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Introdução

Na última aula vimos a relação entre a estrutura geológica e as formas do relevo, quer dizer, o relacionamento entre os tipos de rochas e as feições da superfície no Brasil.

Nesta aula, vamos ver como a classificação do relevo mudou ao longo do tempo devido aos novos avanços científicos na área da geomorfologia.

Vamos conhecer a diversidade de paisagens existentes no território brasileiro, seus recortes e variações topográficas.


As características do relevo no Brasil

O Brasil era conhecido como um país de planaltos e planícies, pelo menos até a década de 1940. Embora o país tenha altitudes modestas, que variam em média, entre 200 m a 800 m, com apenas 7,3% do território com altitudes superiores a esse número.

As altitudes mais elevadas ocorrem no geral na região Sudeste e Picos entre a Amazônia e a fronteira com a Guiana e Venezuela, como o Pico da Neblina (2.995,3 m) e o Pico 31 de Março (2.974,2 m) na Serra do Imeri, ambos situados ao norte do Estado do Amazonas.

E foi a altitude o primeiro critério utilizado para classificar o relevo brasileiro. Seguido do critério geomorfoclimático, com a dinâmica da erosão e sedimentação e, o mais recente, baseado na estrutura geológica ou morfoestrutural. Vamos ver cada um deles.


As classificações do relevo brasileiro

Classificação geomorfológica

A extensão territorial do Brasil levou diversos cientistas a adotarem distintas classificações para a grande variedade geológica e de paisagens existentes no Brasil.

Dentre os precursores geógrafos e geomorfólogos, destaca-se o professor Aroldo de Azevedo, na década de 1940.

Formado originalmente em Direito, Aroldo de Azevedo optou por seguir a carreira de geógrafo e se licenciou em Geografia e História pela Universidade de São Paulo em 1939, tornando-se um dos primeiros professores de Geografia do Brasil daquela universidade, onde chegou a dirigir o Instituto de Geografia entre 1963 e 1967. Foi também o autor didático mais influente da área no país durante décadas, com mais de trinta livros publicados, o que fez de sua classificação do relevo a referência adotada pela maioria dos livros escolares do período.

O professor Aroldo de Azevedo privilegiou uma abordagem geomorfológica e, por isso, adotou o critério de altitudes para lidar com o relevo brasileiro. Ele identificou oito unidades geomorfológicas, conforme o mapa abaixo:

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Essa classificação adotou um caráter mais abrangente à época, mais generalizado. Dividiu o país em oito grandes unidades: quatro planaltos (das Guianas, Central, Atlântico e Meridional) e quatro planícies (Amazônica, Costeira, do Pantanal e dos Pampas).

Esse modelo de representação do relevo brasileiro foi muito utilizado na maioria dos livros didáticos até a década de 1950.

O relevo e a dinâmica geomorfoclimática

Nos anos de 1960 e 1970, o geógrafo Aziz Ab’Saber propôs uma nova classificação do relevo brasileiro. Ele aperfeiçoou o modelo anterior, contando com o auxílio da aerofotogrametria para elaborar uma nova proposta do relevo brasileiro a partir da erosão e da sedimentação.

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O levantamento aerofotogramétrico é um dos métodos utilizados para o mapeamento da superfície terrestre. O voo fotogramétrico é realizado por uma aeronave, na qual é acoplada uma câmera fotogramétrica que cobre toda a área a ser mapeada.

Ab’Saber percebeu que, além da altitude, era importante avaliar os processos geomorfológicos ligados à dinâmica climática. Essa abordagem considerava se o relevo sofria processos de erosão (desgaste) ou de sedimentação (acúmulo de sedimentos), ou seja, se determinada área perdia ou recebia sedimentos.

Nessa reformulação, os planaltos foram considerados como áreas desgastadas pela ação da erosão, enquanto que as planícies eram áreas que recebiam esses detritos em permanente processo de construção.

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O autor manteve o planalto das Guianas, mas o subdividiu o planalto Brasileiro nas seguintes unidades, são elas: Planalto das Guianas; Central, Meridional, Serras e Planaltos do Leste e Sudeste, Maranhão-Piauí, Nordestino e Uruguaio-Sul-Rio-Grandense. As planícies estão relacionadas à: planície Costeira, Amazônica, do Pantanal e do Pampa.

Esses estudos buscavam provar que a Amazônia não era uma planície, pelo menos não totalmente, pois essa área era composta por planícies e terras baixas. Isso quer dizer que o terreno em construção (que recebia sedimentos) estava apenas localizado nas margens do rio Amazonas, enquanto que o restante era constituído por terrenos bastante desgastados.

Para o autor, 75% das terras brasileiras eram de planaltos; as planícies comporiam 25% restantes. Mesmo com observações feitas em viagens por terra e por aviões, o maior avanço viria com a incorporação dos radares no detalhamento do relevo.

Classificação morfoestrutural

Publicado em 1989 pelo geógrafo Jurandyr Ross, essa classificação utilizou de fotografias áreas do projeto RADAM Brasil. Leva em conta a estrutura geológica na formação do relevo e o fator escultural das formas de relevo. Além dos planaltos e das planícies, surgem as unidades das depressões. São no total, 28 unidades do relevo, sendo 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies. É um mapeamento mais detalhado para nortear a ocupação do território, a construção de estradas, o planejamento, a ocupação do solo e a proteção ambiental.

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O Projeto RADAM foi realizado pelo governo brasileiro na década de 70 para a pesquisa de recursos naturais. Na época, o uso do radar representou um avanço tecnológico, pois, sendo um sensor ativo, a imagem podia ser obtida tanto durante o dia quanto à noite e em condições de nebulosidade, devido às microondas penetrarem na maioria das nuvens.

ts07f03 Fonte: Vesentini (2013).

A classificação de Ross considera a influência dos tipos de rocha nas formas do relevo, isto é, a morfoestrutura. Também considera os climas atuais na modificação do relevo, quer dizer a morfoclimática e os processos de erosão e sedimentação; além dos climas passados (morfoescultura) e sua influência na modificação do relevo.

As planícies ficaram mais restritas no litoral e áreas inundáveis como Lagoas dos Patos no Rio Grande do Sul, planície do rio Araguaia em meio a depressão anteriormente classificada como Planalto Central.

Há, da mesma forma, enormes áreas de depressão, anteriormente denominas como planaltos ou planícies. A planície do rio Amazonas ficou restrita à área de inundação e agora com uma depressão em sua porção ocidental e um planalto em seu lado oriental. Se fizéssemos um corte nessa área veríamos o seguinte:

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O mesmo poderíamos fazer com o que era classificado como Planalto Atlântico, agora classificado como Depressão Sertaneja e do São Francisco, onde ocorrem elevações como o Planalto da Borborema e a Chapada do Araripe.

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O relevo da América do Sul

Em 2016, o geógrafo Jurandyr Ross publicou um novo mapa do relevo da América do Sul, muito mais detalhado e com ajuda de imagens de radar de satélites, Google Earth e Mapas geológicos das empresas públicas do Ministério de Minas e Energia.

O mapa delimita as unidades dos três blocos fundamentais do continente com base em diferenças geológica, solos e formas de relevo.

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Clique para ver as descrições contidas no mapa:

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A serra da Mantiqueira integra planaltos bastante erodidos, entremeados por depressões (cor laranja, 2.6-2.9). As bacias sedimentares mais antigas estão em azul (4.1-4.4).


As formas do litoral brasileiro

No Brasil, as áreas de contato entre o continente e o mar revelam uma diversidade de paisagens e feições geomorfológicas (relevo), com ampla variação topográfica.

O relevo do litoral brasileiro sofre atuação da erosão e da sedimentação proveniente das águas dos rios e oceânicas que deságuam no litoral.

Dentre inúmeras formas, as principais são a baía. A baía é uma faixa de mar ou de oceano rodeada de terra que avança para o continente, ela é menor do que o golfo. A entrada da baía é estreita e alarga-se para o interior. Normalmente são locais de exploração econômica, porque nelas as águas ficam mais calmas, favorecendo, por exemplo, a construção de portos. Veja abaixo:

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Algumas são importantes áreas de preservação ambiental, como: a baía dos Golfinhos e dos Porcos, em Fernando de Noronha e a baía de Guanabara no Rio de Janeiro.

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Outra importante formação litorânea são as enseadas, que também correspondem a reentrâncias na costa, só que um pouco mais aberta do que a baía. São encontradas de norte a sul em todos os estados litorâneos do Brasil.

Nas praias brasileiras é possível, da mesma maneira, vislumbrar também a existência de outras formas resultantes do acúmulo de sedimentos transportados pelo mar, pelos ventos e pelos rios que deságuam no litoral. Verifica-se a presença de tômbolos, formações arenosas que ligam uma ilha ao continente, e também de cabos ou promontórios, porções de terra que se projetam na direção do mar. Em alguns lugares do país, a formação desse relevo dá nome a municípios, por exemplo: Cabo de Santo Agostinho, no estado de Pernambuco, Cabo Frio e Arraial do Cabo, no Estado do Rio de Janeiro.

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Nas áreas de desembocadura dos rios junto ao mar pode ocorrer acúmulo de sedimentos como areia, cascalho ou lama. Este material é retirado das margens e das vertentes, sendo levado em suspensão pelas águas dos rios que o acumulam em bancos, constituindo os depósitos aluvionares. Esse acúmulo forma um relevo chamado de Barra ou barra de praia. Os exemplos são: Barra da Tijuca no RJ, Garopaba em SC, praia do Farol da Barra na BA, dentre inúmeros outros.

O acúmulo de sedimentos e a presença de recifes de coral dá origem a formações de lagunas. Estas são caracterizadas por serem uma porção de água salgada parcialmente separada do mar devido a essas barreiras naturais, havendo, no entanto, aberturas que permitem a ligação com o mar. Esse tipo de relevo é comum no litoral brasileiro em Alagoas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, etc.

Associadas às lagunas, aparecem com frequência as restingas: cordões arenosos alongados, paralelos à linha de costa, formados pelo mesmo acúmulo de sedimentos que dá origem às lagunas. É a restinga que funciona como barreira natural entre a água salgada do oceano e a água mais calma da laguna, e por isso costuma abrigar uma vegetação própria, rasteira e resistente ao vento e à salinidade, adaptada a solos arenosos e pobres em nutrientes. A restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, e as restingas do litoral catarinense são bons exemplos desse tipo de formação, hoje protegidas por lei como Áreas de Preservação Permanente devido ao papel que cumprem na contenção da erosão costeira.

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Os recifes de coral são formados pelo acúmulo de animais marinhos e de certas algas. Com o tempo, em condições favoráveis, um recife de coral pode transformar-se numa ilha ou, pelo menos, em um atol.

O litoral brasileiro é conhecido por possuir costas baixas, isto é, formações com baixa altitude. Entretanto, há formações com costas altas em vários Estados, formadas por paredões escarpados junto ao oceano, são as chamadas falésias. Podem ser encontradas nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Se você não sabia, agora já sabe!

As Falésias de Torres

As falésias do município de Torres localizam-se no litoral norte do Estado do Rio Grande do Sul. Correspondem a uma importante formação vulcânica resultante dos derrames basálticos da era Mesozoica. O nome da cidade se deve à presença de três torres formadas por rochas basálticas que compõem as Guaritas e o Morro do Farol, no perímetro urbano.

Esses morros vêm sendo modificados intensamente desde o início da era Cenozoica. Houve forte atuação de agentes climáticos, como o vento e a chuva, e também do oceano: nos últimos 230 mil anos a região sofreu quatro regressões e transgressões marinhas.

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A divisão do litoral brasileiro

O litoral brasileiro é pouco recortado com golfos e penínsulas pouco expressivas. Ele possui incríveis 7.408 km de orla marítima em linha reta, mas, segundo o IBGE, se considerarmos todas as suas reentrâncias, seus recortes, esse número sobe para quase 11 mil quilômetros (10.959,52 km).

Litoral equatorial amazônico e setentrional do Nordeste

Podemos nos referir ao litoral norte aquele que se estende desde o Cabo Orange, na foz do Rio Oiapoque (AP), até o Cabo São Roque (RN).

São trechos de costas baixas e de acumulação de sedimentos ligados à planície litorânea da Amazônia e nordestina. Na parte amazônica, destaca-se o grande volume de água da bacia amazônica, desde os Estados do Amapá, Pará até o Maranhão com uma vegetação típica de áreas onde se encontram o rio com o mar: os manguezais. O manguezal é um tipo de solo lodoso com plantas adaptadas à salinidade e com raízes aéreas, ricas em nutrientes e fundamental para o balanço do ecossistema fluvial e marinho.

Além de proteger a costa contra a erosão e amortecer o impacto de ressacas e marés altas, o manguezal funciona como berçário natural para peixes, camarões e caranguejos: é ali que boa parte das espécies marinhas comercialmente importantes passa as primeiras fases da vida, protegida entre as raízes emersas. Por isso os manguezais sustentam diretamente a pesca artesanal de milhares de famílias ao longo de toda a costa brasileira. Eles também se destacam por armazenar grandes quantidades de carbono no solo lodoso, o que os torna um dos ecossistemas mais eficientes do planeta na retenção de carbono, e justamente por isso são considerados áreas de preservação permanente pela legislação ambiental brasileira, com corte e aterro proibidos por lei.

No trecho nordestino, a partir do Golfo do Maranhão até o Cabo de São Roque, o relevo é formado por dunas, com restingas e lagoas costeiras.

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É ai que se localizam as famosas dunas como os lençóis maranhenses. As dunas são formadas pela ação dos ventos alísios que invadem o continente durante todo o ano.

Nesse mesmo trecho do litoral, na divisa entre Piauí e Maranhão, encontra-se uma das formações mais raras do litoral brasileiro: o delta do rio Parnaíba. A maioria dos grandes deltas do mundo, como o do Nilo ou o do Ganges, se forma em áreas protegidas de baías, golfos ou lagunas, onde a força das ondas é menor. O delta do Parnaíba é diferente: o rio se ramifica em cinco braços que deságuam diretamente em mar aberto, formando um arquipélago de mais de 70 ilhas espalhadas por uma área de cerca de 2.700 km², entre dunas, manguezais e lagoas. É considerado o único delta em mar aberto de todas as Américas e um dos maiores do planeta, ao lado dos deltas do Nilo e do Mekong.

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Os ventos alísios são ventos constantes e úmidos que tem ocorrência nas zonas subtropicais em baixas altitudes. Ele sopra nos trópicos na região do Equador de Leste a Oeste (ao contrário do sentido da rotação da Terra) e por serem úmidos provocam grande incidência de chuvas.

O litoral nordestino também apresenta costas altas com falésias sedimentares, como em Canoa Quebrada no Estado do Ceará. Com o clima quente e seco no Rio Grande do Norte, por exemplo, a invasão das marés na costa baixa proporciona a técnica de represar as águas através de diques e com isso pode ser formadas salinas.

O litoral tropical ou oriental

Esse trecho do litoral já é marcado por ser quente e úmido com falésias e praias mais estreitas. Vai desde o Cabo de São Roque (RN) até o Cabo de São Tomé (RJ).

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Destaca-se a presença de recifes de arenito e coral. Os recifes de arenito são formados por antigas praias que se solidificaram e transformaram-se em arenito. São geralmente estreitos e não passam de 100 m de largura. O recife que deu nome à capital de Pernambuco, Recife, possui pouco mais de 5 km de extensão.

Já os recifes de corais ocorrem da acumulação de restos calcários, seja na forma de franjas perpendiculares à costa ou como barreiras paralelas.

É nesse trecho que se encontra a Costa do Descobrimento, o trecho litorâneo atingido pelas caravelas de Cabral e onde teve início à colonização portuguesa. Estão localizados a Baía de Todos os Santos (BA), Porto Seguro (BA), Cabo Branco, ilha de Itamaracá, dentre outros.

O litoral meridional ou subtropical

O litoral neste trecho que cobre as regiões Sudeste e Sul é o mais acidentado e diversificado de todo o país. Abrange desde a fronteira do Espírito Santo com o Rio de Janeiro até o Arroio Chuí no Rio Grande do Sul.

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Caracteriza-se por falésias cristalinas devido à proximidade com a Serra do Mar com o oceano Atlântico. A planície costeira não é contínua e, em algumas partes surgem as baixadas, como a Santista, Fluminense, Iguape, dentre outras.

Na divisão com Paraná e Santa Catarina há um predomínio de ilhas devido ao afloramento da crista externa da Serra do Mar. De Laguna (SC) até o Arroio Chuí (RS) o litoral torna-se mais arenoso com formação de lagoas costeiras como a dos Patos, Mirim e Mangueira. Além de conviver com paisagens de blocos falhados escarpados.

Os principais acidentes geográficos são: Cabo Frio (RJ), ilhas de Paquetá, Governador, Cobras RJ); Ilhas de São Sebastião (SP), São Vicente (SP); Baía de Paranaguá (PR); Ilhas de São Francisco e Santa Catarina (SC), dentre outros.

Vale explicar por que essa parte do litoral concentra tantas ilhas próximas do continente. Diferente das ilhas vulcânicas oceânicas, como Fernando de Noronha, essas são chamadas de ilhas costeiras: porções de terra que já foram parte do continente e se isolaram por causa das variações do nível do mar ao longo do tempo geológico recente. Durante a última grande glaciação, o nível do mar era dezenas de metros mais baixo do que hoje, porque grande parte da água do planeta estava presa em geleiras. Quando o gelo derreteu, há cerca de onze mil anos, o mar avançou sobre o continente (um processo chamado de transgressão marinha) e submergiu os vales entre os pontos mais altos da Serra do Mar, isolando picos e espigões que hoje conhecemos como Ilha Grande, Ilhabela e a própria Ilha de Santa Catarina. Geologicamente, portanto, essas ilhas são feitas do mesmo tipo de rocha cristalina antiga que forma a Serra do Mar no continente, apenas separadas dele pela água.

O movimento das águas oceânicas no litoral brasileiro

Devemos mencionar os movimentos das águas que repercutem no litoral brasileiro, como aquele realizado pelas correntes marítimas. No caso do Brasil, o litoral sofre influência de três correntes: a das Malvinas ou Falklands, com águas frias, na região Sul do país; a do Brasil, de águas quentes, que banha a costa Sudeste e Nordeste; e a das Guianas, também de águas quentes, que passa pelo litoral da região Norte. A dinâmica das correntes marítimas ocorre devido ao vento e às diferenças de densidade da água. Os ventos movimentam enormes massas de água, enquanto as alterações de temperatura e salinidade modificam a densidade da água, fazendo-a subir ou descer no fundo do oceano, criando assim correntes circulatórias.

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O litoral brasileiro diante das mudanças climáticas

Todas essas formas de relevo litorâneo que vimos até aqui, sejam elas praias, restingas, dunas ou falésias, não são estáticas: estão em constante transformação por causa da dinâmica natural de erosão e sedimentação. O problema é que, nas últimas décadas, essa dinâmica natural passou a sofrer a pressão extra de dois fatores humanos: a ocupação desordenada da orla e as mudanças climáticas.

A erosão costeira tem causas naturais, como a própria dinâmica das ondas, correntes e marés, mas se torna crônica quando dunas frontais são destruídas para dar lugar a construções, quando calçadões e espigões alteram o transporte natural de sedimentos ao longo da praia, ou quando o nível do mar sobe por causa do aquecimento global. Projeções do IPCC indicam que o nível médio do mar pode subir entre 30 e 100 centímetros até o fim deste século, dependendo do volume de gases de efeito estufa que a humanidade ainda emitir. Isso pode parecer pouco, mas é suficiente para acelerar o recuo de praias, inundar áreas baixas do litoral e comprometer construções, estradas e bairros inteiros que hoje ficam próximos demais da água.

O tema é especialmente sensível no Brasil porque mais de 60% da população brasileira vive em cidades costeiras, e oito das onze maiores regiões metropolitanas do país ficam a menos de 100 km do oceano. Isso significa que qualquer avanço do mar sobre a costa afeta diretamente milhões de pessoas, não apenas ecossistemas isolados. Justamente por isso, formações como as restingas e os manguezais, que vimos há pouco, não são só curiosidades da paisagem: funcionam como barreiras naturais que amortecem o impacto das ressacas e retardam o avanço do mar sobre áreas urbanizadas, o que reforça a importância de preservá-las em vez de ocupá-las.


QUESTÃO PRÁTICA

Formações de rochas muito antigas, cristalinas e resistentes à erosão, presentes desde o Pré-Cambriano ao norte da região das Guianas e no núcleo do território brasileiro. Essa descrição corresponde a:

QUESTÃO PRÁTICA

Forma de relevo plana e de baixa altitude, resultante do acúmulo de sedimentos, historicamente ocupada por civilizações ribeirinhas, do Nilo, no Egito, ao rio Pinheiros, em São Paulo. Essa descrição corresponde a:

QUESTÃO PRÁTICA

Paredões rochosos escarpados junto ao litoral, formados pela ação erosiva contínua das ondas do mar, comuns em Alagoas, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Essa descrição corresponde a:

Não existe pergunta boba! A Ciência é feita de perguntas!

P: Quais os tipos de planaltos existentes?

R: Embora os planaltos sejam relevos em processo erosivo, neles podem ser observadas diferentes formas, porque as rochas que os constituem são diferentes. As formações planálticas mais comuns no Brasil são as escarpas de planalto, as chapadas e as cuestas.

- As escarpas de planalto são mais íngremes porque são formadas por rochas cristalinas, mantendo altitudes mais elevadas.

- As chapadas são planaltos com topos achatados, aplainados. Essa forma se deve à presença de rochas sedimentares sobrepostas a uma base de rochas cristalinas. Portanto, o topo sofre uma erosão mais rápida porque as rochas sedimentares desgastam-se facilmente.

- As cuestas, chamadas também de planaltos arenito-basálticos, aparecem na bacia do Paraná e apresentam rochas magmáticas dispostas ao lado de rochas sedimentares. Por isso, uma parte do planalto fica mais íngreme, porque sofre uma erosão mais lenta, sendo chamada de front ou frente da cuesta. Seu reverso desgasta-se mais rapidamente, por ser constituído por rochas sedimentares, mais frágeis. Algumas vezes, todo o reverso desaparece, formando os chamados "morros testemunhos”. A cuesta de Botucatu no Estado de São Paulo é um exemplo dessa formação.

P: Por que as dunas se movem?

R: As dunas se formam devido à interação do trabalho de acúmulo de sedimentos feito pelo vento e pelo mar. Os sedimentos são arenosos e vem sendo transportados há cerca de 5 mil anos. As correntes marítimas carregam grande quantidade de areia, depositando-as nas praias. Quando esses sedimentos secam, tem início o trabalho de transporte pelo vento, que os acumula nas partes mais altas da praia.

A seguir, ocorre um processo natural de sucessão ecológica que faz surgir a vegetação que recobre as dunas. Por meio de seu complexo sistema de raízes, a vegetação contém o deslocamento desses montes de areia. O problema é que as dunas são o ecossistema costeiro que mais sofre pressão da ocupação humana, e a retirada de sua vegetação tem gerado consequências desastrosas.

O desmatamento da vegetação que recobre as dunas para dar lugar a loteamentos de veraneio, trilha para a passagem de veículos e até mesmo queimadas expõe a areia, favorecendo seu deslocamento. Há áreas bastante ameaçadas pelo avanço das dunas, como Cabo Frio, no Rio de Janeiro: Itaúnas, no Espírito Santo; e Mangue Seco, na divisa dos estados da Bahia e de Sergipe.

P: Poderia explicar melhor a existência das Depressões?

R: As depressões apresentam superfícies levemente inclinadas, altitudes modestas situadas entre 100 e 500 m e são bastante aplainadas. As depressões são circundadas, geralmente, por planaltos elevados. No Brasil, 11 unidades dessa forma de relevo são áreas mais baixas que o relevo em que se localizam e são classificadas em:

Depressões periféricas: áreas rebaixadas no contato entre terrenos sedimentares e cristalinos, como na borda leste da bacia do Paraná e da depressão periférica Central ou Sul-rio-grandense.

Depressões marginais: margeiam as bordas de terrenos sedimentares como nas depressões amazônicas.

Depressões interplanálticas: áreas mais baixas do que os planaltos que as circundam. O exemplo é o da depressão Sertaneja e do São Francisco.

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Percebemos, então, que conhecer com precisão onde ficam os planaltos, as depressões e as bacias sedimentares não é só um exercício de classificação: é também um mapa de riquezas. Cada uma dessas unidades de relevo está associada a um tipo diferente de rocha e, portanto, a diferentes recursos minerais escondidos no subsolo brasileiro. Na próxima aula vamos justamente seguir esse fio: sair da classificação do relevo e entrar nos recursos minerais do Brasil, para entender onde e por que se concentram as principais jazidas de minério de ferro, ouro, bauxita e outros minerais que movimentam a economia do país.




Infográfico - Resumo

Infográfico resumo classificação do relevo e litoral brasileiro Fonte: Organizado e revisado pelo autor.


QUESTÃO ABERTA

Um exercício para reforçar alguns conceitos.

O que forma as dunas dos Lençóis Maranhenses, empurrando a areia continente adentro o ano todo?

Que processo, ligado à subida do mar após a última glaciação, isolou ilhas como Ilha Grande e Ilhabela do continente?


Questões para o caderno

1. Quais foram os três principais critérios utilizados, ao longo do tempo, para classificar o relevo brasileiro, e em que ordem histórica surgiram?

2. Explique a classificação geomorfológica proposta por Aroldo de Azevedo na década de 1940. Quantas unidades ele identificou e quais eram elas?

3. Qual foi a principal contribuição do geógrafo Aziz Ab'Saber para a classificação do relevo brasileiro nas décadas de 1960 e 1970?

4. Descreva a classificação morfoestrutural de Jurandyr Ross (1989). Quantas unidades de relevo ela identificou e qual categoria foi acrescentada além dos planaltos e planícies?

5. Explique a diferença entre uma baía e uma enseada.

6. O que são tômbolos e como eles se formam?

7. Explique a formação dos recifes de arenito e dos recifes de coral, apontando uma diferença entre eles.

8. Como se formam as falésias e em quais estados brasileiros elas são mais comuns?

9. Descreva as três divisões do litoral brasileiro (equatorial amazônico e setentrional do Nordeste, tropical ou oriental, e meridional ou subtropical), citando ao menos uma característica de cada uma.

10. Quais são as três principais correntes marítimas que influenciam o litoral brasileiro? O que causa a dinâmica dessas correntes?


Antes de finalizar, vamos fazer as questões!



Para saber mais:

Referências Bibliográficas

📚 Sugestões de Livros



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