (polo têxtil e de confecções).
  • Meio-Norte: extrativismo vegetal, agricultura tradicional de algodão, cana-de-açúcar e arroz.

QUESTÃO PRÁTICA

A regionalização geoeconômica de Pedro Geiger se diferencia da regionalização do IBGE principalmente por:

Teste seu conhecimento

Assinale todas as alternativas que satisfazem as características da regionalização do IBGE:









A regionalização a partir do meio técnico-científico-informacional: os "Quatro Brasis"

Essa divisão regional se baseia na difusão do meio técnico-científico-informacional, conceito elaborado pelo geógrafo Milton Santos. Trata, além de outras coisas, da informação e das finanças e de como essas variáveis estão irradiadas de maneiras desiguais e distintas pelo território brasileiro. É chamada de "quatro Brasis" e é dividida em: Região Concentrada, formada pelo Sudeste e Sul, o Nordeste, o Centro-Oeste e a Amazônia.

Essa desigualdade na distribuição de tecnologia, capital e informação recebe um nome específico: modernização seletiva. O nome é preciso porque descreve exatamente o que ocorre: a modernização não chega de uma vez para todo o território, ela escolhe onde chegar primeiro, geralmente onde já existe infraestrutura, mercado consumidor e interesse do capital privado. O restante do território segue dependendo de técnicas mais antigas, à espera da sua vez, que muitas vezes não chega. É por isso que dentro de um mesmo Estado, ou até de uma mesma cidade, é possível encontrar bairros com internet de fibra ótica ao lado de áreas sem saneamento básico, ou uma fazenda de soja pilotada por satélite a poucos quilômetros de uma comunidade rural sem estrada asfaltada. A modernização seletiva explica, portanto, por que crescer economicamente não significa automaticamente reduzir as desigualdades internas de um território: às vezes, o crescimento aprofunda ainda mais a distância entre quem já estava conectado e quem segue de fora dessa rede.

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O critério para estabelecer essa nova regionalização é diferente das outras, pois se baseia no conceito de meio técnico-científico-informacional. É como ver o território pelo acréscimo de ciência, tecnologia e informação: quais regiões apresentam melhores infraestruturas, que permitem um fluxo maior de capital, dinheiro e informação, e quais regiões ou cidades têm tempo mais lento e comunicação menos veloz. É como ver o território à noite e observar a presença de iluminação distribuída desigualmente por toda sua extensão, com diferenças entre as regiões. Há áreas com pouca densidade industrial, internet e comunicação, enquanto há outras com rodovias modernas e produção e distribuição de produtos de forma eficaz em rede pelo território.

A Região Concentrada une as regiões Sul e Sudeste devido à maior densidade do meio técnico-científico-informacional, representada pela intensa urbanização, padrão de consumo, atividades ligadas ao setor de finanças e assistência técnica, e maior adaptação à globalização do que outras regiões.

A cidade de São Paulo comanda esse processo, sendo o polo nacional dessas atividades. A posição de São Paulo na vida econômica nacional é muito relevante e sua influência ultrapassa a região metropolitana. Sem falar na sede de eventos de todos os tipos, culturais e econômicos, com presença de tecnologia e pesquisa tanto na cidade como no campo. A metrópole paulista comanda o território por concentrar a informação, os serviços e a tomada de decisões.

Nessa regionalização há regiões que ganham e outras que perdem. Por exemplo, a fuga de indústrias do chamado ABCD paulista, localizado na região metropolitana de São Paulo, para o interior ou para outros Estados que oferecem mais vantagens, como isenção de impostos e doações de terreno, entre outros fatores. Nesse sentido, a região Sul ganha esses estabelecimentos e São Paulo sofre um empobrecimento relativo em pleno período da globalização.

Outra característica dessa região é a intensa mecanização do campo, como no exemplo da produção de laranja e cana-de-açúcar no Estado de São Paulo para a exportação de suco e produção de álcool: aviação agrícola, controle de pesticidas e fertilizantes, produzindo mais em áreas cada vez menores. Além da alta densidade de supermercados, shopping centers, atividades de saúde, ensino e lazer.

Na região Centro-Oeste, sob esta perspectiva, acrescida agora do Estado do Tocantins, além de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, temos uma ocupação mais recente. A principal característica dessa região é a implantação do meio técnico-científico-informacional sobre um meio natural, para a constituição de uma agricultura moderna, com fazendas mecanizadas e produção globalizada de soja, milho, algodão e arroz, além da pecuária de corte para exportação de carnes.

A região Nordeste inclui os nove Estados, igualmente à regionalização do IBGE: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. É a região que apresenta o traço mais forte da colonização, por ser a primeira de povoamento europeu e ter sido a principal região econômica do Brasil colonial, com importantes cidades como Salvador (então capital), Recife e São Luís. O meio técnico-científico-informacional se deu de forma pontual e pouco densa, isto é, espalhada, em razão das atividades que se praticavam nessa área, como uma agricultura pouco intensiva devido à estrutura das propriedades na época. O trabalho na agricultura apresenta um índice menor de mecanização do que na Região Concentrada. A urbanização também não é tão intensa, e a rede de cidades ainda reflete as marcas do passado. Claro que há exceções, como em tudo na ciência.

Existem áreas bastante tecnificadas, porque são atividades voltadas para o comércio externo e atendem a requisitos globalizados, como as áreas irrigadas do vale do Rio São Francisco, com produção de manga, uva e vinhos durante todo o ano.

A Amazônia nesta perspectiva de regionalização é aquela região sem o Estado de Tocantins, porém com o Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. É uma região pouco povoada, ou seja, com baixa densidade populacional (menos de um habitante por quilômetro quadrado) e baixa densidade técnica. A circulação ocorre predominantemente por vias fluviais e aéreas para a interligação entre os lugares. O meio natural nesta região ainda possui uma relevância extraordinária. As hidrovias, como a Madeira-Amazonas, por exemplo, servem para o escoamento de soja do Mato Grosso e de Rondônia.

A capital Manaus seria um ponto no território onde se concentra uma fluidez ligada à globalização, com conexões mais dinâmicas devido à Zona Franca de Manaus como polo industrial.

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"Uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância a que se encontram os centros consumidores de seus produtos". Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967.

É uma região contraditória, pois ao mesmo tempo em que ainda há pouco conhecimento sobre os reinos vegetal e animal da sua enorme extensão, já existe um monitoramento por modernos satélites e radares.

Ao final desse curso sobre a Geografia do Brasil retomaremos com mais profundidade as características das regiões brasileiras, realizando uma síntese de suas dinâmicas.

Vimos até aqui três maneiras diferentes de recortar o mesmo país: uma pelas médias estatísticas do IBGE, outra pela formação histórico-econômica de Geiger, e essa última pela velocidade desigual com que a técnica e a informação chegam a cada canto do território. Repare que nenhuma delas está "errada": cada uma escolhe um critério e, por isso, enxerga um recorte diferente do mesmo Brasil. Um geógrafo que estuda solo e clima vai preferir a lógica mais próxima da natureza; um economista que estuda investimentos vai preferir a lógica de Geiger; e quem estuda desigualdade digital ou acesso a serviços vai preferir os "quatro Brasis" de Milton Santos. Mas nenhuma dessas regionalizações explica por si só quem são as pessoas que vivem dentro dessas fronteiras: quantas são, de onde vieram e como se distribuem pelo país. É exatamente essa pergunta, a da formação e da estrutura da população brasileira, que vamos investigar na próxima aula.


QUESTÃO PRÁTICA

Na regionalização baseada no meio técnico-científico-informacional (os "quatro Brasis"), o que caracteriza a Região Concentrada (Sul e Sudeste) em relação às demais regiões?

Infográfico - Resumo

Infográfico resumo regionalização do território brasileiro Fonte: Organizado e revisado pelo autor.


Não existe pergunta boba! A Ciência é feita de perguntas!

P: Por quanto tempo vai durar a divisão territorial do Brasil?

R: Quando estudamos o Brasil e vemos a maneira pela qual a maioria da população tem, ou deveria ter, acesso aos bens necessários a uma vida digna, principalmente nas periferias, podemos começar a questionar a razão de um município, Estado ou região ser do jeito que é. O recorte atual do Brasil significa o quê para a maioria da população? Ele deve ser permanente, rígido, imutável para sempre? Vimos na história do Brasil os diversos movimentos para modificar seus limites internos, com amplas revoltas e guerras internas. Se cada época cria necessidades novas, também precisaríamos de novos recortes territoriais para atender a sociedade. Como sabemos, a Geografia se preocupa com a sociedade e seu entorno, seu território. Se as regiões são desarticuladas, perpetuam a pobreza; novos problemas, da mesma forma, requerem novas soluções, e o território não pode ficar "congelado" no tempo, sob o risco de vivermos em um espaço cada vez mais desigual.

P: Qual a relação entre os mapas e o estudo do território brasileiro?

R: Vimos inúmeros mapas, e esse conhecimento está relacionado à Cartografia. A Geografia usa a Cartografia como uma linguagem para revelar as relações sociais que ocorrem no território. Os mapas nos permitem visualizar adequadamente os problemas do país, como áreas vazias de escolas ou postos de saúde em determinada cidade ou região. Nas cidades podemos constatar as desigualdades entre o centro e a periferia, a falta de saneamento básico, de bens culturais e de lazer. Tudo isso está mapeado, inclusive por satélites modernos. Com toda essa informação é possível tomar decisões políticas para satisfazer as necessidades atuais da sociedade.

P: Por que no Brasil se diz que há três poderes?

R: O Artigo 2º da Constituição Federal diz o seguinte: são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário são poderes interdependentes, ou seja, devem trabalhar coordenados entre si e fiscalizar uns aos outros.

O Executivo é a instância de poder político que executa as leis e cuida da administração. É exercido, no plano federal, pelo presidente com seus ministros, com sede no Palácio do Planalto. Em nível estadual, é exercido pelos governadores e secretários e, na esfera municipal, pelos prefeitos e secretários.

O Legislativo é o poder encarregado de fazer as leis. Em nível federal, é exercido pelo Congresso Nacional, composto pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. Em nível estadual, é exercido pela Assembleia Legislativa e, nos municípios, pela Câmara de Vereadores.

O poder Judiciário é o poder encarregado de fazer com que as leis sejam cumpridas, garantindo os direitos dos indivíduos. Tem sede no Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Além do Supremo Tribunal Federal, é exercido pelo Superior Tribunal de Justiça, pelos tribunais eleitorais, de justiça e do trabalho, entre outros órgãos.




QUESTÃO ABERTA

Um exercício para reforçar alguns conceitos.

Em que ano foi inaugurada Brasília, marcando a integração do Centro-Oeste ao restante do país?

Em que ano o Mato Grosso foi dividido e se criou o Estado do Mato Grosso do Sul?


Questões para serem respondidas no caderno sobre o tema da aula de hoje:

1. O que é regionalizar um espaço geográfico? Por que não existe uma única forma correta de dividir o Brasil em regiões?

2. Compare a regionalização do IBGE com a regionalização geoeconômica de Pedro Geiger. Qual critério cada uma prioriza?

3. Por que a regionalização do IBGE é criticada por não ser "cientificamente rigorosa"? Dê um exemplo do texto que ilustra esse problema.

4. O que caracteriza a Região Concentrada na regionalização do meio técnico-científico-informacional? Por que São Paulo é considerado o polo dessa região?

5. Explique a diferença entre o "arquipélago econômico" descrito por Milton Santos e a integração nacional buscada a partir de 1930.

6. Qual foi o papel da construção de Brasília, em 1960, no processo de integração do território brasileiro?

7. Por que a Amazônia, segundo o texto, é uma região de baixa densidade técnica mas de grande relevância ambiental?

8. Explique o que é a Zona Franca de Manaus e sua função dentro da região Amazônica.

9. De acordo com a regionalização geoeconômica, o que diferencia a região Nordeste das regiões Amazônia e Centro-Sul?

10. Considerando as três regionalizações estudadas nesta aula (IBGE, geoeconômica e meio técnico-científico-informacional), qual delas você considera mais adequada para entender as desigualdades regionais do Brasil hoje? Justifique.


Antes de finalizar, vamos fazer as questões!



Para saber mais:

Referências Bibliográficas

📚 Sugestões de Livros



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