OUVIR AULA

Aperte o play e acompanhe a leitura com narração exclusiva.

Conteúdo:

Objetivo:


Introdução

Na aula passada, vimos os principais meios de transporte do Brasil, como o rodoviário, o ferroviário, o hidroviário, o aéreo e o dutoviário.

Hoje, vamos estudar o que permite o funcionamento de toda essa engrenagem que é forma o país: as fontes de energia, como o petróleo, carvão mineral e gás natural.

Energia, transporte e telecomunicações são os pilares da infraestrutura econômica e industrial de um país. Eles são importantes para o progresso e também mostram o quão desenvolvido ele é ou pode vir a ser.

Assim como no sistema de transportes que vimos na última aula, a energia também tem sua própria geografia: nem toda fonte está disponível em qualquer lugar, e a decisão de explorar petróleo no fundo do oceano, carvão nas encostas do Sul ou gás nas bacias litorâneas envolve custos, riscos e disputas que moldam o território brasileiro. Vamos entender de onde vem, afinal, a energia que movimenta o país.


A Energia move o Mundo

O que é Energia?

É um produto da natureza que é a base para todo o funcionamento do mundo e por que não dizer do universo. A energia pode ser química, mecânica, térmica, elétrica, hidráulica ou de radiação.

Temos que considerar dois tipos de fontes de energia. A primeira é aquele tipo de energia que se renova e faz parte de um ciclo da natureza e não tem limite de utilização. Trata-se das Energias renováveis, como água, ventos, biomassa e energia solar.

Há também aquele tipo de energia que possui um limite para ser utilizada, pois a velocidade de reposição natural é muito baixa. Essas são as Energias não-renováveis, como carvão, petróleo e gás natural.

Na aula de hoje, vamos estudar as Energias não-renováveis e nas aulas seguintes veremos outras fontes da Matriz energética brasileira. O Brasil é um país que possui acesso a diversas fontes de energia, mas é importante saber como elas funcionam para garantir que sejam usadas de maneira correta e eficiente.

Já a matriz energética é o conjunto de fontes de energia utilizadas por uma sociedade em todos os seus setores: indústrias, agricultura, residências, transportes etc. No Brasil, temos acesso a várias fontes de energia, então vamos ver como elas se dividem nessa matriz.

Matriz Energética Brasileira 2021

ts13f01 Fonte: BEN (2023).

As principais fontes de energia do Brasil são:

  • Petróleo: fornece gasolina, óleo diesel, querosene, e gera eletricidade em algumas usinas termelétricas;
  • Energia hidráulica: produz eletricidade por meio das usinas hidrelétricas;
  • Carvão mineral: fornece calor para os altos-fornos das indústrias siderúrgicas e gera eletricidade em algumas usinas termelétricas;
  • Biocombustíveis: não podemos esquecer dos biocombustíveis, como o álcool, que é usado como combustível para automóveis desde a década de 1970.
  • Outras: o gás natural, o átomo (energia nuclear), o xisto betuminoso, a lenha, o carvão vegetal e a energia solar também podem ser considerados fontes de energia importantes para o país.

As principais fontes de energia disponíveis no Brasil, de acordo com o gráfico, são o petróleo em primeiro lugar, seguido pelos derivados de cana-de-açúcar e pelo gás natural.

Mas o Brasil não possui dezenas de hidrelétricas? Sim, ele possui e essas hidrelétricas formam a Matriz elétrica do país. Ela é tão importante que vai ter uma aula só para essa questão.

Então, como ficou a repartição das fontes de energia no Brasil tendo em vista o critério de energias limpas ou aquelas não tão limpas assim? Veja ai abaixo:

ts13f02 Fonte: BEN (2023, p.14).

A maior parte são fontes de energia não renováveis. É literalmente a queima do combustível, isto é, lenha, carvão mineral, petróleo, gás natural, urânio, lixívia, dentre outros.

×

A Lixívia ou resíduos de licor negro é outro derivado da madeira que é bastante utilizado como combustível para a geração de energia elétrica. O licor negro, também conhecido como lixívia negra, é um resíduo líquido proveniente do digestor após o processo de cozimento da madeira.

Veja na imagem os destinos das principais fontes de energia no Brasil:

ts13f03 Fonte: Vesentini (2013).

O buraco é mais embaixo

Traduzindo esse ditado popular, a situação das fontes de energia possuem nuances e detalhes que as tornam mais complexas do que parecem à primeira vista. Isso porque ambas as fontes têm seus problemas.

A poluição causada pelas fontes de energia não renováveis é alarmante. Os combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e xisto betuminoso, são os principais responsáveis pela degradação do meio ambiente, causando danos irreparáveis nos oceanos, atmosfera, solos e rios. O risco de catástrofes devido a acidentes em usinas nucleares é uma ameaça constante e a poluição causada por essas fontes de energia é cada vez mais alvo de discussões internacionais.

Mesmo as fontes de energia renováveis não escapam desses impactos ambientais negativos. A lenha e o carvão vegetal, por exemplo, são altamente poluentes e causam problemas ecológicos graves, enquanto a energia hidráulica destrói paisagens naturais e provoca a perda de cultivos agrícolas e riquezas arqueológicas. A energia hidrelétrica também apresenta problemas sazonais, como a menor produção durante épocas de seca.

Agora que sabemos que a energia é importante, seus tipos principais, vamos ver com mais detalhes aquele produto que alimenta os carros, o fogão das nossas casas, as indústrias, ou seja o controverso petróleo.


Petróleo

O petróleo é uma mistura complexa de hidrocarbonetos, que é encontrada principalmente nas camadas subterrâneas da Terra. Ele é composto principalmente por hidrocarbonetos lineares e ramificados, como o metano, etano, propano e butano. Esses hidrocarbonetos são derivados da decomposição de matéria orgânica que ocorreu há milhões de anos.

A extração do petróleo é um processo complexo e caro, que envolve a perfuração de poços para chegar às camadas subterrâneas onde o petróleo está presente. Uma vez extraído, o petróleo é transportado para refinarias onde é submetido a um processo de destilação fracionada, que permite separar os diferentes componentes do petróleo, produzindo diferentes tipos de combustíveis e outros produtos químicos.

Os principais produtos derivados do petróleo incluem gasolina e diesel para veículos, querosene para aviões, óleos lubrificantes, óleo combustível, asfalto e outros produtos químicos. Esses produtos são amplamente utilizados em nossa sociedade e têm uma grande importância econômica. Por exemplo, a gasolina é usada para abastecer os automóveis e veículos de transporte, o querosene é usado para abastecer aviões, e os óleos lubrificantes são usados para manter as máquinas e equipamentos em boas condições de funcionamento.

No Brasil, a Petrobras foi fundada em 1953, durante o governo de Getúlio Vargas, com o objetivo de explorar o petróleo brasileiro sob monopólio estatal. Esse monopólio durou até 1997, quando a chamada Lei do Petróleo (Lei 9.478) abriu o setor à participação de outras empresas e criou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para regular as concessões de exploração e produção nas bacias sedimentares terrestres e marítimas do país. Hoje, a União continua sendo dona das reservas, mas a exploração é feita por diversas empresas (entre elas a própria Petrobras, que segue como a maior operadora do país) mediante contratos de concessão ou partilha de produção.

O petróleo e seus derivados respondem por cerca de 35% da oferta de energia no Brasil (BEN, 2024). E adivinhem só, ele já é quase todo produzido aqui dentro! A produção diária gira em torno de 3,4 milhões de barris, volume que supera o consumo interno do país, de aproximadamente 2,5 a 3,3 milhões de barris por dia, dependendo do ano (ANP).

Mas vocês sabiam que o Brasil só se tornou autossuficiente em petróleo bruto em 2006, depois de 68 anos de produção desde o primeiro poço, perfurado na Bahia em 1938? Antes disso, o país importava boa parte do petróleo que consumia, principalmente do Oriente Médio, e por isso muitas refinarias brasileiras foram projetadas para processar petróleo mais pesado, diferente do que produzimos aqui. Mesmo autossuficiente em petróleo bruto, o Brasil ainda importa parte dos derivados (como cerca de 30% do diesel consumido) porque é mais vantajoso misturar (fazer o chamado blend) o petróleo nacional com variedades importadas para facilitar o refino. Olha a contradição, produzimos bastante petróleo, mas na hora de utilizá-lo ainda dependemos da tecnologia de fora.

E a produção nacional de petróleo concentra-se principalmente no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, São Paulo e Amazonas. E olha só, ela já é suficiente para atender a todo o consumo interno do país!

E além de ser uma fonte de energia, o petróleo também é importante matéria-prima para vários tipos de indústria, como plásticos, borrachas sintéticas, fertilizantes, inseticidas, pesticidas, medicamentos e produtos químicos.

A camada Pré-Sal

Quais são as principais áreas produtoras de petróleo no Brasil?

Há várias áreas que produzem esse precioso combustível, desde a Bahia até o Rio de Janeiro.

A região de Campos, no Rio de Janeiro, é a principal produtora, mas há outras como a Recôncavo Baiano, a bacia do Espírito Santo, as bacias de Sergipe-Alagoas e do Rio Grande do Norte, e a bacia sedimentar amazônica.

ts13f04 Fonte: anp.gov.br

Mas o grande potencial do Brasil está nas áreas do pré-sal. Elas ficam além da plataforma continental, no mar profundo, e são formadas por rochas sedimentares antigas, formadas há 150 milhões de anos. As estimativas para o potencial total de petróleo e gás natural do pré-sal variam bastante, entre 50 e 100 bilhões de barris segundo diferentes estudos. Já as reservas comprovadas de petróleo do Brasil ultrapassam 17 bilhões de barris, das quais mais de 80% estão concentradas justamente no pré-sal (ANP, 2025), o que coloca o país entre os dez com maiores reservas do mundo.

ts13f05 Fonte: www.naval.com.br

Imagine uma camada de sal com espessura de até 2 mil metros, escondendo reservas incríveis de petróleo e gás natural. Isso é o pré-sal, uma descoberta que, desde os primeiros poços exploratórios no fim dos anos 2000, colocou o Brasil em uma posição privilegiada como produtor e exportador de energia.

Extrair petróleo dali não é tarefa simples: contando a lâmina d'água, a espessa camada de sal e as rochas até o reservatório, a distância entre a plataforma e o petróleo pode ultrapassar 7 mil metros, quase a altura do pico mais alto da Cordilheira dos Andes. Para dar conta disso, a Petrobras opera uma frota de plataformas flutuantes chamadas FPSO (sigla em inglês para unidade de produção, armazenamento e transferência), capazes de operar em águas com até 3 mil metros de profundidade. Some-se a isso a própria camada de sal, que pode ter entre 1,5 e 2 mil metros de espessura e se comporta de forma quase plástica sob a pressão e a temperatura do fundo do mar, "esmagando" lentamente os equipamentos de perfuração ao longo do tempo. O desafio tecnológico foi tão grande que o Brasil se tornou uma referência mundial em exploração de petróleo em águas ultraprofundas, exportando esse conhecimento para outros países produtores.

Para garantir que a União, os estados e os municípios recebam parte da riqueza gerada por esse recurso não renovável, o governo cobra das empresas o chamado sistema de royalties. Mas o que são royalties?

Os royalties no setor petrolífero são pagamentos feitos pelas empresas concessionárias à União, aos estados e aos municípios produtores como compensação pela exploração de um recurso público e não renovável, calculados com base no volume produzido e no preço do petróleo. Parte importante desse dinheiro é destinada a áreas como Educação, Saúde e infraestrutura dos municípios produtores.

Mas nem tudo relacionado ao petróleo é produção e royalties: o transporte marítimo desse recurso também carrega riscos ambientais graves. Em 2019, o Brasil enfrentou seu maior desastre desse tipo: mais de duas mil quilômetros de litoral, entre o Nordeste e o Sudeste, foram atingidos por um vazamento de óleo cru que sujou mais de 230 praias em 11 Estados. As investigações concluíram que o óleo veio de um navio petroleiro de bandeira grega que vazou a mais de 700 km da costa brasileira, no fim de julho daquele ano, mas os primeiros registros só apareceram nas praias semanas depois. Mais de mil toneladas de resíduos oleosos foram recolhidas, e o desastre afetou manguezais, recifes de coral, tartarugas e a pesca artesanal de centenas de comunidades litorâneas, mostrando que os riscos do petróleo não terminam quando ele sai do poço, e que um acidente a centenas de quilômetros da costa pode levar semanas para ser percebido e ainda assim afetar dezenas de milhares de pessoas que vivem da pesca e do turismo.

Quais são as outras fontes de energia não renováveis mais significativas no Brasil? É o que vamos ver agora com o carvão mineral e o gás natural.


QUESTÃO PRÁTICA

Qual é a principal riqueza mineral encontrada no petróleo?

Carvão Mineral

Vamos regressar no tempo de volta ao primeiro ano e revisitar um dos nossos primeiros assuntos: o Carvão Mineral. O carvão é uma velha conhecida da humanidade, sendo utilizada há séculos como fonte de energia. Mas você sabe como ele é formado? Bem, é uma história longa que começa há milhões de anos, quando a Terra era um verdadeiro paraíso para as plantas. Elas cresciam e morriam sem parar, e com o passar do tempo, toda essa matéria orgânica acabou se acumulando e se compactando. Com altas pressões e temperaturas, a matéria orgânica foi transformada em hidrocarbonetos e, voilà, nasceu o carvão.

Mas não pense que é só cavar a terra que o carvão aparece, não é tão fácil assim. Ele pode ser encontrado em minas subterrâneas ou em superfície, e para extraí-lo é preciso muito esforço e tecnologia. Mas, vale a pena? Claro que sim! O carvão é utilizado em inúmeras atividades cotidianas, como na geração de energia elétrica que permite iluminar nossos lares, ou na produção de aço, que é usado na construção de prédios, pontes, carros e até mesmo panelas (é, a sua panela preferida provavelmente já teve uma vida como carvão).

Mas, claro, tudo tem um preço, e o carvão não é diferente. Além de ser uma fonte de energia não renovável, o uso do carvão também gera emissões de gases poluentes, o que pode prejudicar o meio ambiente. Por isso, é importante buscarmos fontes de energia mais limpas e renováveis. Mas, por enquanto, o carvão ainda é uma fonte importante e presente no nosso cotidiano. Então, na próxima vez que você ligar a luz, pense no carvão mineral e agradeça por ele ter sido formado há milhões de anos.

Vamos conhecer mais sobre a história do carvão mineral no Brasil! As reservas mais abundantes desse recurso não renovável encontram-se no sul do país, remontando à era Paleozoica, há milhões de anos. Em comparação com o resto do mundo, o Brasil detém apenas cerca de 1% das reservas mundiais, ocupando a 10ª posição no ranking global, mas ainda assim quase 90% dessas reservas estão localizadas no estado do Rio Grande do Sul, sobretudo na jazida de Candiota, que sozinha concentra cerca de 38% de todo o carvão nacional.

Porém, mesmo com esse grande potencial, o consumo nacional de carvão ainda é muito baixo perto do consumo mundial. Isso se deve a algumas restrições, como os altos teores de cinza e enxofre presentes na maioria do carvão brasileiro.

Mas não se preocupe, ainda existe esperança! Os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os principais responsáveis pela produção de carvão mineral no país, e é em Santa Catarina que encontramos as jazidas de melhor qualidade, incluindo o único carvão coqueificável do Brasil.

×

Coqueificável: que pode ser transformado em coque por processos economicamente viáveis. O coque é um resíduo sólido da destilação do carvão (carbono praticamente puro), mais rico que este em capacidade calorífica e, portanto, mais adequado para produzir calor nos altos-fornos.

Vamos conhecer um pouco mais sobre a região Vale do Tubarão, onde se encontram as cidades de Criciúma, Lauro Müller, Siderópolis e Uruçanga. Esse é o local onde se extrai a maior parte do carvão brasileiro, que é transportado por ferrovia até o porto de Imbituba e, em seguida, enviado para as indústrias siderúrgicas do sudeste do país. Já no Rio Grande do Sul, a jazida de Candiota e a região do Baixo Jacuí concentram as principais áreas produtoras de carvão do estado.

Mais de um século de mineração deixou marcas profundas nessa região catarinense. Em 2000, a Justiça condenou as carboníferas e a União por crime ambiental cometido ao longo de gerações na bacia carbonífera de Criciúma, obrigando as empresas a recuperar minas abandonadas, reparar barragens de rejeitos e tratar os efluentes contaminados. Mesmo assim, quinze anos depois da condenação, apenas 35% da área degradada havia sido recuperada, e o passivo ambiental chegou a ser estimado em R$ 500 milhões. De olho no futuro, a Lei nº 14.299/2022 criou o Programa de Transição Energética Justa, com a meta de encerrar totalmente a geração de energia a partir do carvão mineral no Brasil até 2040, buscando ao mesmo tempo preparar economicamente os municípios que hoje dependem dessa atividade. É um exemplo de como uma fonte de energia pode continuar gerando custos ambientais e sociais décadas depois de suas minas terem sido abertas, muito depois de a energia já ter sido consumida.

ts13f06

É interessante ver como um recurso tão antigo ainda é tão importante na nossa vida cotidiana, não é mesmo? Vamos continuar a explorar e aprender mais sobre as fontes de energia e sua importância!

O outro lado da Moeda (ou do Carvão)

A produção e utilização do carvão como fonte de energia é uma atividade altamente prejudicial ao meio ambiente. Desde a extração das jazidas, passando pelo transporte e chegando à combustão, os impactos socioambientais são intensos e de graves consequências. A ocupação do solo exigida pela mineração afeta diretamente a vida da população, prejudicando recursos hídricos, fauna e flora locais. Além disso, o barulho, a poeira e a erosão provocados pela extração são fontes de incômodo para a população. O transporte também é fonte de poluição sonora e afeta o trânsito. No entanto, o maior e mais alarmante impacto é a quantidade de gases como óxidos de nitrogênio e dióxido de carbono, principalmente o CO2, emitidos durante a combustão do carvão. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o carvão é a fonte fóssil mais poluente por unidade de energia gerada e é responsável por mais de 40% das emissões globais de CO2 ligadas à energia, sendo o CO2 o principal agente do efeito estufa. Portanto, é fundamental que busquemos alternativas mais sustentáveis de produção de energia.


QUESTÃO PRÁTICA

Quais são as principais fontes de gás natural no Brasil?

Gás Natural

Também temos o gás natural, que é uma fonte de energia fóssil formada a partir da decomposição de matéria orgânica acumulada no subsolo há milhões de anos. Esse processo de decomposição, com o auxílio de altas pressões e temperaturas, transformou a matéria orgânica em hidrocarbonetos gasosos, como metano. O gás natural é extraído de reservatórios subterrâneos e é utilizado como combustível para gerar energia elétrica e calor, além de ser um importante insumo em diversas indústrias.

Se Você não sabia, agora já sabe!

O gasoduto Bolívia-Brasil é uma das maiores infraestruturas de transporte de gás natural da América do Sul, conectando a Bolívia, país produtor de gás, ao Brasil, um dos maiores consumidores da commodity na região. Foi inaugurado em 1999 e desde então tem sido uma fonte importante de gás para o Brasil.

ts13f07

No entanto, o gasoduto também tem sido fonte de conflitos políticos e econômicos entre os dois países. Em 1º de maio de 2006, o então presidente boliviano Evo Morales decretou a nacionalização da indústria de hidrocarbonetos do país, ocupando com tropas as refinarias que a Petrobras operava em território boliviano. No ano seguinte, a Petrobras vendeu essas refinarias ao governo boliviano, em um episódio que gerou fortes tensões diplomáticas e discussões sobre o preço do gás exportado ao Brasil.

Além disso, há também questões ambientais envolvidas no gasoduto: em seu trecho inicial, no Mato Grosso do Sul, ele atravessa áreas do Pantanal, um dos biomas mais sensíveis do país, além de terras cultivadas, serras e reservas ecológicas ao longo dos cinco estados por onde passa até chegar ao Rio Grande do Sul. Por isso, sua construção exigiu estudos de impacto ambiental e o remanejamento de trechos originais para preservar sítios arqueológicos e áreas de comunidades tradicionais.

Em resumo, o gasoduto Bolívia-Brasil é uma infraestrutura importante para o abastecimento de gás no Brasil, mas também é uma fonte de conflitos políticos, econômicos e ambientais entre os dois países.

Petróleo, carvão mineral e gás natural têm algo em comum além de serem combustíveis fósseis: ao serem queimados, todos liberam CO2 e outros gases que se acumulam na atmosfera e intensificam o efeito estufa. Essa é uma das pontes entre a matriz energética que estudamos hoje e o próximo assunto do curso, os climas do Brasil, já que entender de onde vem a energia que movimenta o país também ajuda a entender por que o clima do planeta está mudando.


QUESTÃO PRÁTICA

Quais são as consequências negativas da exploração do carvão mineral para o meio ambiente no Brasil?

Infográfico - Resumo

Infográfico resumo Fontes de Energia no Brasil Fonte: Organizado e revisado pelo autor.

Não existe pergunta boba! A Ciência é feita de perguntas!

P: Qual a relação entre o Petróleo e o desenvolvimento do Brasil?

R: O petróleo é considerado o combustível mais importante do século XX e continua a ter uma grande influência na economia mundial. No Brasil, o petróleo tem sido fundamental para o desenvolvimento capitalista, desde a década de 1950, quando o país começou a explorar suas reservas.

Com a produção crescente de petróleo, o Brasil se tornou um dos maiores produtores da América Latina, atraindo investimentos estrangeiros e estimulando a economia. A indústria do petróleo é responsável por grande parte da arrecadação de impostos, o que possibilita ao governo investir em infraestrutura, educação e saúde. Além disso, a produção de petróleo no Brasil também gerou empregos e crescimento econômico em regiões onde antes havia pouca atividade econômica.

No entanto, o petróleo também tem seus desafios, como a exploração em áreas sensíveis e a possibilidade de vazamentos, o que pode trazer graves consequências ambientais e sociais. Além disso, a dependência excessiva do petróleo pode ser perigosa para a economia brasileira, já que a oferta deste recurso é finita e sua produção pode ser afetada por mudanças políticas e econômicas.

Em resumo, o petróleo é um dos principais motores do desenvolvimento capitalista no Brasil, mas é importante considerar os desafios e riscos associados à sua exploração e produção. A busca por fontes de energia renovável e sustentáveis é cada vez mais necessária para garantir um futuro equilibrado e sustentável para o país e para o mundo.

P: Qual a importância do gás natural para o Brasil?

R: O Brasil é um dos maiores produtores de gás natural da América do Sul, com produção diária média de cerca de 153 milhões de metros cúbicos em 2024 (ANP).

Assim como o petróleo e o carvão, o gás natural é uma fonte de energia não renovável, mas é considerado um combustível fóssil mais limpo, já que sua queima libera menos poluentes e menos CO2 do que a do petróleo e a do carvão.

O Brasil tem vastos recursos de gás natural, especialmente na Bacia de Santos, no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, que responde por mais de 75% de toda a produção nacional de gás e é considerada o principal centro de produção do país.

O gás natural é utilizado como fonte de energia para geração de eletricidade, aquecimento e cozinha doméstica, além de servir como insumo para a indústria, especialmente na produção de fertilizantes e plásticos.

Nos últimos anos, o Brasil tem investido em infraestrutura para a importação e distribuição de gás natural, o que tem contribuído para a diversificação da matriz energética do país e para a redução de sua dependência de outros combustíveis fósseis.

P: Quais são os problemas da exploração do carvão mineral para o meio ambiente no Brasil?

R: A exploração do carvão mineral pode causar vários problemas ao meio ambiente no Brasil, alguns deles incluem:

  • Degradação do solo: As minas de carvão podem causar erosão do solo e degradação de florestas, prejudicando a biodiversidade e o equilíbrio ecológico.
  • Emissões poluentes: A queima do carvão libera gases poluentes, como dióxido de enxofre, óxido de nitrogênio e partículas, que contribuem para a poluição do ar.
  • Escassez de água: As minas de carvão requerem grandes quantidades de água para seu funcionamento, o que pode levar a escassez de água na região.
  • Impacto sobre comunidades locais: As minas de carvão podem afetar as comunidades locais, causando a perda de terras e fontes de renda, além de impactar a saúde pública.
  • Resíduos tóxicos: O carvão é processado em usinas termelétricas, gerando resíduos tóxicos que precisam ser gerenciados de forma adequada para evitar contaminação de rios, lagos e lençóis subterrâneos.
  • Mudanças climáticas: A queima de carvão libera grandes quantidades de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, que contribuem para as mudanças climáticas.

Por essas e outras razões, é importante que a exploração do carvão seja feita de maneira responsável e sustentável, buscando minimizar seus impactos negativos sobre o meio ambiente e as comunidades locais.





QUESTÃO ABERTA

Um exercício para reforçar alguns conceitos.

Sob que tipo de camada geológica, com até 2 mil metros de espessura, ficam escondidas as maiores reservas de petróleo e gás do Brasil?

Que medida tomada pelo governo boliviano em 2006, ocupando com tropas as refinarias da Petrobras em seu território, gerou fortes tensões em torno do gasoduto Bolívia-Brasil?


Questões para o caderno

1. O que é a matriz energética?

2. Quais são as principais fontes de energia no Brasil?

3. Qual é a diferença entre energias renováveis e não-renováveis?

4. O que são royalties no setor petrolífero?

5. Qual é a principal área produtora de petróleo no Brasil?

6. Como o carvão mineral é formado?

7. Quais foram os impactos da mineração de carvão em Criciúma, e o que a Lei 14.299/2022 pretende fazer até 2040?

8. O que é a camada pré-sal?

9. Qual é a importância do gás natural para o Brasil?

10. O que causou o vazamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste em 2019, e quais foram suas consequências?


Antes de finalizar, vamos fazer as questões!



Para saber mais:

Referências Bibliográficas

📚 Sugestões de Livros



0%