A Urbanização Mundial
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Objetivo:
Introdução
Na aula anterior, vimos a dinâmica da agropecuária mundial e os sistemas agrícolas.
Hoje, veremos o outro lado desse processo através da urbanização, isto é, o crescimento das cidades, das megacidades e megalópoles.
Nesta aula, exploraremos o que é urbanização, a metropolização, as cidades globais e as megacidades, além de analisar exemplos de países e dados atuais para uma visão crítica desse fenômeno.
O Que é Urbanização?
A urbanização refere-se ao processo pelo qual uma população cresce em centros urbanos, aumentando a proporção de pessoas que vivem nessas áreas em relação às áreas rurais. Ela envolve o desenvolvimento de infraestrutura urbana, como edifícios, estradas, sistemas de transporte, redes de abastecimento de água e energia, entre outros. A urbanização pode ser impulsionada por diversos fatores, como migração, industrialização, modernização agrícola e busca por oportunidades econômicas.
Segundo o relatório World Urbanization Prospects 2025, divulgado em novembro de 2025 pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UN DESA), as cidades hoje abrigam 45% da população mundial de 8,2 bilhões de pessoas. Esse número mais que dobrou desde 1950, quando apenas 20% dos 2,5 bilhões de habitantes do planeta viviam em áreas urbanas. É importante notar que esse relatório trouxe uma mudança de metodologia: pela primeira vez, a ONU passou a classificar os assentamentos humanos em três categorias (cidades, vilas e áreas rurais), em vez do critério binário urbano/rural usado anteriormente, o que torna a comparação com dados de anos passados mais complexa. A projeção é que, até 2050, dois terços de todo o crescimento populacional do planeta ocorram em cidades.
Essa nova metodologia, chamada de Grau de Urbanização, é uma abordagem geoespacial que usa uma grade de dados de população e densidade demográfica para classificar os assentamentos com mais precisão e permitir comparações internacionais mais confiáveis. Uma cidade, nessa nova definição, é um aglomerado com pelo menos 5.000 habitantes e densidade mínima de 300 pessoas por quilômetro quadrado. O limite mínimo de população para um assentamento ser considerado cidade também caiu de 300 mil para 50 mil habitantes, o que fez o número de cidades analisadas pela ONU saltar para mais de 12 mil ao redor do mundo.
Exemplo: China
A China é um exemplo impressionante de urbanização acelerada, o maior e mais rápido processo de
urbanização já registrado na história mundial. Em 1978, apenas 18% da população chinesa vivia em
cidades. Em 2011, pela primeira vez na história do país, o número de moradores urbanos ultrapassou o de
moradores rurais. Em 2024, a taxa de urbanização chinesa já havia chegado a 67%, o equivalente a 944
milhões de pessoas vivendo em áreas urbanas. Nos últimos anos, o país testemunhou um êxodo rural em
massa, com milhões de pessoas migrando das áreas rurais para as cidades em busca de trabalho e melhores
condições de vida. Cidades como Pequim, Xangai e Guangzhou cresceram exponencialmente, tornando-se
centros econômicos globais.
As Cidades: Urbanização e Principais Cidades do Mundo
As cidades são os centros da urbanização, onde a maioria da população mundial vive e trabalha. Elas desempenham um papel vital na economia global, na cultura, na política e no desenvolvimento humano.
As cidades mais populosas do mundo em 2025
| Posição | Aglomerado Urbano | País | População (2025) |
|---|---|---|---|
| 1 | Jacarta | Indonésia | ~42 milhões |
| 2 | Daca | Bangladesh | ~40 milhões |
| 3 | Tóquio | Japão | ~33 milhões |
De acordo com o mesmo relatório, Cairo, no Egito, é a única cidade fora da Ásia entre as dez mais populosas do planeta em 2025, o que reforça o peso do continente asiático na urbanização mundial atual. No total, o número de megacidades, isto é, áreas urbanas com 10 milhões de habitantes ou mais, quadruplicou entre 1975 e 2025, passando de 8 para 33, das quais mais da metade (19) está na Ásia. A projeção da ONU é que esse número suba para 37 até 2050, com cidades como Adis Abeba (Etiópia), Dar es Salaam (Tanzânia), Hajipur (Índia) e Kuala Lumpur (Malásia) ultrapassando a marca de 10 milhões de habitantes.
Apesar de toda a atenção que recebem, as megacidades não são onde vive a maior parte da população urbana do mundo: cidades pequenas e médias abrigam mais pessoas do que as megacidades e crescem em ritmo mais acelerado, principalmente na África e na Ásia. Das mais de 12 mil cidades analisadas pela ONU em 2025, 96% têm menos de 1 milhão de habitantes e 81% têm menos de 250 mil. O número total de cidades no mundo mais que dobrou entre 1975 e 2025, e a projeção é que ultrapasse 15 mil até 2050.
O crescimento urbano também não é uniforme: enquanto muitas cidades continuam se expandindo, outras perdem população mesmo em países que continuam crescendo. É o caso de grandes cidades como a Cidade do México e Chengdu, na China, que registraram queda populacional em 2025. Já nas áreas rurais, que ainda são o tipo de assentamento mais comum em 62 países (contra 116 em 1975), a África Subsaariana é a única região do mundo onde a população rural continua crescendo de forma significativa.
Fonte: https://www.nexojornal.com.br
Cidades Globais
Além do tamanho da população, algumas cidades se destacam pela influência que exercem sobre a economia e a política mundiais: são as chamadas cidades globais. O conceito foi criado pela socióloga holandesa-americana Saskia Sassen em 1991, na obra A Cidade Global, para descrever Londres, Nova Iorque e Tóquio como pontos estratégicos que comandam o sistema financeiro e comercial globalizado. O Globalization and World Cities Research Network (GaWC), da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, classifica as cidades globais em três níveis, de acordo com sua conectividade internacional: alfa, beta e gama. Nova Iorque é um exemplo de cidade global alfa, sendo um centro financeiro, cultural e de mídia que abriga a Bolsa de Valores de Nova Iorque e a sede das Nações Unidas. Outras cidades globais alfa incluem Londres, Xangai, Kuala Lumpur e São Paulo, a maior cidade brasileira.
Centralidade Urbana
A centralidade urbana refere-se à concentração de atividades, como comércio, serviços, lazer e cultura, no centro das cidades. Isso cria um núcleo dinâmico e movimentado, mas também pode levar a problemas de congestionamento, poluição e desigualdade. Em cidades muito grandes, esse padrão vem se transformando: em vez de um único centro histórico concentrando tudo, surgem múltiplos polos de centralidade espalhados pela mancha urbana, cada um funcionando como um pequeno centro para o bairro ou região ao seu redor. Alguns dos exemplos mais conhecidos de centralidade urbana no mundo são:
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Times Square, Nova Iorque, EUA
Um dos ícones mundiais de centralidade urbana, Times Square é conhecida por suas luzes brilhantes, teatros da Broadway, lojas de varejo, restaurantes e uma atmosfera vibrante que atrai milhões de turistas todos os anos.
Fonte: Pexels. Time Square, Nova Iorque, Estados
Unidos.
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Shibuya, Tóquio, Japão
Shibuya é um distrito movimentado de Tóquio, famoso por sua enorme interseção de pedestres (Shibuya Crossing), lojas de moda, restaurantes, cafés e vida noturna agitada. É um centro cultural e comercial da cidade.
Fonte: Pexels. Distrito de Shibuya, Tóquio, Japão.
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Xangai, China
Xangai é uma aglomeração urbana vibrante na China, conhecida por sua paisagem urbana impressionante, centros comerciais luxuosos e uma mistura de arquitetura moderna e histórica. A cidade é um importante centro financeiro e cultural, oferecendo uma variedade de opções para entretenimento, compras e gastronomia. Entre os destaques de Xangai estão a Torre Pérola Oriental, o Bund à beira-rio com seus edifícios históricos, o moderno distrito de Pudong com arranha-céus imponentes, além de uma vida noturna diversificada e movimentada. Xangai é um exemplo fascinante de urbanização acelerada, representando o dinamismo e a modernidade da China contemporânea.
Fonte: Pexels. Xangai, China.
Como a centralidade urbana impacta a vida dos cidadãos em termos de acesso a serviços e qualidade de vida?
QUESTÃO PRÁTICA 01
A gentrificação, observada em bairros centrais revitalizados de cidades como Nova Iorque, Londres e São Paulo, provoca principalmente:
QUESTÃO PRÁTICA 02
Segundo o texto, a tecnologia das cidades inteligentes (smart cities), sozinha, é capaz de:
Infográfico - Resumo
Fonte: Organizado e revisado pelo
autor.
"A pergunta não é uma marca de ignorância, mas sim um sinal de inteligência." (Sócrates).
P: Quais são os principais fatores que impulsionam a urbanização em países em desenvolvimento?
R: Os principais fatores que impulsionam a urbanização em países em desenvolvimento incluem o êxodo rural, migração interna em busca de oportunidades de emprego e melhoria de vida, industrialização e concentração de serviços e infraestrutura nas áreas urbanas.
P: Quais são os desafios enfrentados pelas megacidades em relação à infraestrutura e qualidade de vida?
R: As megacidades enfrentam desafios como congestionamento do tráfego, falta de moradia acessível, poluição do ar e da água, infraestrutura insuficiente para atender a uma população em rápido crescimento e desigualdade socioeconômica.
P: Como a urbanização desigual pode impactar a coesão social e a segurança nas cidades?
R: A urbanização desigual pode levar à formação de áreas segregadas, com disparidades significativas em termos de acesso a serviços básicos, oportunidades de emprego e educação. Isso pode resultar em tensões sociais, aumento da criminalidade e falta de coesão comunitária.
Resumindo
Nesta aula, vimos que a urbanização é o crescimento da população nas cidades em relação às áreas rurais, hoje impulsionado sobretudo pelo êxodo rural, pela industrialização e pela busca de oportunidades econômicas. Vimos também como esse crescimento gera a metropolização e a conurbação, formando megacidades e megalópoles, e como algumas cidades se tornam cidades globais por concentrarem funções de comando da economia mundial. Por fim, vimos que a urbanização não é um processo uniforme nem equitativo: cresce de forma desigual dentro das cidades e se distribui de forma desigual entre os países do mundo.
Na próxima aula, vamos entender como as cidades e os países se conectam por meio das redes do espaço geográfico: os fluxos internacionais de pessoas, informações, dinheiro e mercadorias, o papel das empresas multinacionais e das tecnologias da informação nessa nova configuração do mundo.
Questões para responder no caderno
1. O que é urbanização? Como o relatório da ONU de 2025 mudou a forma de medir esse processo?
2. O que é uma megacidade? Quantas existiam no mundo em 2025, e quantas são projetadas para 2050?
3. Por que Cairo se destaca entre as dez cidades mais populosas do mundo em 2025?
4. As cidades pequenas e médias abrigam mais ou menos pessoas do que as megacidades? Explique.
5. O que é metropolização? Qual é a diferença entre metropolização e conurbação?
6. Use os dados da Região Metropolitana de São Paulo para explicar os desafios de gestão de uma grande metrópole.
7. O que é uma cidade global? Cite o conceito de Saskia Sassen e dois exemplos de cidades globais alfa.
8. O que é êxodo rural? Dê um exemplo de país onde esse processo foi marcante.
9. Cite dois exemplos de disparidades que podem existir dentro de uma mesma cidade.
10. Por que algumas cidades grandes, como a Cidade do México, perdem população mesmo em países que continuam crescendo?
Antes de finalizar, vamos fazer as questões!