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Conteúdo:

Objetivo:


O que você já sabe sobre o Oriente Médio?

O Oriente Médio está nas notícias quase todos os dias. Gaza, Israel, Irã, Síria, Líbano, Iraque, Arábia Saudita. Nomes que aparecem em manchetes, mas muitas vezes sem contexto suficiente para entender o que realmente está acontecendo e por quê.

Antes de começar, responda no caderno:

Essas perguntas têm respostas complexas. Esta aula vai te ajudar a construí-las com base em geografia, história e geopolítica, não em simplificações.


O problema que esta aula vai iluminar

O Oriente Médio concentra mais de 50% das reservas mundiais de petróleo e 40% das de gás natural. Não por acaso, é também a região do mundo com mais intervenções militares estrangeiras no último século. A questão não é se o petróleo explica tudo, mas é impossível entender os conflitos da região sem entender quem controla esse recurso, quem quer controlá-lo e o que aconteceu com os povos que vivem sobre ele.

Ao mesmo tempo, a questão palestina é um dos conflitos mais documentados e debatidos do mundo, com mais de 75 anos de duração. Entendê-la exige olhar para o colonialismo britânico, a criação do Estado de Israel em 1948, o deslocamento do povo palestino e as décadas de ocupação militar que se seguiram.


Diversidade cultural do Oriente Médio

O termo "Oriente Médio" é em si uma designação europeia, criada pelos britânicos no século XIX para nomear a região entre a Europa e o "Oriente Extremo" (Ásia). Ele agrupa países muito diferentes em cultura, etnia, língua e religião.

Etnias principais:

  • Árabes: maioria da população em países como Egito, Arábia Saudita, Iraque, Síria, Jordânia, Líbano e territórios palestinos. Falam o árabe, mas com variações dialetais significativas.
  • Persas (iranianos): maioria no Irã, com língua (farsi) e cultura distintas dos árabes, embora compartilhem o Islã.
  • Turcos: maioria na Turquia, com língua própria e herança do Império Otomano.
  • Curdos: povo sem Estado próprio, espalhado por Turquia, Iraque, Síria e Irã, com língua e identidade distintas. São cerca de 35-40 milhões de pessoas, formando uma das maiores nações sem Estado do mundo.
  • Judeus israelenses: maioria em Israel, com origens em diásporas de todo o mundo.

Religiões: o Islã é a religião majoritária na região, mas com divisão fundamental entre sunitas (maioria na Arábia Saudita, Egito, Turquia) e xiitas (maioria no Irã, no Iraque e com forte presença no Líbano). Além do Islã, há comunidades cristãs antigas (Líbano, Egito, Síria) e o judaísmo, religião oficial de Israel. Jerusalém é cidade sagrada para as três religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e Islã), o que a torna epicentro de disputas simbólicas e políticas.

Mapa do Oriente Médio com distribuição étnica e religiosa: árabes, persas, turcos, curdos, sunitas, xiitas Diversidade étnica e religiosa do Oriente Médio. Fonte: elaboração própria.

O petróleo e a geopolítica da região

O Oriente Médio concentra as maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo. A Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos juntos detêm mais da metade do petróleo provado mundial. Esse recurso foi, e ainda é, o principal motivo pelo qual as grandes potências mantêm presença militar e política intensa na região.

A história do petróleo no Oriente Médio é uma história de interferência externa:

A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) foi criada em 1960 como instrumento de poder dos países produtores frente às empresas multinacionais do petróleo. O embargo de 1973, quando os países árabes cortaram o fornecimento de petróleo para os EUA e Europa em represália ao apoio a Israel, quadruplicou o preço do barril e causou uma crise econômica global, mostrando o poder geopolítico desse recurso.

Mapa das reservas de petróleo e gás do Oriente Médio com principais países produtores e rotas de exportação Reservas de petróleo e gás no Oriente Médio. Fonte: EIA (Agência de Informação de Energia dos EUA), 2023.

QUESTÃO PRÁTICA

Em 1973, os países árabes da OPEP decretaram um embargo de petróleo aos EUA e Europa. A principal causa desse embargo foi:

A questão palestina

A questão palestina é um dos conflitos mais longos e documentados do mundo contemporâneo. Para entendê-la, é preciso começar pelo colonialismo britânico.

Em 1917, o governo britânico emitiu a Declaração Balfour, prometendo apoio à criação de "um lar nacional para o povo judeu" na Palestina, então habitada majoritariamente por árabes muçulmanos e cristãos. O contexto era a Primeira Guerra Mundial: a Grã-Bretanha buscava apoio das comunidades judaicas e tinha interesses estratégicos na região.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o horror do Holocausto, a pressão por um Estado judeu aumentou. Em 1947, a ONU aprovou um plano de partilha da Palestina: 56% do território seria para o Estado judeu (mesmo com árabes sendo a maioria da população), e 44% para o Estado árabe palestino. Os judeus aceitaram; os árabes rejeitaram.

Em maio de 1948, Israel declarou sua independência. Os países árabes vizinhos atacaram imediatamente. Israel venceu a guerra e expandiu seu território para 78% da Palestina histórica. Cerca de 700 mil palestinos fugiram ou foram expulsos de suas casas, evento que os palestinos chamam de Nakba ("catástrofe" em árabe).

Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou militarmente a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, o Sinai egípcio (devolvido em 1982) e as Colinas de Golã sírias. Desde então, Israel mantém ocupação militar na Cisjordânia e construiu assentamentos civis israelenses em território palestino, considerados ilegais pelo direito internacional.

A luta pela formação do Estado palestino

Diante do domínio israelense sobre esses territórios, os palestinos se organizaram para reivindicar um Estado próprio. Em 1964, com apoio da Liga Árabe, foi fundada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cujo líder, Yasser Arafat, declarou em 1988, na Argélia, o estabelecimento de um Estado palestino independente, ainda sem território efetivo.

Em 1993, israelenses e palestinos assinaram os Acordos de Oslo, que garantiram autonomia parcial aos palestinos em Gaza e em partes da Cisjordânia e criaram, em 1994, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) como governo de transição. Arafat presidiu a ANP até sua morte em 2004, quando foi sucedido por Mahmoud Abbas, que segue no cargo até hoje. Mas a paz prevista em Oslo nunca se concretizou plenamente, e o Estado palestino independente, com fronteiras reconhecidas, continua sem existir.

Um momento decisivo veio em 2006: em eleições legislativas, o Hamas (Movimento de Resistência Islâmica) derrotou o Fatah de Abbas. Sem acordo para um governo de coalizão, os dois grupos entraram em confronto armado, e o resultado foi uma divisão territorial que existe até hoje: o Hamas, que não reconhece o Estado de Israel e defende a luta armada, passou a controlar a Faixa de Gaza; a Autoridade Nacional Palestina, mais moderada, ficou restrita a partes da Cisjordânia. Ou seja: os palestinos não estão divididos apenas de Israel, mas também entre si.

Outro símbolo do conflito é o muro construído por Israel a partir de 2002, que separa a Cisjordânia de Israel. Com mais de 400 quilômetros de extensão, o muro não segue a fronteira de 1949: avança sobre terras palestinas, anexando áreas agrícolas, fontes de água e assentamentos israelenses, e isolando comunidades palestinas inteiras em enclaves. A Assembleia Geral da ONU considerou a construção ilegal em 2007. Em 2012, a Palestina conquistou o status de Estado observador não membro da ONU, um reconhecimento simbólico importante, mas insuficiente para resolver as questões territoriais de fundo.

O conflito tem duas narrativas principais, ambas ancoradas em experiências reais de sofrimento: a israelense, marcada pelo antissemitismo histórico e pelo Holocausto; e a palestina, marcada pela Nakba, pela ocupação militar e pelo bloqueio. Compreender o conflito exige ouvir as duas.

A guerra de 2023 e seus desdobramentos até 2026

Em 7 de outubro de 2023, combatentes do Hamas invadiram o sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis, e levando mais de 200 reféns para Gaza. Foi o ataque mais mortal contra judeus desde o Holocausto. Israel respondeu declarando guerra ao Hamas, com bloqueio total de água, eletricidade e suprimentos, seguido de bombardeios massivos e uma invasão terrestre. Mais de 1 milhão de palestinos do norte de Gaza foram forçados a se deslocar para o sul. Até meados de 2024, o conflito já havia deixado mais de 38 mil mortos, cerca de 88 mil feridos e quase 1,9 milhão de deslocados, praticamente toda a população de Gaza, além do colapso completo do sistema de saúde da região.

Depois de mais de um ano de guerra, um primeiro cessar-fogo entrou em vigor em janeiro de 2025, com troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, mas ele foi rompido em março daquele ano, com a retomada dos combates. Um novo processo de paz, mediado pelos Estados Unidos, Turquia, Catar e Egito, começou em outubro de 2025, com um plano de 20 pontos que previa um cessar-fogo definitivo, a devolução dos reféns restantes e o desarmamento do Hamas. Em meados de 2026, porém, o plano segue travado: Israel controla cerca de 54% do território de Gaza e o Hamas mantém controle sobre o restante, recusando-se a entregar suas armas enquanto Israel não encerrar por completo as operações militares e liberar toda a ajuda humanitária. Passados quase três anos do início da guerra, um Estado palestino independente continua tão distante quanto estava em 1948.

Mapa histórico da Palestina mostrando a partilha de 1947, as fronteiras de 1948 e os territórios ocupados desde 1967 A Palestina histórica: plano de partilha de 1947, fronteiras de 1948 e ocupação desde 1967. Fonte: ONU/OCHA.

O Líbano e os conflitos regionais

O Líbano é um caso singular de diversidade religiosa e de fragilidade política. Com menos de 6 milhões de habitantes, o país divide o poder político entre grupos religiosos (cristãos, sunitas, xiitas, drusos) num sistema chamado confessionalismo, que se mostrou incapaz de garantir estabilidade.

O Líbano passou por uma guerra civil devastadora entre 1975 e 1990, que matou mais de 150 mil pessoas e destruiu o que era chamado de "a Paris do Oriente Médio". O Hezbollah, grupo armado xiita fundado com apoio iraniano em 1982, tornou-se um Estado dentro do Estado, com arsenal militar superior ao do exército libanês e forte presença no parlamento.

Em agosto de 2020, uma enorme explosão no porto de Beirute, causada pelo armazenamento negligente de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, matou mais de 200 pessoas, feriu 6 mil e destruiu grande parte da capital. A explosão expôs a falência completa do Estado libanês: anos de corrupção, má gestão e captura política por elites sectárias deixaram o país sem capacidade de proteger sua própria população.

O Líbano foi palco de um dos capítulos mais dramáticos dos desdobramentos da guerra de Gaza. O Hezbollah abriu uma "frente norte" em apoio ao Hamas logo em outubro de 2023, trocando ataques com Israel ao longo da fronteira. Em setembro de 2024, Israel promoveu uma operação sem precedentes: fez explodir remotamente milhares de pagers e rádios usados por membros do Hezbollah, ferindo milhares de pessoas em poucos minutos, e dias depois assassinou, num bombardeio em Beirute, o histórico líder do grupo, Hassan Nasrallah, que comandava a organização havia mais de trinta anos. Um cessar-fogo entrou em vigor em novembro de 2024, mas Israel manteve tropas em pontos do território libanês e seguiu realizando ataques aéreos pontuais. O novo líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o grupo não vai entregar suas armas, mesmo enfraquecido. Em junho de 2026, um amplo memorando de entendimento assinado após a guerra entre Israel e Irã (que você vai estudar a seguir) previu o "encerramento permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo entre Israel e o Hezbollah, mas a desmilitarização efetiva do grupo segue incerta.


QUESTÃO PRÁTICA

A Declaração Balfour (1917) é considerada um ponto de origem do conflito israelense-palestino porque:

TEXTO DE APOIO

"A questão da Palestina é, em sua essência, uma questão de colonialismo. Um povo foi deslocado de sua terra para dar lugar a outro povo, com o patrocínio de uma potência colonial. Isso não diminui o sofrimento de nenhum dos dois povos: tanto o povo judeu, que carregou séculos de perseguição e o trauma do Holocausto, quanto o povo palestino, que carregou o trauma da Nakba e de décadas de ocupação. Mas entender as origens exige nomear o colonialismo pelo que é."

SAID, Edward W. A questão da Palestina. São Paulo: Unesp, 2012, p. 34.

Com base no texto de Said e no que você estudou, responda:

1. Said afirma que a questão palestina é "em sua essência, uma questão de colonialismo". Você concorda com essa afirmação? Use argumentos desta aula (Declaração Balfour, Nakba, ocupação desde 1967) para justificar sua resposta.

2. Said reconhece o sofrimento dos dois lados: judeus com o Holocausto e palestinos com a Nakba. Como é possível reconhecer dois sofrimentos reais ao mesmo tempo sem relativizar nenhum dos dois? Que postura intelectual isso exige?


Duas rupturas recentes: a queda de Assad e a guerra com o Irã

A Primavera Árabe de 2011, onda de protestos que derrubou governos autoritários no Norte da África, também chegou à Síria. O presidente Bashar al-Assad, no poder desde 2000 (sucedendo seu pai, que governara por trinta anos), reagiu aos protestos tratando os manifestantes como terroristas, e o país mergulhou numa guerra civil longa e internacionalizada: Estados Unidos e aliados apoiaram parte da oposição, Rússia e Irã sustentaram o governo, e o Estado Islâmico aproveitou o vácuo de poder para conquistar território próprio. No auge do conflito, em 2015, o governo sírio controlava apenas 10% do país. Ao longo da década seguinte, Assad recuperou território e chegou a se declarar vitorioso, mas o país seguia isolado internacionalmente e em crise econômica profunda, com mais de 13 milhões de sírios (mais da metade da população) forçados a deixar suas casas ao longo do conflito, a maioria refugiada na Turquia, no Líbano e na Jordânia.

Em dezembro de 2024, tudo mudou em poucos dias: uma ofensiva rebelde liderada pelo grupo islamista HTS avançou sobre Damasco, e Assad fugiu para a Rússia, encerrando mais de cinquenta anos de domínio de sua família sobre a Síria. Um governo de transição assumiu o poder sob a liderança de Ahmed al-Sharaa, ex-comandante do HTS, que se tornou presidente interino em janeiro de 2025 e assinou, em março daquele ano, uma declaração constitucional que lhe garante amplos poderes por um período de transição de cinco anos. O futuro da Síria, um país fragmentado entre diferentes milícias, minorias religiosas e étnicas (incluindo os curdos do nordeste) e um novo governo de origem jihadista tentando se apresentar como moderado, segue incerto.

O evento mais dramático da região em 2025 e 2026, porém, envolveu diretamente o Irã. Em junho de 2025, Israel lançou uma campanha de bombardeios contra instalações nucleares, cientistas e lideranças militares iranianas, alegando que Teerã estava perto de construir uma bomba atômica. Os Estados Unidos entraram diretamente no conflito dias depois, bombardeando as principais instalações de enriquecimento de urânio do Irã. O confronto voltou a escalar de forma ainda mais grave em fevereiro de 2026: numa nova onda de ataques israelenses e americanos, foi morto o próprio líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, no poder havia 37 anos, junto com vários de seus principais comandantes militares. Foi a primeira vez na história que uma potência estrangeira eliminou o chefe de Estado de um país com esse peso geopolítico por meio de um ataque militar direto. Em junho de 2026, um memorando de entendimento entre as partes declarou o fim das operações militares em todas as frentes ligadas ao conflito, mas o Irã ficou com sua capacidade nuclear praticamente destruída e seu sistema político em situação de enorme incerteza.

Esses dois episódios, a queda de Assad e o enfraquecimento drástico do Irã, mudaram o mapa de poder do Oriente Médio: durante décadas, Irã, Síria e Hezbollah formaram o chamado "Eixo da Resistência" contra Israel e o Ocidente. Em pouco mais de um ano, esse eixo perdeu seu elo sírio, seu líder militar mais experiente no Líbano e a própria cúpula de comando em Teerã.


O que mudou no seu olhar?

Antes parecia que os conflitos do Oriente Médio eram resultado de "ódio religioso entre muçulmanos e judeus que sempre existiu". Agora você vê que a região tem uma diversidade cultural e étnica enorme, que o petróleo atrai intervenções estrangeiras com consequências devastadoras, e que a questão palestina tem raízes concretas no colonialismo britânico do século XX.

Isso não significa que as questões religiosas não existem, ou que não há responsabilidade de atores locais nos conflitos. Mas o mapa começa a ficar muito mais claro quando você sabe quem desenhou as fronteiras, quem prometeu as terras e quem financiou as guerras.

Você ainda ouviu falar de perto sobre o Irã, potência regional que acabou de perder seu líder supremo num ataque direto de Israel e dos Estados Unidos, e sobre os curdos, maior nação sem Estado do mundo. Na próxima parada, você vai se aprofundar exatamente nesses dois temas, além do Iraque e da Turquia, as outras grandes potências regionais do Oriente Médio.

Conceitos estudados nesta aula:


Qual é a diferença entre sunitas e xiitas no Islã?

A divisão remonta à morte do profeta Maomé em 632 d.C. e tem origem política: quem deveria ser seu sucessor? Os sunitas reconhecem Abu Bakr; os xiitas defendem Ali, primo e genro de Maomé. Hoje a divisão tem peso geopolítico enorme: a Arábia Saudita lidera o bloco sunita e o Irã lidera o bloco xiita. Essa rivalidade alimenta conflitos no Iêmen, no Líbano, no Iraque e na Síria.

Por que os curdos não têm um Estado próprio?

Os curdos são cerca de 35-40 milhões de pessoas com língua e cultura próprias, mas que vivem divididos entre quatro países: Turquia, Iraque, Síria e Irã. Após a Primeira Guerra Mundial, o Tratado de Sèvres (1920) previa a criação de um Curdistão, mas o Tratado de Lausanne (1923) anulou essa previsão, e as potências europeias preferiram manter fronteiras que favoreciam seus interesses estratégicos. Desde então, os curdos lutam por autonomia em todos os países onde vivem e são frequentemente perseguidos.

O que é a Nakba?

Nakba significa "catástrofe" em árabe. Refere-se ao deslocamento forçado de cerca de 700 mil palestinos durante a guerra de 1948 que criou o Estado de Israel. Centenas de aldeias foram destruídas. Os refugiados e seus descendentes, hoje estimados em 5-6 milhões de pessoas, vivem em campos de refugiados no Líbano, Jordânia, Síria, Cisjordânia e Gaza. O direito de retorno dessas famílias é um dos pontos centrais do conflito ainda sem resolução.




Ficha de conceitos


Produção

No início desta aula, você foi questionado sobre o que vem à sua mente quando pensa em "conflito no Oriente Médio" e se já ouviu o ponto de vista dos palestinos. Agora, com o contexto histórico e geopolítico desta aula, você pode ir além das manchetes.

Opção A: Escreva um texto de 15 a 20 linhas explicando as origens históricas da questão palestina para alguém que nunca estudou o assunto. Comece pela Declaração Balfour (1917), passe pela criação de Israel (1948) e pela Nakba, e chegue à situação atual da ocupação. Use uma linguagem clara e equilibrada que reconheça o sofrimento dos dois lados.

Opção B: A invasão do Iraque em 2003 pelos EUA e aliados foi justificada pela suposta existência de "armas de destruição em massa" que nunca foram encontradas. Escreva uma análise de 15 a 20 linhas avaliando essa decisão: quais eram os interesses reais envolvidos, quais foram as consequências para o Iraque e para a região, e o que esse episódio revela sobre a relação entre petróleo e intervenção militar.


Questões para responder no caderno

1. Por que a divisão entre sunitas e xiitas tem tanta importância geopolítica hoje? Cite dois conflitos atuais em que essa divisão é relevante.

2. Quem são os curdos? Por que eles não têm um Estado próprio, e em quais países eles vivem?

3. Explique o golpe de 1953 no Irã. Quem o organizou, por que, e quais foram as consequências para a história da região?

4. O que foi o embargo de petróleo da OPEP em 1973? Quais foram suas causas e consequências para a economia mundial?

5. O que foi a Declaração Balfour? Por que ela é considerada um ponto de origem do conflito israelense-palestino?

6. Explique o que foi a Nakba. Quantas pessoas foram deslocadas e onde vivem os refugiados palestinos e seus descendentes hoje?

7. Os EUA invadiram o Iraque em 2003 alegando existência de armas de destruição em massa que nunca foram encontradas. Com base no que estudamos sobre petróleo e geopolítica, quais outros fatores podem explicar essa decisão? Quem se beneficiou e quem pagou o custo?

8. Jerusalém é sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos. Como a disputa por essa cidade reflete o problema mais amplo do conflito israelense-palestino? É possível uma solução que respeite os direitos de todos os grupos?

9. O que é o confessionalismo libanês? Por que esse sistema político é considerado uma fonte de instabilidade para o país?

10. Edward Said afirma que "a questão da Palestina é, em sua essência, uma questão de colonialismo". Você concorda? Escreva um argumento a favor e um contra essa afirmação, usando fatos históricos desta aula.


Antes de finalizar, vamos fazer as questões!



Para saber mais:

Referências Bibliográficas

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