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Objetivo:
Introdução
Na aula passada, vimos o histórico do processo de industrialização do Brasil.
Hoje, veremos a economia e o território, bem como os fatores para a concentração e desconcentração industrial nas regiões brasileiras no atual período.
Ao final, você saberá algumas causas e consequências envolvidos na dinâmica de dispersão das indústrias pelo país.
A integração do território brasileiro
Antes de entender por que as indústrias se espalham hoje pelo país, é preciso entender um problema mais antigo: por muito tempo, o Brasil não formou um território de fato integrado. Durante o período colonial e boa parte do século XIX, a economia se organizava em torno de poucos produtos de exportação (açúcar no Nordeste, ouro em Minas Gerais, café no Sudeste), cada um voltado para o litoral e para os portos, com pouquíssima ligação entre si. Historiadores e geógrafos chamam essa formação de arquipélago econômico: um conjunto de “ilhas” produtivas, cada uma conectada ao mercado internacional, mas isoladas umas das outras pela falta de estradas e de comunicação.
As primeiras tentativas de integração vieram com as estradas de ferro do café, no século XIX, ligando as fazendas do interior paulista ao porto de Santos. Mas foi só no século XX que o Estado brasileiro assumiu a integração do território como projeto de governo. Getúlio Vargas lançou a “Marcha para o Oeste”, incentivando a ocupação do interior. Juscelino Kubitschek, com o Plano de Metas (1956-1961) e o lema “cinquenta anos em cinco”, construiu Brasília no Planalto Central e abriu rodovias radiais a partir da nova capital, entre elas a Belém-Brasília, deslocando o eixo de decisões para dentro do continente. Durante o regime militar (1964-1985), a integração ganhou também um sentido geopolítico, resumido no lema “integrar para não entregar”: rodovias como a Transamazônica avançaram sobre a Amazônia, e o governo criou, em 1967, a Zona Franca de Manaus para atrair indústrias a uma região até então distante dos grandes centros consumidores.
Paralelamente às estradas, o país também precisou se integrar por meio das comunicações. Em 1965 foi criada a Embratel, estatal responsável por montar uma rede nacional de micro-ondas e, depois, de satélites, encarregada de levar telefonia e transmissão de televisão a todo o território. Em 8 de fevereiro de 1985, o Brasil lançou o Brasilsat A1, seu primeiro satélite de telecomunicações, reduzindo a dependência de satélites estrangeiros alugados e ampliando o alcance das redes de comunicação até o interior do país.
O geógrafo Milton Santos propôs uma forma de entender essa transformação por meio de uma periodização do território: primeiro existiria um meio natural, em que a vida das pessoas dependia quase diretamente das condições oferecidas pela natureza (solo, clima, relevo); depois um meio técnico, quando estradas, ferrovias e máquinas passaram a moldar o espaço segundo interesses econômicos; e, a partir da década de 1970, um meio técnico-científico-informacional, quando ciência, tecnologia e informação passam a comandar diretamente a produção e a circulação de mercadorias e dados. Esse novo meio, porém, não cobre o país de modo uniforme: ele aparece como uma mancha contínua nas grandes metrópoles e nas regiões agroexportadoras mais dinâmicas, e como pontos isolados no restante do território, o que ajuda a explicar por que a industrialização brasileira nunca se distribuiu de forma equilibrada pelo espaço nacional.
Essa desigualdade levou o geógrafo Pedro Pinchas Geiger a propor, ainda no final da década de 1960, uma divisão do território que não seguisse os limites dos Estados, mas sim o grau de integração econômica de cada área: os chamados complexos regionais (ou regiões geoeconômicas). Para Geiger, o país se organizava em três grandes complexos: Amazônia, Centro-Sul e Nordeste. Como o critério era econômico, e não político-administrativo, uma parte de Minas Gerais, por exemplo, ficava dentro do complexo Nordeste, enquanto o restante do Estado pertencia ao Centro-Sul. Essa proposta reforça a ideia central desta aula: o espaço industrial brasileiro nunca foi definido apenas pelas fronteiras estaduais, mas pela forma como cada região se conectou, ou deixou de se conectar, às redes de transporte, comunicação e capital que atravessam o território.
A indústria brasileira e o cenário global
A dinâmica do espaço mundial é extremamente importante para o entendimento do que se passa no Brasil. Isso porque há um movimento de readequação da produção em escala internacional, onde as empresas (multinacionais) procuram por localidades que possuam custos mais baixos (salários, infraestrutura).
A indústria brasileira enfrenta alguns problemas fundamentais no período atual com repercussões diretas em seu território, como exemplo: falta de infraestrutura adequada, os desafios da revolução técnico-científica e a competição no mercado global.
Essas características globais acabaram influenciando a política e a economia brasileira que foi marcada por uma integração nacional não muito “integrada”, mas com regiões isoladas umas das outras durante séculos.
O Brasil precisou se adaptar e com isso aderiu ao processo de liberalização de sua economia, ou seja, reduziu o Estado em relação às medidas de proteção de seu mercado interno.
Essa abertura ganhou forma concreta no governo Fernando Collor (1990-1992), com o Programa de Competitividade Industrial e Comércio Exterior (PICE), que reduziu progressivamente as tarifas de importação e extinguiu boa parte das barreiras não tarifárias que protegiam a indústria nacional. No mesmo período, o Tratado de Assunção (1991) criou o Mercosul, com redução automática e linear de tarifas entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Já o Plano Real, lançado em 1994, controlou a inflação crônica que corroía a economia havia décadas e, ao estabilizar a moeda, tornou o país mais atraente para o capital estrangeiro, consolidando a nova fase de abertura.
A abertura da economia levou a uma onda de novos investimentos estrangeiros diretos, possibilitando a retomada do crescimento industrial dentro da nova lógica produtiva e não mais daquela de substituição de importações. As indústrias instaladas no país desde 1990 passaram a fazer parte das chamadas cadeias produtivas.
Hoje as indústrias dispõem de pequenas unidades produtivas com reduzida mão de obra e com a utilização intensa de tecnologia. Com essas características, elas podem abrir ou fechar suas unidades mais facilmente em qualquer parte do globo.
As primeiras consequências desse processo no Brasil repercutiram na política de privatizações e no processo de desconcentração industrial.
A política de privatizações
A ampliação da venda das estatais, ou a estruturação da política de privatizações se intensificou a partir da década de 1990. No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), primeiro mandato, os setores incluídos nesse política foram: infraestruturas de energia, transporte e telecomunicações, que eram antes monopolizados pelo Estado, entre elas a Companhia Vale do Rio Doce.
A compra no exterior de máquinas e equipamentos industriais de última geração possibilitou modernizar o parque industrial e aumentar a produtividade, mas, por outro lado, acarretou o desemprego estrutural.
Houve uma melhoria na qualidade dos produtos nacionais, pois deviam concorrer com mercadorias importadas, e os preços passaram a beneficiar os consumidores. Essa abertura econômica, portanto, provocou um aumento no número de empresas multinacionais e uma diversificação de marcas, além de uma dispersão espacial das fábricas, que saíram do núcleo de São Paulo no Sudeste em busca de melhores condições pelo território brasileiro. Veja o mapa:
Brasil: principais centros da indústria automobilística - 2014
O desenvolvimento dos meios de transporte, comunicações, energia, aliado a grande concentração populacional, a organização dos trabalhadores, além do aumento do preço do solo urbano, levaram as empresas a procurarem locais mais vantajosos para o aumento de seus lucros. O Estado contribui promovendo incentivos fiscais, transformando o território em uma verdadeira "guerra de lugares". Entretanto, mesmo que algumas indústrias tenham se transferido para outras regiões, o Centro-Sul ainda possui os centros de decisão da economia.
Fatores locacionais: a teoria da localização industrial
Toda indústria, ao decidir onde se instalar, avalia um conjunto de vantagens e desvantagens de cada local disponível. O estudo sistemático dessas escolhas é chamado de teoria da localização industrial, cujo pioneiro foi o economista alemão Alfred Weber (1868-1958). Weber partiu de uma pergunta simples: qual é o local onde uma fábrica consegue produzir gastando o mínimo possível?
Para responder, ele imaginou o chamado triângulo locacional: a indústria se posiciona entre três polos, a fonte de matéria-prima, a fonte de mão de obra e o mercado consumidor, buscando o ponto de menor custo total. Weber identificou três grupos de fatores que puxam a indústria para um lado ou outro desse triângulo:
Fatores locacionais de Weber:
- custo de transporte: indústrias que usam matéria-prima pesada ou perecível (como siderurgia ou laticínios) tendem a se instalar perto da fonte da matéria-prima; as que fabricam produtos mais leves e duráveis tendem a se aproximar do mercado consumidor;
- custo da mão de obra: uma região com salários mais baixos pode compensar um custo de transporte maior, atraindo indústrias que dependem de bastante mão de obra;
- forças de aglomeração e desaglomeração: instalar-se perto de outras indústrias e fornecedores reduz custos (economias de aglomeração), mas o excesso de empresas numa mesma área também eleva o preço da terra, o trânsito e a poluição, empurrando fábricas para outros lugares (deseconomias de aglomeração).
Esses fatores clássicos continuam válidos, mas hoje se somam a outros: incentivos fiscais oferecidos por Estados e municípios, proximidade de universidades e centros de pesquisa (como se vê nos tecnopolos), qualidade da infraestrutura logística e, cada vez mais, a disponibilidade de redes de telecomunicação, já que a revolução técnico-científica reduziu a dependência de proximidade física entre fábrica, fornecedores e consumidores para diversos ramos da indústria.
Um exemplo extremo de economia de aglomeração é a fábrica de caminhões e ônibus da Volkswagen em Resende (RJ), inaugurada em 1996. Ali, a montadora criou o chamado Consórcio Modular: oito fornecedores diferentes, responsáveis por peças como chassi, eixos, motor e pintura, foram instalados dentro do próprio complexo industrial, junto à linha de montagem. Essa proximidade radical reduziu custos de transporte interno e de estoque a praticamente zero, mostrando até que ponto os fatores locacionais clássicos de Weber ainda orientam decisões industriais no Brasil contemporâneo.
A desconcentração industrial e a guerra de lugares
Nesse cenário de desconcentração industrial com distribuição das indústrias pelo território, há algumas causas e consequências mais imediatas que podem ser analisadas.
A histórica concentração industrial começou a se alterar a partir da década de 1970, quando o poder público iniciou uma série de planejamentos a fim de gerar uma maior democratização no espaço industrial do país. Uma das medidas foi a criação da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).
Outra ação foi a autorização do Governo Federal dada aos governos estaduais a promoverem incentivos fiscais para a presença de indústrias em seus territórios. Com isso, teve início a chamada Guerra Fiscal ou Guerra dos Lugares, em que as unidades federativas, por meio de isenções de impostos e outros benefícios, passaram a competir pela manutenção de empresas em suas localidades, a fim de dinamizar suas economias e elevar a quantidade de empregos. Soma-se a essas questões políticas o fato de que, com os avanços tecnológicos nos meios de transporte e comunicações, não eram mais necessárias uma aglomeração industrial e, tampouco, a proximidade entre indústria e mercado consumidor.
Por isso, muitas empresas resolveram migrar para regiões interioranas e cidades médias, longe dos problemas relacionados às grandes cidades.
Algumas causas:
- guerra fiscal;
- aumento dos custos ambientais;
- ampliação de impostos nas grandes cidades;
- aumento do preço da terra nas áreas centrais;
- problemas de tráfego na região metropolitana;
- busca de áreas com fraca organização sindical;
- aumento dos custos dos serviços públicos urbanos.
Algumas consequências:
- incremento do setor terciário;
- extinção de postos de trabalho;
- aumento da taxa de desemprego;
- processo de desmetropolização, ou seja, crescimento lento em relação às cidades de porte médio do interior;
- mudança do destino das correntes migratórias, voltadas agora para o interior do estado e para o retorno de nordestinos a seu estado de origem.
Organizado e revisado pelo autor.
Um episódio conhecido ilustra bem essa guerra fiscal na prática: em 1999, o governo do Rio Grande do Sul rompeu o contrato que havia assinado com a montadora Ford para a instalação de uma fábrica no Estado, alegando que o acordo era prejudicial aos cofres públicos. A Bahia entrou então na disputa, oferecendo terreno nivelado, infraestrutura pronta e isenções fiscais ainda maiores, além de financiamento do BNDES, condições mais vantajosas do que as oferecidas pelos gaúchos. A Ford optou pela Bahia, e a fábrica foi inaugurada em Camaçari em 2001. O caso ficou conhecido como um dos exemplos mais claros de como a disputa entre Estados por uma única fábrica pode chegar a valer centenas de milhões de reais em incentivos.
As regiões industriais no território brasileiro
A partir do mapa, embora a atividade industrial nos últimos anos no Brasil tenha sofrido um processo de desconcentração industrial, vemos que ainda as regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte das indústrias no país.
Brasil: distribuição do valor industrial por município - 2009
Fonte: (ABDAL, 2020).
Particularmente no Estado de São Paulo, observa-se o maior parque industrial brasileiro. A partir da década de 1950, com a vinda das montadoras de automóveis, que se instalaram no chamado ABCD, nos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema, na região metropolitana de São Paulo, isso impulsionou fortemente a industrialização desse Estado.
Entretanto, a abertura econômica alterou significativamente essa região. Fábricas antigas foram fechadas ou se transferiram para outras áreas em busca de mão de obra menos organizada (pressão dos sindicatos) e mais barata, com menores impostos, benefícios fiscais, dentre outras razões. Soma-se a isso a diminuição dos trabalhadores decorrente dos avanços proporcionados pela Revolução Científico-Tecnológica. A empresa Volkswagen, por exemplo, chegou a ter mais de 40 mil trabalhadores no auge da década de 1970 e hoje conta com cerca de 13 mil funcionários em todo o Brasil.
Apesar das discordâncias sobre as características do processo de desindustrialização, o fato é que ele existe. Não significa, necessariamente, uma perda de posição ou decadência econômica da metrópole de São Paulo. O setor de serviços ainda ocupa a maior parte da mão de obra na Região Sudeste, visto que, mesmo contendo grande parte da produção industrial, a produção tende a utilizar menos mão de obra e mais tecnologia.
Esse processo de mudança de indústria para outras localidades ocorreu no entorno da capital paulista com destaque para a região de Campinas, que viveu recentemente um intenso crescimento urbano decorrente do dinamismo industrial recente. Cientistas ligados a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a outros centros de pesquisas atraíram investimentos para a produção de equipamentos de telecomunicações e de informática, por exemplo. A proximidade geográfica com a Grande São Paulo e as rodovias Bandeirantes e Anhanguera facilitaram esse processo de crescimento industrial. Veja o mapa abaixo:
Há outros polos tecnológicos além de São Paulo como São José dos Campos, nas margens da via Dutra, com indústrias químicas, farmacêuticas e aeronáutica. Esta última é ligada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, setor da Força Aérea do Brasil que coordena esforços nas área de tecnologia, ensino (Instituto Tecnológico Aeronáutico - ITA) e atividades aeroespaciais (Empresa Brasileira de Aeronáutica - EMBRAER). São Carlos também se destaca com as indústrias de óptica, informática, instrumentação e mecânica de precisão.
Ainda no Sudeste destaca-se a região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, bem como as instalações do Porto de Tubarão no Espírito Santo, que foram responsáveis por atrair os investimentos em siderurgia.
Essa região está localizada no sudeste de Belo Horizonte entre as cidades de Sabará, Santa Bárbara, Mariana, Congonhas, Ouro Preto, dentre outras. Completam esse cenário as indústrias siderúrgicas instaladas no vale do Rio Doce, que corre para o Norte de Minas e depois para o Leste, já no Espírito Santo, dando origem a um corredor industrial conhecido como Vale do Aço.
No Espírito Santo encontra-se indústrias de celulose, como a Suzano, integrada a vastas áreas de plantio de eucaliptos e a um porto privativo, o Portocel. Essa região é articulada com o mercado global e faz com que o Brasil ocupe uma posição de destaque como grande exportador de minérios e celulose. Santa Rita do Sapucaí é, da mesma forma, um tecnopolo onde se desenvolvem indústrias do ramo da eletrônica e das comunicações.
Na Região Sul, a região metropolitana de Curitiba possui o maior destaque, com indústrias de ponta nas áreas de informática, eletroeletrônica, mecânica de precisão, microeletrônica, biotecnologia, química fina, tecnologia de alimentos, dentre outras, além do centro de montadoras de automóveis em São José dos Pinhais. Já em Santa Catarina, a produção industrial se concentra no vale do Itajaí, principalmente em Joinville, com forte presença de atividades metalúrgicas, tecnologia de alimentos e agropecuária, e no entorno de Brusque e Blumenau de forma expressiva com o setor têxtil e de confecção. Florianópolis destaca-se na produção de itens de informática, mecânica de precisão e eletrônica.
No Rio Grande do Sul o parque industrial envolve a região metropolitana de Porto Alegre. O eixo industrial está ligado aos municípios de Canoas, Esteio, São Leopoldo e Novo Hamburgo, centro de uma das principais áreas de produção de couros e calçados do pais, conforme o mapa abaixo:
No Nordeste, antes preponderante agrícola, recebeu diversos investimentos industriais, principalmente a partir da segunda metade do século XX, com fortes incentivos governamentais.
Combinadas com o processo de urbanização e o desenvolvimento econômico das últimas décadas, as atividades industriais se expandiram na Zona da Mata.
Na região metropolitana de Recife, por exemplo, destacam-se os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. Entretanto, o maior distrito industrial está localizado no Recôncavo Baiano, onde se localizam Salvador e as indústrias dos setores petroquímico, automotivo e de autopeças de Camaçari. Além disso, Campina Grande, na Paraíba, é um importante tecnopolo, com destaque nas áreas de eletroeletrônica, informática e telecomunicações.
Outro exemplo marcante de desconcentração no Nordeste é o Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, onde a Stellantis (então Fiat) inaugurou em 2015 uma fábrica de veículos das marcas Jeep, Fiat e Ram, atraída por incentivos fiscais estaduais e federais. O impacto local foi expressivo: o município saltou da 13ª posição no PIB estadual em 2010, com 0,83% de participação, para a 4ª posição em 2019, já com 5,17% do PIB de Pernambuco, um retrato direto de como a chegada de uma única grande indústria pode reorganizar a economia de uma região inteira.
Por fim, na Região Norte do país temos uma área criada através de incentivos fiscais: a Zona Franca de Manaus. Ela foi criada por decreto em 1967, durante a ditadura militar, como uma área de livre-comércio de importações e exportações (sem cobrança de impostos de importação), em que grande parte das montadoras utiliza componentes estrangeiros em suas linhas de produção. As empresas instaladas nessa área recebem grandes subsídios. Hoje o Polo Industrial de Manaus reúne cerca de 600 empresas, empregou diretamente mais de 127 mil trabalhadores ao final de 2024 e faturou R$ 204,4 bilhões naquele ano, um recorde histórico, o que mostra como um incentivo fiscal bem direcionado pode sustentar, décadas depois, um polo industrial relevante no meio da Floresta Amazônica, bem longe do eixo tradicional Sul-Sudeste.
Já na Região Centro-Oeste, historicamente ligada à pecuária e ao agronegócio, o principal polo industrial está em Anápolis, Goiás, no chamado Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA). Favorecido pela localização central no país, por incentivos fiscais e pela proximidade do Porto Seco de Anápolis, o distrito se tornou o segundo maior polo farmoquímico do Brasil, respondendo por cerca de 20% dos medicamentos produzidos no país, com laboratórios como Teuto, Neo Química e Brainfarma, além de uma montadora de automóveis. Esse crescimento industrial no Centro-Oeste mostra como a desconcentração não beneficiou apenas o entorno de São Paulo, mas também regiões antes quase exclusivamente agrícolas, reforçando a tendência de interiorização discutida ao longo desta aula.
Todo esse mosaico de polos industriais espalhados pelo território só funciona porque existe uma rede de transporte capaz de ligar fábricas, portos, fornecedores e consumidores a milhares de quilômetros de distância. Na próxima aula, vamos justamente estudar o sistema de transportes do Brasil, os modais rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo, e entender por que a matriz brasileira, tão dependente das rodovias, ainda enfrenta tantos gargalos logísticos.
QUESTÃO PRÁTICA
Um dos fatores responsáveis pelo processo de desconcentração industrial do Brasil refere-se:
QUESTÃO PRÁTICA
Com o avanço da ciência, técnica e informação surge uma nova divisão territorial do trabalho no Brasil, isso pode gerar:
QUESTÃO PRÁTICA
As principais atividades dessa região estão ligadas a siderurgia e metalurgia; petrolífera; alta tecnologia; além de setores da indústria de informática, avião e importantes centros de pesquisa do país. Trata-se da região:
Infográfico - Resumo
Fonte: Organizado e revisado pelo autor.
Não existe pergunta boba! A Ciência é feita de perguntas!
P: O que são tecnopolos?
R: Alguns centros industriais desenvolvem tecnologias de ponta graças à união entre indústrias, universidades e centros de pesquisa que realizam intercâmbio de informações, em busca da excelência produtiva. Tais centros são conhecidos como tecnopolos.
P: O que é teoria da localização industrial?
R:
A teoria da localização industrial, grosso modo, formula problemas e trabalha com os chamados fatores locacionais por meio de questões como: Qual a razão de uma indústria se instalar em um lugar e não em outro? Por exemplo, alguém pode questionar: qual a relação entre os fatores locacionais e a industrialização em São Paulo?
Os fatores locacionais como transporte, trabalho, matérias-primas, mercados, locais apropriados, serviços, atitudes governamentais, estrutura de impostos, clima, sindicatos etc interferem na localização das indústrias.
A região Sudeste, por exemplo, reuniu um conjunto de variáveis que a tornou promissora na indústria. Essa região possuía uma rede de transporte mais consolidada, linhas férreas e estradas, disponibilidade para mão de obra fabril (imigrantes) e locais apropriados com energia e matérias-primas.
P: Qual o efeito da industrialização sobre o espaço geográfico?
R: Tanto a industrialização como o espaço geográfico condicionam um ao outro. A industrialização promove uma maior concentração industrial, sobretudo no século XX, resultou em uma intensificação do processo de urbanização, além de um incremento do setor de serviços e uma forte pressão dos recursos naturais. Já o espaço geográfico pode oferecer recursos como minérios, solo de qualidade, planície e recursos hídricos e assim por diante.
QUESTÃO ABERTA
Um exercício para reforçar alguns conceitos.
Segundo a teoria de Weber, que tipo de força faz com que várias indústrias queiram se instalar próximas umas das outras, mesmo isso aumentando o preço da terra e o trânsito na região?
Que disputa entre Estados e municípios, feita por meio de isenção de impostos e outros benefícios, ajuda a explicar por que as fábricas passaram a se instalar longe do eixo tradicional de São Paulo?
Questões para o caderno
1. Quais são alguns problemas enfrentados pela indústria brasileira atualmente?
2. O que é o desemprego estrutural?
3. O que levou ao início da chamada "guerra fiscal"?
4. Quais são algumas causas da desconcentração industrial no Brasil?
5. Quais são algumas consequências da desconcentração industrial?
6. O que é um tecnopolo?
7. O que é a teoria da localização industrial?
8. O que são "cadeias produtivas" no contexto da globalização?
9. Cite três polos industriais fora do eixo de São Paulo e a atividade econômica de cada um.
10. O que foi a Zona Franca de Manaus e qual era seu objetivo?
Antes de finalizar, vamos fazer as questões!
